terça-feira, 30 de agosto de 2011

Morte e Vida Riquelme





Sempre há os que não deixam as cinzas de seus mortos se perderem na memória.



25 de abril de 2006.
Valentin Ivanov percebeu o cronômetro digital pulsando “22:38” em minúsculo néon.
Precisos 89 minutos de duração. Restam apenas 60 segundos.
O russo aproximou o apito de acrílico de embocadura látex à boca, equilibrando-o entre os trêmulos polegar e indicador e lembrou-se dos gramados forrados de neve na antiga União Soviética. Nos gélidos sonhos, via-se um artista de presença sombria, circunspecto em sua genialidade com a bola, prestes a decidir a sorte de milhares de entorpecidos pela beleza de seu ofício.
Admirava assim, a cinco metros de distância, nos olhos de seu alter ego, um moço magro de traços indígenas.
Um craque.
Por um instante, Valentin Ivanov, árbitro da inesquecível semifinal entre Villareal e Arsenal pela Liga dos Campeões da Europa 2005/06, na abrasadora noite de 25 de abril, laconicamente às 22 horas e 38 minutos, ao soprar o apito de acrílico, torceu como nunca para aquele índio esguio tornar o sonho de infância palpável, diante de milhões. Mas os olhos não enganavam.
O camisa 8 não reparava a bola. O objeto é o seu próprio espelho, magnetizando sua alma em poucos centímetros de circunferência. A respiração é profunda, quase impossível de alcançar o ar. A boca saliva mais que o natural. Tenta em vão umedecer os lábios ressecados de desespero. Mas ao ouvir o assobio do árbitro, não há mais nada o que fazer a não ser cumprir a obrigação de seu ofício – mesmo que para Román o futebol fosse tudo. Menos um trabalho.




***
Depois daquela fatídica e escaldante noite de verão no El Madrigal, Román nunca mais atuou como de costume. Durante a temporada de 2005/06, Riquelme levou o inexpressivo clube espanhol a voos inimagináveis. Na final do torneio continental, toparia com o poderoso Barcelona - e com Ronaldinho, no primor das formas física e técnica. Mas ninguém no mundo jogava como o argentino em 2006. Se tudo corresse como o esperado, depois de um ano espetacular, Román chegaria à Copa da Alemanha como o melhor jogador da atualidade. O Gaúcho alternava lampejos extraordinários e medíocres – pela primeira vez, ouviam-se vaias no Camp Nou para o ex-melhor do mundo. Zidane, que assombrou na Alemanha e levaria nas costas a seleção francesa, já tinha até se aposentado do futebol. Lionel Messi era ainda uma belíssima promessa - e reserva de Riquelme no selecionado argentino. Só para lembrar, naquele ano o prêmio individual mais cobiçado do futebol ficou para o esforçado zagueiro italiano Fabio Cannavaro.
Nas três noites subsequentes à de 25 de abril, Riquelme passou em claro. Só não abandonou Valenciana e retornou à natal Buenos Aires pois ainda restava a temporada espanhola e a Copa do Mundo batia à porta em poucos meses. Porém, nunca mais foi mesmo. Dali em diante, era a morte anunciada de seu futebol. Nada mais dramático e peculiar à personalidade de um argentino.
Dizem que uma das marcas que distinguem um brasileiro de um argentino está no modo de ambos preservarem uma amizade. O tupiniquim, repousando a mão sobre o ombro companheiro, ressalta: “Pode contar comigo para toda a vida”, ao passo que o portenho lamenta: “Estou contigo até a morte”. Cláudio R. Negrete, jornalista e escritor argentino, define esta funesta filosofia portenha como “necromania”, ou seja, o hábito de cultuar com excessos e idolatria os mortos na Argentina. Contextualizando o autor de “Necromanía, História de una Pasión Argentina”, é difícil enterrar o casal Perón, San Martín, os soldados mortos na Guerra das Malvinas, Gardel (“que cada dia canta melhor”), Borges e, atualmente, Néstor Kirchner. Há sempre avós e mães da Praça de Maio ou “Cristinas” que não deixam as cinzas de seus mortos se perderem na memória.




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Desde a “morte” de Riquelme para o futebol, um perfil de jogador parece ter sucumbido também. Román foi a última espécie “bem-sucedida” de uma estirpe de craque cerebral, que impõe sua habilidade por meio da cadência reflexiva, de uma aparente lentidão de movimentos. A Argentina, maior berço de meio-campistas com tais características, nomeia-os de enganche, o “gancho”, aqueles com a responsabilidade de “enganchar” os sistemas defensivo e ofensivo da equipe, atuando na faixa central dos três terços do campo, de uma intermediária à outra. Por não terem a obrigação de marcar ou ocupar espaços quando atacados e agredir com a posse de bola, parecem fadados ao desprezo dos esquemas táticos atuais. Riquelme foi o último sobrevivente.
Há tempos, Tostão revela não se conformar com tanto buchicho que se faz com a atuação dos centro-campistas atuais. A crítica especializada parece não saber ao certo definir as posições de cada um dos ocupantes da “meia cancha”. Define a todo instante como meias de ligação os ofensivos “pontas de lança” ou os armadores que se alternam entre defesa e ataque. Em nenhum destes casos, se aproximam do autêntico “gancho”, como é o caso de Riquelme.
Por envergarem a camisa 10, há muito se desdobram elogios à genialidade de Rivellino, Zico, Maradona e Messi, para ficar em alguns. Segundo o colunista, apenas “Riva” era um genuíno meia-armador. Os demais, como Rivaldo e Kaká, que retornam à intermediária para armar, se aproximam da área e marcam muitos gols, são muito mais atacantes que armadores. Por avançarem muitas vezes na diagonal adversária, e para não ocuparem o espaço do centroavante fixo, estes jogadores eram lançados pelas extremidades do campo, como “pontas de lança”.
Raramente o “10” servia para armar. Aos meias armadores, distribuía-se a camisa 8. Didi, Gérson, Sócrates, Verón, Iniesta ou mesmo Xavi ocupam a intermediária defensiva, marcando o adversário e iniciando as jogadas ofensivas. Exceto o atual Barcelona, pela peculiaridade de seu sistema tático, os demais times, se dispõem de atletas com demais características, os posicionam à frente da linha da intermediária defensiva, como armadores ofensivos. Assim, preferem o sacrifício de uma saída de bola qualificada.
Maradona queria Riquelme avançado na África do Sul, em 2010, espremido entre Messi, Tevez e Higuaín. Sem a bola, deveria recompor a linha de intermediária com Mascherano e Cambiasso. Ou seja, não haveria espaço para o desenvolvimento de seu jogo.
Não seria o cerebral Román. Pediu dispensa da seleção. Foi chamado de traidor.
Curiosa a relação destes raros “ganchos” com a própria personalidade. Não raras as vezes são sujeitos introvertidos e absortos durante a partida. Cônscios da preciosidade de cada jogada, executam um simples passo com a delicadeza e a maestria de uma bailarina picando o palco com a ponta dos pés. Desta especial genealogia estica-se uma ramificação reservada de jogadores, como Alberto Schiaffino, Ademir da Guia, Zinédine Zidane e, claro, Román Riquelme.
O “10” passou o primeiro semestre de 2007 em sua casa, La Bombonera, na estreita Brandsen, 805, para conquistar a Copa Libertadores da América com o Boca Juniors. Há quem jure que a arquitetura midiática de repatriá-lo por este período à La Boca, bairro portuário ao leste de Buenos Aires, esteve mais vinculada a manobras eleitorais de Mauricio Macri, então presidente do Boca Juniors e candidato à prefeitura da cidade portenha, que ao título do torneio continental. Em meio a uma confraria de bons jogadores, como Palácio, Ledesma, Morel Rodríguez, Banega, Cardozo e Martín Palermo, Román foi o cérebro e a alma da equipe. Nunca se vira sua técnica tão constante e apurada como naquele campeonato, liderando “apenas” com genialidade artística. O desempenho na última partida contra o Grêmio, no Olímpico, em 20 de junho, é considerado por muitos como a maior atuação individual de um jogador em finais do torneio sul-americano. Os dois gols do jogo saíram de seus pés. Como principal “cabo eleitoral” do presidente do clube, desfilando em carro aberto por três ininterruptos dias nas ruas da cidade, Mauricio Macri foi eleito, em 24 junho, prefeito de Buenos Aires. Sempre há os que não deixam as cinzas de seus mortos se perderem na memória.






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Em 29 de julho deste ano, Alejandro Sabella, o novo técnico da seleção argentina, fez sua primeira coletiva como o comandante da esquadra albiceleste, equilibrando uma bigorna nos ombros pós-trauma Copa América: “A mágica tem de ressurgir”, garimpou aqui e ali, aferroando a “ordem do dia” nas mais variadas conversas com a imprensa.
E “a mágica ressurgiu” no dia 18 de agosto. Riquelme está de volta à seleção da Argentina, na aguardada convocação de Sabella para os dois jogos do selecionado contra o Brasil, na reedição dos confrontos pela Copa Rocca – agora com a horripilante alcunha de “Copa Dr. Nicolás Leoz”. Obedecendo a determinados critérios técnicos individuais da lista dos convocados de Sabella, a imprensa esportiva argentina arrisca o seguinte escrete titular para as partidas: Agustín Orión (Boca); Pillud (Racing), Sebá Domínguez (Vélez), Desábato (Estudiantes) e Papa (Vélez); Cristian Chávez (Boca), Verón (Estudiantes), Hector Canteros (Vélez) e Riquelme (Boca); Boselli (Estudiantes) e Juan Manuel Martínez (Vélez).
Na “prancheta”, a distribuição tática é muito idêntica ao Boca-2007. A meia “cancha” desenha-se num losango, com Cristian Chávez fixo na proteção da defesa e Canteros (esquerda) e Véron (direita) avançando e recuando verticalmente entre as intermediárias. Já o ataque pode atuar como um compasso, com a “ponta seca” Boselli centralizado na defesa adversária e J. M. “Orteguita” Martínez atuando pelas extremidades do campo.
Mas tudo isso é nada sem a mágica do enganche. Como se diz por lá, "sempre há os que não deixam as cinzas de seus mortos se perderem na memória".


por Luciano Melo









domingo, 21 de agosto de 2011

Sócrates Brasileiro

Ed Limas

De Belém do Pará veio este Doutor, fixou-se em Ribeirão, terra de cerveja e sol, por um momento quando jovem se dizia santista, mas o tempo passou e se tornou jogador.
Jogava futebol e estudava medicina, começou no Botafogo e venho mostrar que era um craque e assinava suas jogadas até de calcanhar.
Tomava sua gelada, lia Karl Marx, dava suas tragadas e ouvia Secos e Molhados, não era atleta, era craque, não era prosa, era verso.
Fã de Glauber Rocha e Pelé, bom de copo não podia ver mulher!!!
Vicente Mateus o contratou, no timão se encontrou, mega campeão e um democrata. Comemorava seus gols tal qual os Panteras Negras, um socialista no time do povo!!
Em 82 foi capitão, gênio da raça, a voz de Telê em campo... A maior seleção que o mundo já viu não foi campeã, mas o Doutor e seus amigos mostraram que o futebol pode ser arte.
Doutor na vida e na bola, pelas diretas lutou, no corinthians marcou, grande idolo do povo, a cara do timão, ruga na cara, cigarro na boca, cerveja no copo e sonhos na cabeça.
Sócrates se transformou em CORINTHIANO!!!!
Elton John, o bardo britânico afirmou:" Melhor do que Sócrates em 82 ninguém jogou"!

FORÇA DR. SÓCRATES
Estamos com você!!!



quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Diabo Veste Nike


Ed Limas

O Universo é pródigo em formar vilões ardilosos e providos da imensa capacidade de ganhar um "dinheirinho", es que nestas mal escritas linhas discorro sobre um certo personagem.
Ricardo III na peça honônima escrita pelo inglês William Shakeaspeare faz maldades horrendas em seu afã pelo trono inglês, porém tudo isso ficou no campo da imaginação genial e fertil do bardo britânico.
Es que séculos e séculos depois um novo Ricardo surge, um ser cruel que se arroga no direito de ser o "malvadão", o lobo mal perto deste Ricardo, não passa de uma alegre chinchila.
Este Ricardo do novo milênio já esta em seu "trono" falando e fazendo o que escoa pelo esgoto.
Porém nosso Ricardo é mais legal do que o outro, pois ele não dizima sua própria prole, pelo contrário sua filhinha tem um ótimo " carguinho " no Cômite Local da Copa do Mundo do Brasil 2014.
Adinhou quem é? Te dou um Dipilique se acertar!! Pois esse Ricardo esta no poder desde de que eu em tenra idade jogava Atari, andava de Caloi 10 e ouvia Menina Veneno do comterrâneo de Shakeaspeare, Ricthie.
Tirem as crianças da sala!!!!!!!
Isso mesmo pessoal, estou falando do todo poderoso Ricardo Teixeira!!
jfdghopsghwtohtolthj... não consigo digitar, é muita maldade em um só ser, trata-se de um cruzamento de Lúcifer com Darth Vader...
Me nego a digitar novamente o nome deste homem que é Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Presidente do Cômite local da Copa do Mundo e ainda por cima ex genro do João Havelange. Este ser deu uma espetacular entrevista à Revista Piauí, onde foi sincero ( plagiando Engenheiros do Havai ) como nunca se pode ser. (Desculpem por plagiar os Engenheiros, isto é o fim do mundo ).
A jornalista Daniela Pinheiro deixou o rei nu e a visão não é das melhores, o cidadão em tese falou que manda mesmo , que faz maldade mesmo, em suma assumiu o que é!! Já pensou se alguns políticos resolvessem abrir a boca e falar a "real" em suas entrevistas?
É caros leitores! Não percam esta reveladora entrevista, tal pérola é encontrada na edição 58 da Revista Piauí.
Shakeaspeare não criaria um personagem tão... tão... mau!!!!!
Desculpem o excesso de maniqueísmo!!! Mas neste caso o Diabo Veste Nike!!!!

Leitores dado o excesso de maldade nestas mal redigidas linhas, prometo escrever sobre a Madre Teresa de Cálcuta no próximo texto.

domingo, 10 de julho de 2011

A mulher que me fez trair a pátria



Agora entendo minhas irmãs, pois entra Copa e sai Copa elas insistem em não torcer para nosso escrete canarinho, preferem suspirarem por italianos metidos a galãs do selecionado azul.
Nacionalistas de plantão e xenôfobos de hora extra não fiquem bravos comigo, antes de ser brasileiro, sou amante do que é belo e hoje torci para uma musa, uma goleira com rosto de anjo e olhar claro. Solo, Hope Solo... A ninfa que povoa meus sonhos.
Es que nesta preguiçosa tarde de domingo assisti a contenda entre Brasil e Estados Unidos pela Copa do Mundo Feminina de Futebol da Alemanha, sim leitores, o time da genial Marta, que detém um futebol "pelézistico", se é que me entendem! Estava torcendo até então para nosso país, pois além da Marta, temos craques como Cristiane e Erika, mas quando vi a goleira estadudinense!!!! Meu Deus!!!
Que mulher!
A cada defesa observava suas formas curvilineas e suculentas, a encarnação de Afrodite estava naquele gramado germânico, tal qual Catherine Deneuve em La Belle de Jur, confesso que tive intensas reações hormônais.
O resultado da partida ficou em 2x2 e nos pênaltis torci para Solo, ela não me deixou na mão ( ta bom confesso... acabei ficando na mão no sentido erótico), porém na seara esportiva Solo fez bonito e pegou uma penalidade máxima.
Ao findar desta grande disputa, a gigante Marta chorou, mas a arqueira beldade correu para a arquibancada e comemorou com o povo, quem me derá estar lá e tocar suas luvas, sentir o mesmo ar que a Deusa respira... Solo me fez amar a distância em fria tarde de domingo.
Realmente sou exagerado, assim como na música de Cazuza, que coisa, por uma mulher trai minha pátria.




Ed Limas

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A dor de uma nação

Assisti estarrecido e ao mesmo tempo perplexo o espetáculo intitulado: " A queda de um titã"!
O pujante River Plate selou seu destino neste último domingo e caiu para a segunda divisão do futebol argentino ( empatou com Belgrano de Córdoba em 1x1 ), em 110 anos de uma história gloriosa, o gigante portenho jogará entre os humildes e toscos clubes da divisão de acesso argentina.
O Clube que detém 18 milhões de fanáticos torcedores, que na década de 40 ficou conhecido como "La Maquina" e teve entre seus astros: Pederneras, Daniel Passarela, Francescolli, Burrito Ortega e Ayla... Foi sentenciado a um retiro forçado de um ano.
Rios de lágrimas cairam no Monumental de Nunes, river e rio dá no mesmo, um rio de tristeza que alagou as ruas de Buenos Aires.
A violência explodiu, torcedores apaixonados e loucos a solta nas ruas da capital do tango, a trilha sonora não era gardel, estava mais para música de filme de guerra do Oliver Stone.
O River não é o primeiro, muito menos o último gigante a sofrer esta dor, cair de divisão futebolistíca não é uma sentença de morte. Outros titãs do futebol mundial já tiveram esta dor: Juventus de Turin, Milan, Manchester United, Corinthians, Grêmio e Palmeiras já provaram deste sofrimento, nada é para sempre.
O River voltará e aqueles que quase se afogaram em lágrimas se erguerão e unidos vão bradar canções, canções que só os torcedores da bacia do plata conseguem entoar.


Força River!!!

Ed Limas

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Do barroco a Baudelaire: o Santos conquista a América

Ao Juarez in memorian






Confesso, não consegui escrever nestes dias. A você, desprezado leitor deste espaço, gostaria de traçar, nestes últimos dias, algumas mal escritas linhas sobre este histórico confronto entre clubes tão tradicionais do futebol mundial, como Santos e Peñarol. Confesso, até me endividei adquirindo alguns livros sobre a história do futebol sul-americano para não dizer alguma besteira - além das que normalmente já digo - e fornecer ao famigerado espectador um pouco da mística que sustentava o choque entre uruguaios e brasileiros, recheada de episódios violentos e apaixonantes (e quem disse que a paixão e a violência não caminham juntas?). Enfim, durante estas últimas semanas, minha intenção era realizar um pequeno dossiê entre Montevidéu e Santos-São Paulo, mas, confesso, não tive condições psicológicas para tal.
Não pude porque nem de perto sou da linhagem de Nelson Rodrigues, Mário Filho, Armando Nogueira ou João Saldanha. Estes, torcedores apaixonados por seus clubes, eram, sobretudo, cronistas ímpares de futebol. Tinham os ouvidos aguçados pela Musa inspiradora e pingavam o veneno da palava em cada boca incalta de leitor. Transformavam cada linha do amarelado jornal numa vereda poética que sublimava o estádio de futebol e tomava de assalto o coração de cada um de nós. Eu, confesso, sou aquele que ama o seu clube - e só! Não tenho a pena destes escritores - e por isso sou aquele garoto que espera em vão um olhar despretencioso de Afrodite ou um lance fortuito para oferecer um mimo - mas sempre há alguém, brindado pelos deuses, com um arsenal melhor de caça.
Por isso, confesso, indigno de expressar dignamente o mágico triunfo santista na noite de ontem, recorro a dois textos já publicados aqui para fazer jus à conquista continental. Desculpe, Nelson, Mário, Armando e João. Não tenho ouvidos para a Musa.


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Nascer, Viver e, no Santos, Morrer!

Sobre albatrozes, gansos e cisnes



Luciano Melo


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O albatroz. Charles Baudelaire escreveu, em 1842, o esboço do segundo canto de As Flores do Mal, intitulado O Albatroz. Se esta é a obra angular da modernidade literária, este conjunto de quatro quartetos é o retrato do artista perante a um novo momento, um inédito instante. Para elucidarmos do que se trata o poema, faço uma breve sinopse: por um mero prazer mórbido, os marinheiros têm o sui generis passatempo de capturar albatrozes que repousam no convés do navio. A ave, como se sabe, tem um modo cambaleante de caminhar, graças às imensas asas que desequilibram a rigidez e a postura do corpo do animal, pendendo-o de um lado para outro e, por assim dizer, proporcionando facilidades ao seu seqüestrador. Os marujos então estendem o quanto podem as asas do albatroz em forma de crucifixo pelas tábuas do tombadilho, prendendo-as pelos pés. Indefeso, envergonhado por tamanho rebaixamento, o imenso pássaro deixa-se pender perante a crueldade dos homens. Um, baforando um imenso cachimbo, entope-lhe o bico de fumaça; outro, coxeando pela borda da embarcação, ridiculariza os passos ziguezagueantes do indefeso bípede até que, cansados das tripudias, os marinheiros libertam o animal. Ele então, cabisbaixo, ainda um pouco atenuado pela tortura, tenta se reerguer na posição vertical, apoiando-se nos ombros desengonçados quando, retomado o equilíbrio, sacode bruscamente as asas e impera ao longe do firmamento.O artista moderno, segundo Baudelaire, é como o albatroz. Nas alturas, suporta o peso mundo, como diria Drummond (falaremos mais dele adiante), o mais baudelairiano dos nossos poetas. Mas, em terra firme, confinado à mesquinharia do cotidiano, é lançado à sanha de marinheiros sedentos por baforar enxofre em suas fuças. Depois d’As Flores do Mal, o poeta da modernidade é, por excelência, o transeunte deslocado, aquele que perambula pelas calçadas a observar a perversidade da vida urbana. Não se encaixa em coisa alguma, não vê sentido no alvoroço dos movimentos sociais, no bel prazer do conforto citadino. E como em nada se apoia, sente-se frágil demais aos costumes da civilização.Como prometido, retomemos ao poeta de Itabira. Um dos mais intrigantes escritos de Drummond é O Elefante, presente no fabuloso A Rosa do Povo, o qual inicia com os seguintes versos (Fabrico um elefante / de meus poucos recursos. / Um tanto de madeira / tirado a velhos móveis / talvez lhe dê apoio. / E o encho de algodão, / de paina, de doçura.). Você encontraria um ser mais deslocado, perambulante e frágil ser do que um elefante cruzando a urbe? Acho que não. E preciso dizer de quem se trata o elefante?Ganso. (25 de abril de 2010. Estádio do Pacaembu). A cobrança de escanteio é curta, rasteira. Paulo Henrique Ganso recebe a bola a dois metros do vértice interior da área. Repousa o pé esquerdo por cima dela. Não pode retornar a bola ao executor do escanteio, pois este estará à frente da linha de zagueiros. Também não tem a quem passar, já que a área tem, no mínimo, dezesseis jogadores, entre companheiros e adversários. Chutar a gol é impossível. A bola desviaria em alguma canela intrometida. Os inimigos insaciáveis vêm à caça, cercando-o. (Está se lembrando do albatroz e os marinheiros?) Sente que logo pisarão em suas frágeis asas, baforarão enxofre em seu rosto, vibrarão arrancando a doçura de sua arte. A poucos metros dali, o tobogã se inflama com urros hostis, escarnecendo-se aos berros da incômoda cena ali testemunhada. Ganso, então, toma uma decisão, digamos, imponderável. Recolhe a bola para a linha de fundo. Sucumbiu perante a adversidade? Deixou-se pender à crueldade dos homens como a ave infortunada de Baudelaire? Três opositores o circundam, impedindo sua saída. Não há o que fazer. Então, P. H. Ganso suspende a bola com finura, com delicadeza, (perdão, Drummond) com a doçura de um elefante. O albatroz suspendeu as asas. A pelota faz uma polida parábola, perfeita como um arco renascentista. A multidão percorre a trajetória tal qual o traço de um compasso até a esfera encontrar a cabeça do atacante santista, arrematando a obra-prima com a derradeira pincelada do gol. Genial poesia.Paulo Henrique Ganso é um albatroz da bola. Não tem a elegância do falcão (o Rei de Roma?) nem a fome do galo (de Quintino?). Nesta rinha, é apenas um desajeitado caminhante. Tem um caminhar falso, desmedido, com deselegância discreta (desculpe, Caetano). O tórax é frágil, quase corcunda. Sem a bola nos pés, apenas caminha de esguio diante da pobreza cotidiana. Com ela, é o majestoso que “enfrenta os vendavais e ri da seta no ar”. (Charles Baudelaire. O Albatroz.)Cisne. O ex-técnico de Paulo Henrique, o esforçado meia-direita Cuca, disse, certa vez, quando ainda Ganso atuava na base, que o jovem atleta não dispunha de qualidades para alçar ao time principal do Santos F.C. Não o culpo. É difícil reconhecer o pequenino cisne que, deslocado entre tantos patinhos, é o feio do grupo. Faltava-lhe a obediência tática, o apuro físico, a velocidade do arranque, a entrega desmedida ao resultado. Após sua estreia no comando do Flamengo, seu técnico no vice-Mundial Sub-20, Rogério Lourenço, disse que sempre sacava Ganso da equipe pois o jogador não cumpria suas determinações táticas. “Desobediente, então”, indagou o perspicaz repórter. “Não, desligado”, respondeu o treinador. Eu diria um torto, um desajustado. Parafraseando novamente o itabirense, “um gauche na vida”.Nesta época, Ganso ainda era um patinho feio para Cuca e Rogério Lourenço. Menos para Giovanni, que o trouxe com quatorze anos para o Santos F.C. O messias já via o cisne que Paulo Henrique se tornaria. Uma espécie reconhece a outra.

O drible barroco de Neymar

por Luciano Melo

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De todo o espólio nelsonrodriguiano, a crônica “Garrincha, passarinho apedrejado”, publicada em 23 de junho de 1962, na extinta revista carioca Fatos & Fotos, consolidou-se num dos mais lapidares exemplos de perfeição criativa que o mestre atingiu ao tratar de futebol. Apenas para efeito de contextualização, já que para mim basta a maestria alcançada por Nelson Rodrigues ao expor, em diminuto texto, elementos sociais e antropológicos da identidade brasileira, o escrito trata da semifinal Brasil 4 x 2 Chile, pela Copa do Mundo de 1962. Com a bondade angelical de Mané, um ser de tamanha delicadeza no trato com a bola e com a vida no qual, segundo Nelson Rodrigues, quem se aproximava dele tinha a vontade de lhe oferecer alpiste na mão.Brilhante analogia, Nelson.Daí seu espanto na expulsão de Garrinha ao revidar um soco do adversário no final da partida. Mané seria impossível de praticar tal agressão. Respondia aos “joões” fazendo-os patinar diante de sua poesia escrita “aos pés”, como no bailado flutuante de Fred Astaire ou na hipnotizante troca de pernas de Muhammad Ali. Mas a principal indignação – e mote para a brilhante crônica – estava na saída de Garrincha do campo, ao ser alvejado na cabeça por uma pedrada vinda da arquibancada. Tolos e ingratos chilenos, retribuindo assim tamanho espetáculo oferecido por um trapezista de pernas tortas, um gênio incompreendido por ele próprio, um pássaro que vê na graça de seu ofício apenas o seu ‘modus vivendi': voar.Transcrevo o final da crônica:“Apedrejaram Garrincha e vencemos.Eis o mistério do escrete e do Brasil. O time ou o país que tem um Mané é imbatível. Hoje, sabemos que o problema de cada um de nós é ser ou não ser Garrincha. Deslumbrante país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos, se fossemos 75 milhões de Garrinchas.”Esta é a síntese antropológica da identidade do país pelo traço de Nelson Rodrigues. Não a ingenuidade tola, demagógica e hipócrita, como tão bem assinalou em seu teatro invasivo. Mas a pureza de um pássaro que responde aos dissabores nacionais com a destreza de ser alvejado por pedras e manter a dignidade do ofício inalterada - não nos esqueçamos que quatro dias após o incidente, Garrincha e o escrete canarinho seriam bicampeões mundiais.Salve a rasa observação das mazelas sociais inserida numa crônica futebolística! Quem há de dizer que Nelson não tinha razão? Se não cabe a investigações acadêmicas da sociologia tupiniquim, ao menos serve para o pássaro Mané.
A mim, basta.Como basta o debute de Neymar em 2011.Sem “comparar o incomparável”, horas após a histórica apresentação de Neymar contra o Paraguai, voltou à tona sua declaração de que o “estilo” de seu futebol se igualava ao de Garrincha, no repertório endiabrado de dribles e na conseqüente desmoralização dos adversários – os “joões” tão familiarizados ao Mané. Mesmo entendendo a excitação do público diante de uma raríssima pérola do futebol brasileiro ou uma descabida heresia de “comparar o incomparável”, como defendem os saudosistas, não há o que comparar entre Garrincha e Neymar. Ouvi desde criança meu pai afirmar que Pelé e Garrincha não jogavam futebol, mas algo que, não encontrando pares com quem disputar, era parecido com o nosso ‘jogo de bola’. Em outras palavras: faziam algo “similar” ao futebol. Primorosa definição.Então, sem comparar “estilos” de jogo entre um e outro, como disse Neymar, me assanho a reafirmar que não há relações nos dois porque Neymar não é Garrincha (óbvio!), mas Garrincha também não é Neymar (?!).O que equiparo aqui não é a desproporcional discussão “quem foi melhor?”, por razões cristalinas, como a de comparar um ex-atleta a outro ainda em atividade, ou pior: Mané, como Pelé, não “jogavam” futebol, logo, nada se compara a eles. Desculpe, respeitável leitor, no entanto aprendi a amar futebol por causa do meu velho, e não vou discordar dele aqui. Como afirmei, cresci com isso. Não há como ser de outra forma. Garrincha e Pelé são inquestionáveis. E incomparáveis.Porém, o que esboço é confrontar características futebolísticas daquilo que é mais caro a Garrincha e Neymar: o drible. Tal qual Nelson Rodrigues atribui aos gracejos de Mané a delicadeza de uma raça - e a triste analogia a um passarinho apedrejado – recorro ao ‘anjo pornográfico’ para badular Neymar na mesma proporção “zoomorfizada”, ou seja, desumanizando o artista ao constituí-lo de “bicho” para, enfim, “antropomorfizá-lo”. Não farei como René Simões e denominá-lo de monstro, apesar do assombro que repercutiu sua atuação. Mas na busca de atribuir a seus dribles descomunais uma personalidade aos moldes rodriguianos, não encontro outra similaridade senão em Pégaso.Pégaso – ou Pégasus -, o cavalo alado, surgiu do sangue da cabeça decepada de Medusa por Perseu. Como prole de Medusa correndo pelas veias, Pégaso herdou uma individualidade infernal, um animal praticamente indomável. Oferecido às musas por Minerva, é considerado o presente dos poetas e evocado, por exemplo, por Milton e Shakespeare.É justamente neste corcel, dedicado às musas e, em conseqüência, aos poetas, que remeto ao controle e desafio que Neymar impõe durante uma partida. Uma das primeiras impressões que me causou ao vê-lo passar sem pedir licença pelos adversários foi a de quase flutuar pelo gramado com a bola nos pés. Não sei se pelo físico franzino, de pernas e braços esguios e ombros circunflexos, mas é hipnotizante como a jovem promessa parece transpor os adversários sem o mínimo esforço, abrindo as asas em vôos rasantes e certeiros, como o corpo alado de um Pégaso.E o rodriguiano “pássaro” Mané, também não voa? Não, na acepção do termo. O pássaro Garrincha, para Nelson Rodrigues, encontra significado no voo do ofício de Mané em campo, a tradução de um ser angelical, incapaz de ofender ou agredir qualquer pessoa, seja ela adversário ou não. E por tamanha incompreensão humana, seu apedrejamento configura-se numa imagem martirizada, cristã. Nelson parece pedir desculpas ao gênio de pernas tortas pela intolerância do público chileno; que compreendesse o flagelo de ser prostrado em sua própria casa pelo escrete canarinho. É como se nas entrelinhas, Nelson deixasse transparecer: “Perdoe, Mané, eles não sabem o que fazem”.
Mais nelsonrodriguiano, impossível.Já o futebol de Neymar é pagão (lembrou-se de Pagão, outro imortal jogador santista?). Evoca o mitológico Pégaso no controle subumano de caminhar sobre o ar sobrepujando-se a marcadores sedentos em surrá-lo, extinguir sua habilidade e magia por meio de empurrões, socos e pontapés. Impossível. Se o cristianizado Mané Garrincha, adequadamente chamado de o “anjo de pernas tortas”, impunha certa piedade a seus marcadores por tratá-los sem distinção de “joões”, Neymar é maquiavélico ao extremo: faz questão de impingir o desprezo e a humilhação em praça pública. Seu ritual de dança pré-ritmizada a cada gol é a ridicularização do oponente, tratando-o com tamanho desprezo ao tornar o gol assinalado fator secundário, apenas o leitmotiv do ritual frenético de seus passos. Como esquecer do “chapéu” em Chicão, do Corinthians, com o jogo paralisado? Ou da “paradinha” vexatória imposta a Rogério Ceni, do São Paulo? Ou do descontrole emocional ao final de uma partida, “jurando” um atleta do Ceará? Ou da descompostura hierárquica diante de seu técnico, Dorival Júnior? Tudo sob os holofotes do mundo, sem qualquer piedade cristã. Tal qual a fúria de Pégaso. Um “monstro”, segundo René Simões.O paganismo de Neymar também se ostenta naquilo que a cristandade capitula como pecado mortal: a vaidade. O seu moicano estilizado, longe da representação de resistência punk em tempos idos, aproxima-se dos pequenos chifres e cabelos selvagens dos sátiros, divindades gregas que guardavam os bosques e os campos. Neymar sabe muito bem onde impõe sua arte pagã.Se não bastasse a flutuação que desafia o sentido e a lógica dos mortais, por vezes Neymar faz desaparecer a bola sob seus pés. Repare no segundo gol deste último jogo: ele avança pela intermediária, acompanhado por dois marcadores paraguaios. Os adversários não oferecem combate, apenas se retraem. Neymar carrega a bola até invadir a área. Em milésimas frações de segundo, num lance de olhar repara em Henrique, livre na marca do pênalti, e no goleiro saindo para fechar o ângulo direito. Mas repare mesmo, leitor, com preciosa atenção, nesta micronésima fatia temporal, que a bola, com num passe de mágica, some! Ela retorna diante dos nossos olhos quando Neymar corta os dois zagueiros para a esquerda da defesa e suavemente desliza a bola à direita do goleiro – o famoso contrapé, no jargão futebolístico.Em relação à cadência no drible, os ritmos de Garrinha e Neymar se opõem. A finta de Mané é cristalina, límpida, pura, observada a quilômetros de distância. Muitas vezes a bola fica imóvel no gramado e apenas o corpo de Garrincha vai de um lado para outro, obrigando os adversários às suas ordens de movimento, imantando-os. Em outros momentos, com o marcador à frente, dispara com a bola nos pés e freia com rispidez, impulsionando o antagonista em sentido contrário sem tocá-lo, valendo-se da gravidade de Newton. Tudo muito plástico, muito nítido. A bola sempre à vista, flamejante. O objeto da existência divina na placidez diante dos olhos, como a simbologia cristã no uso de seus artefatos ritualísticos: a hóstia, o cálice, a cruz.Já Neymar, se há certa cristandade em seu futebol, é o craque barroco. Seu artifício requintado do tromp-l’oeil (engana-olho), técnica de escultores quinhentistas para figuras angelicais, atribuindo às peças uma espécie de tridimensionalidade, é o mesmo desafio que Rubens ou Rembrandt propunham em seus quadros, um ardor temperado ente claro-escuro que muito se assemelhava à visão dualista barroca, entre a observação antropocêntrica e a cósmica universal.Neymar tenta se equilibrar neste conflito: ao desaparecer com a bola, seu drible desmorona o resquício moral do oponente, enganando-o aos olhos de todos. Isso parece ser honesto?, deve se perguntar a todo instante. Garrincha não saberia responder.
Neymar sabe.O paganismo de seu futebol não o pune. Graças a Deus.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Futebol é guerra!" (E se joga mesmo com os pés?)



A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana.
Nelson Rodrigues


Ontem, quem folheasse o Olé!, o maior jornal de esportes da Argentina, encontraria duas páginas inteiras dedicadas “à batalha de Buenos Aires”, em referência à pancadaria pós-eliminação do Argentinos Juniors e à desclassificação, diante do Fluminense, para a próxima fase da Taça Libertadores da América. Por aqui, os tricolores se deleitavam com a manchete do periódico esportivo Lance!, em sua versão carioca: “Épico! Guerreiros do Flu arrancam vaga heroica na Argentina!”. Nos dois exemplares, envoltos à dramaticidade do jogo decisivo e do “quebra pau” promovido por jogadores e seguranças dos clubes, a constatação de que aquele instante monopolizou a disputa entre as equipes numa “batalha” entre “guerreiros” que valeu uma vitória “heroica” dos brasileiros. Documentados por estes e outros noticiários, o que restará do “épico” confronto entre Argentinos Juniors e Fluminense será a constatação maior de um confronto travado entre gladiadores numa acanhada arena portenha em relação à partida disputada em si. Em suma: é futebol ou é guerra?
Melhor dizendo, retomando o título do artigo: futebol é guerra. Uma guerra simbólica, como aponta Hilário Franco Jr. (1), e/ou de palavras, como veremos a seguir.
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Football se joga mesmo com os pés? Ao “pé da letra”, não. Associa-se o termo ‘futebol’ à raiz inglesa [foot] + [ball], ou seja, pé e bola ou pé na bola. Portanto, seria o esporte praticado com a bola controlada e disputada pelos pés, mas a relação não é tão simples assim. Na verdade, a nomenclatura football se refere a qualquer atividade esportiva que se executa a pé – “e não sobre cavalos, como vários esportes praticados pela aristocracia europeia ao longo dos séculos.”(2) Deste modo, contrapondo-se à britânica prática fidalga de exercícios sobre cavalos, como o polo (hóquei sobre grama), hipismo, equitação ou enduro equestre, o football consolidou-se na terminologia esportiva com o uso dos pés no chão, como, por exemplo, o rúgbi e seu “descendente”, o futebol americano. Assim, é fácil a dedução de que, mesmo praticado com as mãos, o football nos Estados Unidos ainda revela a raiz semântica inglesa.
Com as primeiras tentativas de uniformização das regras do “nosso” futebol, a partir de 1848, a Inglaterra passou a distinguir o football “com os pés” e “com as mãos”, batizando este último como rugby em referência à Rugby School, tradicional reduto de praticantes desta modalidade. Anos mais tarde, em 26 de outubro de 1863, na Freemason’s Tavern, centro de Londres, surge o Football Association, agremiação destinada à normatização das regras e à organização dos primeiros torneios futebolísticos. Da “associação”, como era conhecido este comitê, derivou-se a palavra “as[soc]iation” para soccer. Em países ex-colônias britânicas, como Estados Unidos, África do Sul e Austrália, chama-se assim o jogo de futebol, diferenciando-se das ramificações do football, como o rúgbi.
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É interessante notar que o mesmo football inglês do século XIX é berço para modalidades tão distintas, como o rúgbi e o futebol americano ou o soccer. Mas não menos curiosa a relação de “forças” ideológicas que se aplicam em cada prática esportiva. E por isso, o mesmo futebol, não importando a dualidade ramificada posteriormente, reserva em sua semântica a ação de superar o inimigo por meio da força, seja ela técnica, tática, mas, essencialmente, militar.
Uma partida de futebol pode ser “disputa”, “embate”, “peleja”, “confronto”, “duelo” etc., denominações recheadas de conotações bélicas. A medição de forças se dá no campo, em terreno extenso e plano, porém, acima de tudo, na síntese de uma arena de guerra. Wisnik (3) sugere que a nomenclatura “campo” e “luta” se encontram na mesma raiz alemã Kampf, ou ainda nas derivações camp[eão] (lutador) e camp[eonato] (batalha). Assim, estabelecido o espaço de luta, passemos à demarcação do perímetro. No “Manifesto do Movimento ‘Morte ao Futebol Moderno’” (17.03.2010), tratei da conjuntura simbólica que move um campo de futebol. Transcrevo a passagem:



“Como já se afirmou em tempos idos, o quadrilátero que abriga uma peleja futebolística nada mais é que a metáfora da condição humana, encarcerados que somos diante dos limites de sobrevivência impostos a cada um de nós. É também o espaço demarcado da existência. A medida retangular é na verdade a junção de dois quadrados que acolhem duas potências opostas, ou seja, ying/yang ou Apolo/Dionísio. Forças motoras que nutrem nossas decisões. A união destes opostos se dá pelo grande círculo central, o símbolo da perfeição e da ideia de totalidade.”


Já a definição espacial do futebol americano é esquadrinhada metricamente por traços que demarcam as jardas, como a cartografia do mapa norte-americano ou a conquista territorial por meio de estradas de ferro que cortam o deserto estadunidense. Aliás, este domínio de territórios - mote do football ianque - pode representar a devoção da sociedade norte-americana em desempenhos e resultados “visíveis”. Não é por acaso a insatisfação pública com o governo atual quando Barack Obama sugere cortes orçamentários de gastos públicos para artefatos belicistas.
As estratégias de posicionamento numa partida de futebol ( rúgbi, futebol americano ou soccer) também definem a função a ser desempenhada por cada praticante no campo de batalha, embora o soccer permita rupturas na operacionalidade do esquema tático através de lances improvisados que enganam e desestruturam a organização do oponente. Chico Buarque, em artigo para o Estado de São Paulo (21.06.98), ao assistir em Paris a uma pelada entre meninos europeus e filhos de imigrantes, revela que os “ricos” tendem a se comportar como os “donos do campo”, privilegiando o controle do jogo por meio da ocupação estratégica no terreno, o toque de bola previamente estabelecido e a marcação ordenada no adversário; já os “pobres” tendem ao controle da bola, às peripécias individuais e ao “desapego” de organização sistemática campal em prol do drible curto e rasteiro em direção à meta contrária. Neste sentido, pode-se cotejar tal dualidade de divisões sócio-culturais em modalidades esportivas e o desempenho, salvas raras exceções, de determinados “grupos”. Para as camadas favorecidas ou dominantes, obtêm-se melhor atuação em práticas esportivas que notabilizam a funcionalidade estratégica ou coletiva, como o rúgbi, o tênis, o vôlei e a natação; em outras, quando a modalidade admite que o improviso surpreenda o inimigo, em casos como o soccer, o basquete, e o boxe, o recurso do drible ou da finta equipara as “desigualdades” de classes através do domínio e da habilidade individual na execução do exercício.



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Este texto ainda continua...

Humildade e dribles

Por Ed Limas


Tanto Sócrates ( o grego filosofal ) quanto Jesus ( o Cristo ) não deixaram nada escrito, porém mudaram o mundo, ambos são exemplos de sábios humildes!
Sócrates fingia que nada sabia, artificío de um gênio para convidar seus discípulos ao conhecimento, Jesus pregava a humildade e ousou dar a outra face.
A humildade é sublime, ser humilde é zombar da arrogância.
A arte é a beleza elevada ao Olimpo, encontramos arte no futebol, em suas mais variadas formas, seja no lançamento de Zidane, no gol de Romário ou no calcanhar de Sócrates ( o corinthiano ).
Sou um amante das artes, dias atrás assiste ao filme "Cisne Negro" do diretor americano Darren Aronofsky (genial ), estou lendo 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño ( muito bom ) e vi os dribles de Valdivia ( craque chileno do Palmeiras ) no jogo Palmeiras versus Santo André desta última quinta ( 21/04/2011 ). Sinceramente os dribles de Valdivia são belos, mas o player oriundo da terra dos mineiros heróicos ( nada a ver com Minas Gerais ) por vezes flerta com a arrogância.
O Santo André foi rebaixado no Paulistão, estava praticamente eliminado da Copa do Brasil ( naquele momento o Palestra vencia por 1 a 0 ) e o mago insistia em tirar onda dos atletas desta agremiação, sou visceralmente a favor da arte do drible, mas chutar cachorro morto...
Me parece que Valdivia não foi sábio, mas exigir sabedoria sócratica deste craque talvez seja demais.
Será que estou ficando careta?? criticar a arte em detrimento da suposta humildade???

"Só sei que nada sei"
Sócrates

sábado, 19 de março de 2011

Seu Cipriano saudosista

Por Ed Limas


Seu Cipriano é um nostalgico por essência, ele estava lá quando Garrincha fez seu último gol como profissional em uma peleja amistosa realizada em Ribeirão Preto, onde o Comercial e o Olaria se degladiaram em 1972. Garrincha estava com 38 anos e vários quilos a mais, mas deixou seu golzinho de pênalti. Envergando a camisa do Olaria, Garrincha se despediu do futebol. Seu Cipriano aumentou as doses de cachaça ( o combustível da alma ) quando o gênio parou de encantar o mundo.
Cipriano é santista, mas dizia que no fundo todo mundo é Botafogo!
Nossa herói vai ficando mais triste a cada despedida de algum gênio, ficou assim quando Zico e Platini pararam, ficou assim quando Ronaldo parou...
Bebendo e sonhando com o passado, assim é nosso herói da periferia.

Ps. Que o Ganso não pare de jogar nunca... O fígado do Seu Cipriano não aguenta mais...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Bruna Surfistinha e o cinema artificial




por Luciano Melo

Será difícil para o cinema brasileiro se desvencilhar das amarras de Tropa de Elite 2. Os fuzis apontados por Capitão Nascimento e sua trupe para a classe média pseudomoralista deste país refletem olhos fumegantes à espera de um contentamento efêmero e instantâneo, entre a fugacidade da reflexão social (ou moral?) e uma breve mea culpa pelo voyeurismo de tragédias anunciadas por vidas errantes, que pagam um preço “altíssimo” por escolhas mal sucedidas. Escolhas estas que apoiam a parede da narrativa até o momento delas mesmas desmoronarem, passando de escoras a tijolos frágeis de muralha derretida, incomodando-nos na poltrona almofadada da sala de projeção. O xis da questão é que a redenção final a qual se acostumou o público não é necessariamente o que ocorre em Bruna Surfistinha, filme debute de Marcus Baldini, o que talvez provoque certo desconforto ao final da exibição – menos pelo final desafiador que pelas arestas mal aparadas ao longo da película.

Mas deixemos claro que Baldini mais acerta do que erra. Roteirizou a várias mãos O Doce Veneno do Escorpião, da “cinderela trash” (como o próprio diretor aventa) Bruna Surfistinha, ou simplesmente Raquel Pacheco, a menina adotada em berço de ouro que largou a casa bem montada, a escola de elite paulistana e o silêncio do pai para provar (a si mesma?) (a todos?) de que era possível sobreviver às próprias custas – mesmo por alternativas pouco ortodoxas. Durante todo o tempo, o filme persegue as razões destas escolhas, como se a protagonista tentasse explicar, perante a moralidade aguçada do espectador, que a condenação por se prostituir não é justa: não há culpados ou vítimas – apenas escolhas, que nem sempre entendemos porque tomamos. O que para muitos diretores seria um prato cheio, Baldini faz de Bruna sua cinderela “às avessas”, sem nenhuma martirização ou o prosaico “refém de uma vida”: apenas a expõe pelo coloquialismo do deslumbramento, a aceitação de ser a “menina mais famosa do colégio ou sacar que os relatos num blog aglutinariam fama e dinheiro. Nada mais prosaico para uma menina de dezoito anos – mas não pelo caminho traçado por Surfistinha.

Daí resulte uma das derrapagens de Marcus Baldini. Como o mentor José Padilha, retoma a narrativa em “off” da protagonista para costurar o que ao leigo espectador tenha lhe escapado ou, como um coro edipiano, dar voz à consciência moralizadora. Em nenhum destes ou em outros casos, isso parece ter eficiência para Bruna Surfistinha. Se com muita boa vontade isso se explicava no piegas discurso “heroico-patriotico” de Nascimento, na personagem de Deborah Secco soa como aquela mea culpa do “não é isso que eu estou dizendo” ou “não foi isso que eu quis dizer”. Em outras palavras, fica o dito pelo não-dito. Tais reflexões freudianas poderiam ser, por exemplo, mais reveladoras em posts do blog. Por sinal, a “blogueira” Surfistinha foi mal explorada na película, restringindo-a apenas em mínimas cenas na frente da tela, em variações de caras e bocas, sem muito dizer o porquê. Se a equação “livro + roteiro = filme” teve seu embrião nas divagações numa tela de computador, isso passa à margem das ações no filme de Baldini, como, aliás, o fez tão bem David Fincher com a sua A Rede Social.

Mas se é para rezar na cartilha de Padilha da necessidade de “o” / ”a” protagonista, Baldini acerta o alvo na escalação de Deborah Secco para o papel. Embora esteja eqüidistante da menina Carol em “Confissões de Adolescente”, e por isso a fase “mocinha” de colegial seja um pouco forçada nos dias atuais, principalmente quando contracena com atores “da sua idade”, Deborah “sobra” como Surfistinha. Convence na cena de sua “primeira vez” profissional com o Huldson, interpretado por Cássio Gabus Mendes, um cliente bem-sucedido que não deixa claro se deseja ser amante ou pai de Bruna. Porém, um dos episódios mais comprometedores do filme, a cena do jantar de luxo do casal, Huldson recupera as joias da mãe de Bruna, roubadas por uma prostituta. Se não bastasse faltar as palavras para ela, Huldson emenda uma “pérola junguiana”: “Acho que você ainda não se encontrou dentro de si”, ao qual Surfistinha rebate “Se você me encontrar, você avisa?” É dose, não?

Já arrebatadora sequência na Love Story beira a perfeição. Baldini capta o espírito moulin rouge de Deborah, desde sua entrada triunfal até “perder” os sentidos nos passos de pole dance, a dança no poste, culminando com a “propina” ao policial no meio da Rua Augusta. É o único momento em que a atriz cede terreno a sua antagonista, a noite paulistana de casas e calçadas de prostituição. Mas é nesta relação intrínseca com a São Paulo das boates da Consolação aos becos da Cracolândia que Surfistinha sublima seu hiperego, como se a cidade existisse a seus pés. Baldini “divide” com “Carlão” Reichenback, Sganzerla e Ozualdo Candeias esta tomada de rara felicidade da cinematografia paulistana atual. E faz Deborah Secco se afeiçoar a Sandra Bréa no plano-sequência no interior do veículo, para depois “jogar-se” com o tronco para fora da janela. Bravo!

Estamos na metade do filme e, de agora em diante, Baldini perde a mão. Parece que falta pouco tempo para a “ascensão e queda” de Bruna Surfistinha, do atendimento prive no flat de luxo alugado à derrocada financeira pela cocaína. Tudo recheado por diálogos clichês e reflexões casuais. Tudo motivo para mais narração em “off”, como se quisesse amarrar tudo, embrulhar para presente e entregar para o espectador mais desatento. Desperdício de tempo e paciência.

Publicitário de profissão, Marcus Baldini sabe da “alma do negócio”. Meses antes à edição final de Bruna Surfistinha, o diretor enviou uma cópia pré-editada para Thom Yorke, vocalista do Radiohead. Se gostasse do que visse, pediria o arrasa-quarteirão Fake Plastic Trees na trilha sonora. Pedido aceito, mas parece enxertado “a fórceps”. Ou artificial.

Como a cena final, em que Deborah abre a porta para você, desafiando-o a entrar.

Você recusaria?


Her green plastic watering can

For her fake Chinese rubber plant

In the fake plastic earth

That she bought from a rubber man

In a town full of rubber plans

To get rid of itself


O seu regador verde de plástico

Para a sua falsa planta chinesa artificial

Na terra artificial de plástico

Que ela comprou a um homem de borracha

Numa cidade cheia de planos de borracha

Para se livrar de si mesma

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Domingo de clássico

por Claudio Domingos Fernandes
*
O mais novo dos meninos balouçava os pés ao ar sentado no galho da goiabeira. O outro corria atrás do cachorro com uma vala na mão. O mais velho ouvia Benito de Paula na vitrola da tia, que estava na cozinha ajudando a mãe com o bolo. O pai e o tio e dois amigos do pai, na varanda, pitavam cigarro e jogavam dominó. A bandeira do Timão tremulava presa à vara do varal. Um dos amigos do pai era palmeirense. Os outros caçoavam dele, mas ele mantinha-se na dele, pois confiança no seu “escrete”. No rádio: Fiori e Gilioti anunciava: "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo...". O pai então gritou: “baixa a vitrola e tras um café aqui pra nós”. O mais velho desligou a vitrola e veio para a varanda dar apoio ao palmeirense. A tia trouxe o café e chamou os outros dois meninos para o banho que: “o bolo estava quase pronto. O pai todo animado, parecia jogar com o time: “Vai Sócrates!... Força Biro-Biro!... Muito Bem, Vladimir!...” Quando Sócrates fez o primeiro gol, o pai soltou rojões, beijou a mãe, jogou o mais novo ao ar, que abriu um sorriso... "E o tempo passa…" O bolo encheu de perfume toda a casa. Eneas empata para o palmeiras. Agora era o amigo do pai e o mais velho a fazerem festa... "Crepúsculo de jogo", fim de domingo. O pai e o tio na varanda discutem animadamente a partida e fazem aposta para o próximo jogo. A mãe e a tia foram à missa. O mais novo dos meninos e o outro fazem bolinhas com migalhas de bolo e jogam ao cachorro. O mais velho voltou para a vitrola e ouve Alcione e se prepara para ir à praça encontrar os amigos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Buddy Holly nerd rocker

Por Ed Limas

Buddy Holly tocava violino e piano na infância, e na adolescência ganhou sua guitarra. Quando se uniu ao Crickets, aos vinte anos, já havia lançado alguns discos pela Decca e apresentado um estilo único juntando lirismo e blues.
Nos primeiros tempos do rock n roll, Buddy Holly e os Crickets lançaram obras tais quais That´ll be the day e Peggy Sue. Buddy Holly influenciou adolescentes ao redor do mundo, inclusive 4 carinhas da periferia de Liverpool, que depois se tornaram a maior banda de rock de todos os tempos... não preciso mencionar quais eram os caras, né?!
Buddy era miope e usava camisas comportadas, um visual nerd rocker!
Nosso herói do rock partiu deste mundo carnal muito jovem, em 03/02/1959 Holly pegou um avião com destino a cidadezinha americana de Fargo, estava acompanhado das lendas Ritchie Valens ( La Bamba te lembra alguma coisa ) e Big Bopper Richardson, este avião não chegou a seu destino. E o destino destes artistas do rock foi tragicamente traçado.

Buddy Holly é gênio da raça!!!!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Noticias do Morte

Ed Limas


Extra!!Extra!!! Após ficarem sabendo que não haverá rebaixamento no carnaval do Rio de Janeiro em 2011, devido um lamentável incêndio na cidade do samba, torcedores do Vasco da Gama tentaram atear fogo na sede do clube cruz maltino, o objetivo era desesperadamente tentar impedir um eventual rebaixamento deste clube tão popular no estadual deste ano.

Extra!! Extra!!! Malouda craque da seleção francesa manifestou interesse de encerrar sua carreira no Brasil, já corre pelo mundo afora que jogadores em via de aponsetadoria ganham um bom dinheirinho aqui. Que o diga Ronaldo Fenômeno!!!

Extra!!! Extra!!! Ronaldinho Gaúcho pretende mudar de nome, o ex gênio do futebol e atual arroz de festa quer se chamar Ronaldinho da Portela.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O homem que calou Hitler

Por Ed Limas

Durante os jogos Olimpicos de 36 realizados em Berlin, Jesse Owens assombrou o homem do bigodinho e o mundo ao ganhar 4 medalhas de ouro em único dia. Hitler ficou boquiaberto ao ver um atleta negro jogar pra debaixo do tapete da história a propalada superioridade ariana.
Ao retornar aos Estados Unidos após o excelente desempenho, Jesse recebeu diversas honrarias. Mas, naquela época, os atletas não assinavam contratos lucrativos.
Jesse segurou a onda como Diretor de Recreação em Cleveland, teve uma vida dedicada a crianças de classe social menos favorecida.
Infelizmente Jesse era tabagista convicto alá Gerson, há décadas atrás os maleficíos do cigarro não eram conhecidos e vários esportistas davam baforadas nos cigarrinhos da vida e faziam campanhas publicitárias em prol do tabaco, nosso herói foi derrotado por cancêr nos pulmões aos 66 anos em 1980.
Jesse Owens foi gênio da raça!!!

A alegria alheia

Por Ed Limas

Seu Cipriano esta mais feliz que pinto no lixo, recebeu sua aponsentadoria em pleno dia que o timão perdeu para o espetacular clube de Ibagué... O Tolima. Cipriano estava com sua camisa surrada do Santos, dinheiro no bolso e alegria no coração. Todo santista é mais feliz quando o time do povo se lasca. Acompanhou a peleja no bar do Zezinho, a tv não era de LCD, mas a cada gol seu sorriso desprovido de dentes se abria e um grito quase mudo de gol ecoava no boteco.
Nosso herói tomou cerveja, rabo de galo e cinar, com o acompanhamento de uma gordurosa e muito sádia buchada de bode.
Uma madrugada feliz, seu Cipriano decidiu sair do bar do Zezinho na manhã do dia seguinte, uma verdadeira odisséia até sua casa, andando em zigue ziggue, nosso Ulisses de periferia cambaleava, seu bucho passava por revolução maior do que no Egito, a urgência se fazia presente, suando mais que dançarina de axé não conseguia abrir a porta de nababesca casa de dois cômodos e um banheiro carente de privada.
Cipriano ficou ali, suando em bicas e feliz com a tragédia alheia!

Moral da história!
Assim é seu Cipriano, assim é a maioria, a felicidade se constrói na tragédia do outro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Perguntar não ofende...

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O papa Bento 16 condenou os perfis "artificiais" dos usuários da internet. Como perguntar não ofende, então Pedro usava perfil "fake" ao se declarar "não-apóstolo" de Jesus aos romanos?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Aquele Andar

Por Ed Limas


Quem me derá ser o vento que toca a face daquela menina, aquela menina mulher que provoca sem querer, que me faz sonhar sem perceber.
Ela desfila por entre pessoas, calçadas lotadas, ruas que se encontram e provocam congestionamento de gente, soberana caminha sem rumo de loja em loja, não é Oscar Freire, muito menos Daslu, o comércio é popular, sigo o seu andar.
Não sei seu nome, mas posso inventar... será Simone, Michelle ou até mesmo Dagmar ( Dagmar é pra rimar ), sigo seu rumo, mas é estranho seguir alguém assim, pois hoje em dia seguir é coisa de "twiteiro".
Entro na padaria, aquela imagem se faz passado, mas um passado presente, peço uma cerveja, não importa a marca, nem mesmo se esta gelada, me ponho a pensar naquele andar...
Beleza fugidia, beleza que inebria, me sinto piegas, mas não sou piegas, sou APRECIADOR, sou rock n roll, uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor ( alguém já disse isso ).
Acho que nunca mais verei aquele imagem... aquele andar...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O drible barroco de Neymar

por Luciano Melo
*
De todo o espólio nelsonrodriguiano, a crônica “Garrincha, passarinho apedrejado”, publicada em 23 de junho de 1962, na extinta revista carioca Fatos & Fotos, consolidou-se num dos mais lapidares exemplos de perfeição criativa que o mestre atingiu ao tratar de futebol. Apenas para efeito de contextualização, já que para mim basta a maestria alcançada por Nelson Rodrigues ao expor, em diminuto texto, elementos sociais e antropológicos da identidade brasileira, o escrito trata da semifinal Brasil 4 x 2 Chile, pela Copa do Mundo de 1962. Com a bondade angelical de Mané, um ser de tamanha delicadeza no trato com a bola e com a vida no qual, segundo Nelson Rodrigues, quem se aproximava dele tinha a vontade de lhe oferecer alpiste na mão.
Brilhante analogia, Nelson.
Daí seu espanto na expulsão de Garrinha ao revidar um soco do adversário no final da partida. Mané seria impossível de praticar tal agressão. Respondia aos “joões” fazendo-os patinar diante de sua poesia escrita “aos pés”, como no bailado flutuante de Fred Astaire ou na hipnotizante troca de pernas de Muhammad Ali. Mas a principal indignação – e mote para a brilhante crônica – estava na saída de Garrincha do campo, ao ser alvejado na cabeça por uma pedrada vinda da arquibancada. Tolos e ingratos chilenos, retribuindo assim tamanho espetáculo oferecido por um trapezista de pernas tortas, um gênio incompreendido por ele próprio, um pássaro que vê na graça de seu ofício apenas o seu ‘modus vivendi': voar.
Transcrevo o final da crônica:
“Apedrejaram Garrincha e vencemos.
Eis o mistério do escrete e do Brasil. O time ou o país que tem um Mané é imbatível. Hoje, sabemos que o problema de cada um de nós é ser ou não ser Garrincha. Deslumbrante país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos, se fossemos 75 milhões de Garrinchas.”
Esta é a síntese antropológica da identidade do país pelo traço de Nelson Rodrigues. Não a ingenuidade tola, demagógica e hipócrita, como tão bem assinalou em seu teatro invasivo. Mas a pureza de um pássaro que responde aos dissabores nacionais com a destreza de ser alvejado por pedras e manter a dignidade do ofício inalterada - não nos esqueçamos que quatro dias após o incidente, Garrincha e o escrete canarinho seriam bicampeões mundiais.
Salve a rasa observação das mazelas sociais inserida numa crônica futebolística! Quem há de dizer que Nelson não tinha razão? Se não cabe a investigações acadêmicas da sociologia tupiniquim, ao menos serve para o pássaro Mané.
A mim, basta.
Como basta o debute de Neymar em 2011.
Sem “comparar o incomparável”, horas após a histórica apresentação de Neymar contra o Paraguai, voltou à tona sua declaração de que o “estilo” de seu futebol se igualava ao de Garrincha, no repertório endiabrado de dribles e na conseqüente desmoralização dos adversários – os “joões” tão familiarizados ao Mané. Mesmo entendendo a excitação do público diante de uma raríssima pérola do futebol brasileiro ou uma descabida heresia de “comparar o incomparável”, como defendem os saudosistas, não há o que comparar entre Garrincha e Neymar. Ouvi desde criança meu pai afirmar que Pelé e Garrincha não jogavam futebol, mas algo que, não encontrando pares com quem disputar, era parecido com o nosso ‘jogo de bola’. Em outras palavras: faziam algo “similar” ao futebol. Primorosa definição.
Então, sem comparar “estilos” de jogo entre um e outro, como disse Neymar, me assanho a reafirmar que não há relações nos dois porque Neymar não é Garrincha (óbvio!), mas Garrincha também não é Neymar (?!).
O que equiparo aqui não é a desproporcional discussão “quem foi melhor?”, por razões cristalinas, como a de comparar um ex-atleta a outro ainda em atividade, ou pior: Mané, como Pelé, não “jogavam” futebol, logo, nada se compara a eles. Desculpe, respeitável leitor, no entanto aprendi a amar futebol por causa do meu velho, e não vou discordar dele aqui. Como afirmei, cresci com isso. Não há como ser de outra forma. Garrincha e Pelé são inquestionáveis. E incomparáveis.
Porém, o que esboço é confrontar características futebolísticas daquilo que é mais caro a Garrincha e Neymar: o drible. Tal qual Nelson Rodrigues atribui aos gracejos de Mané a delicadeza de uma raça - e a triste analogia a um passarinho apedrejado – recorro ao ‘anjo pornográfico’ para badular Neymar na mesma proporção “zoomorfizada”, ou seja, desumanizando o artista ao constituí-lo de “bicho” para, enfim, “antropomorfizá-lo”. Não farei como René Simões e denominá-lo de monstro, apesar do assombro que repercutiu sua atuação. Mas na busca de atribuir a seus dribles descomunais uma personalidade aos moldes rodriguianos, não encontro outra similaridade senão em Pégaso.
Pégaso – ou Pégasus -, o cavalo alado, surgiu do sangue da cabeça decepada de Medusa por Perseu. Como prole de Medusa correndo pelas veias, Pégaso herdou uma individualidade infernal, um animal praticamente indomável. Oferecido às musas por Minerva, é considerado o presente dos poetas e evocado, por exemplo, por Milton e Shakespeare.
É justamente neste corcel, dedicado às musas e, em conseqüência, aos poetas, que remeto ao controle e desafio que Neymar impõe durante uma partida. Uma das primeiras impressões que me causou ao vê-lo passar sem pedir licença pelos adversários foi a de quase flutuar pelo gramado com a bola nos pés. Não sei se pelo físico franzino, de pernas e braços esguios e ombros circunflexos, mas é hipnotizante como a jovem promessa parece transpor os adversários sem o mínimo esforço, abrindo as asas em vôos rasantes e certeiros, como o corpo alado de um Pégaso.
E o rodriguiano “pássaro” Mané, também não voa? Não, na acepção do termo. O pássaro Garrincha, para Nelson Rodrigues, encontra significado no voo do ofício de Mané em campo, a tradução de um ser angelical, incapaz de ofender ou agredir qualquer pessoa, seja ela adversário ou não. E por tamanha incompreensão humana, seu apedrejamento configura-se numa imagem martirizada, cristã. Nelson parece pedir desculpas ao gênio de pernas tortas pela intolerância do público chileno; que compreendesse o flagelo de ser prostrado em sua própria casa pelo escrete canarinho. É como se nas entrelinhas, Nelson deixasse transparecer: “Perdoe, Mané, eles não sabem o que fazem”.
Mais nelsonrodriguiano, impossível.
Já o futebol de Neymar é pagão (lembrou-se de Pagão, outro imortal jogador santista?). Evoca o mitológico Pégaso no controle subumano de caminhar sobre o ar sobrepujando-se a marcadores sedentos em surrá-lo, extinguir sua habilidade e magia por meio de empurrões, socos e pontapés. Impossível. Se o cristianizado Mané Garrincha, adequadamente chamado de o “anjo de pernas tortas”, impunha certa piedade a seus marcadores por tratá-los sem distinção de “joões”, Neymar é maquiavélico ao extremo: faz questão de impingir o desprezo e a humilhação em praça pública. Seu ritual de dança pré-ritmizada a cada gol é a ridicularização do oponente, tratando-o com tamanho desprezo ao tornar o gol assinalado fator secundário, apenas o leitmotiv do ritual frenético de seus passos. Como esquecer do “chapéu” em Chicão, do Corinthians, com o jogo paralisado? Ou da “paradinha” vexatória imposta a Rogério Ceni, do São Paulo? Ou do descontrole emocional ao final de uma partida, “jurando” um atleta do Ceará? Ou da descompostura hierárquica diante de seu técnico, Dorival Júnior? Tudo sob os holofotes do mundo, sem qualquer piedade cristã. Tal qual a fúria de Pégaso. Um “monstro”, segundo René Simões.
O paganismo de Neymar também se ostenta naquilo que a cristandade capitula como pecado mortal: a vaidade. O seu moicano estilizado, longe da representação de resistência punk em tempos idos, aproxima-se dos pequenos chifres e cabelos selvagens dos sátiros, divindades gregas que guardavam os bosques e os campos. Neymar sabe muito bem onde impõe sua arte pagã.
Se não bastasse a flutuação que desafia o sentido e a lógica dos mortais, por vezes Neymar faz desaparecer a bola sob seus pés. Repare no segundo gol deste último jogo: ele avança pela intermediária, acompanhado por dois marcadores paraguaios. Os adversários não oferecem combate, apenas se retraem. Neymar carrega a bola até invadir a área. Em milésimas frações de segundo, num lance de olhar repara em Henrique, livre na marca do pênalti, e no goleiro saindo para fechar o ângulo direito. Mas repare mesmo, leitor, com preciosa atenção, nesta micronésima fatia temporal, que a bola, com num passe de mágica, some! Ela retorna diante dos nossos olhos quando Neymar corta os dois zagueiros para a esquerda da defesa e suavemente desliza a bola à direita do goleiro – o famoso contrapé, no jargão futebolístico.
Em relação à cadência no drible, os ritmos de Garrinha e Neymar se opõem. A finta de Mané é cristalina, límpida, pura, observada a quilômetros de distância. Muitas vezes a bola fica imóvel no gramado e apenas o corpo de Garrincha vai de um lado para outro, obrigando os adversários às suas ordens de movimento, imantando-os. Em outros momentos, com o marcador à frente, dispara com a bola nos pés e freia com rispidez, impulsionando o antagonista em sentido contrário sem tocá-lo, valendo-se da gravidade de Newton. Tudo muito plástico, muito nítido. A bola sempre à vista, flamejante. O objeto da existência divina na placidez diante dos olhos, como a simbologia cristã no uso de seus artefatos ritualísticos: a hóstia, o cálice, a cruz.
Já Neymar, se há certa cristandade em seu futebol, é o craque barroco. Seu artifício requintado do tromp-l’oeil (engana-olho), técnica de escultores quinhentistas para figuras angelicais, atribuindo às peças uma espécie de tridimensionalidade, é o mesmo desafio que Rubens ou Rembrandt propunham em seus quadros, um ardor temperado ente claro-escuro que muito se assemelhava à visão dualista barroca, entre a observação antropocêntrica e a cósmica universal.
Neymar tenta se equilibrar neste conflito: ao desaparecer com a bola, seu drible desmorona o resquício moral do oponente, enganando-o aos olhos de todos. Isso parece ser honesto?, deve se perguntar a todo instante. Garrincha não saberia responder.
Neymar sabe.
O paganismo de seu futebol não o pune. Graças a Deus.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Songs and lovers

por Luciano Melo

Os pedregulhos saltando no cristal do riacho trincavam a água como os caquinhos azarados de um espelho qualquer. A cada latejo na gélida pista, um cortante zunido enxotava as aves de inverno dos galhos ensaboados de neve, batendo asas em frenesi. George T. Schiefer nunca se esquecera daquilo. “Minha árvore de açúcar”, ria, quebrando as folhas da macieira revestidas de gelo.
As faíscas das pedras talhando a solidez do córrego. Asas. Frenesi nos olhos. A paisagem açucarada. A s manhãs de T. Schielfer na abadia.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Escritos natalinos

*Desgarrado do prélio celestial, recolhia-se nos escombros da psique alegórica do universo, fitando o rebanho. Esteve presente desde o início de tudo, antes mesmo da claridade do fogo e de tudo que dele depende. Amava-O como nenhum outro dos seus tivera coragem de amar. Era imperfeito. Lançou a solidão e a paixão entre as criaturas mundanas que habitam o imaginário divino e descobriu que não era digno de carregar a Luz. Despiu-se das cândidas vestes que contornavam o corpo consagrado de um guardião e de toda a glória fausta da matéria eterna.
Os olhos percorriam corações encarnados, pensamentos segregados pela ordem da gênese humana, palavras solitárias da cria. Não sentia nada – sentir é demasiado humano – e nem agia – não era mais um deus.
Certa feita ouvira que o odiavam. Desconfiara de que o preceito fosse verdadeiro, mas até então nenhum dos seus tivera coragem de dizer. Decerto não seria ele o único. Não sentiu ódio ou compaixão – apenas a certeza de estar só. Procurou a essência caída dos céus – o Predileto – e ouviu quarenta vezes o silêncio da negação.

*

Naquele instante, o mito da castidade não encontrou o sentido, mas a experiência que torna o mortal a essência fantástica do orbe instaurado. A criação guiou-se pela Estrela Nova, que purifica a margem ribeira – o reflexo da perfeição – e ilumina a lei de pedra, que viu a sarça ardente e secou o pélago rubro. Os pés não mais tocariam o espelho narciso e a moeda ofereceria somente uma face – a outra.
O artesão limpou-O com a aspereza peculiar do ofício e com a dignidade contemplativa de um cerimonial de devoção. Ela quis pedir a Criança para seus braços, aconchegá-la em seu ventre, porque sabia o fado da escolha fundamental, a mãe virginal que inverteu a ordem do Ocidente, a Eva que integra toda fragilidade humana à maneira de Deus.
Mas não pôde. Diante dos trapos encharcados da sangria, deparou-se com a Sombra, a inversão de quem assiste diante de Deus, que habita as ruínas da grande alegoria e, pela primeira vez, sentiu escapar-lhe a alma pelo instante milagroso da oferta divina que se destina.


Por Luciano Melo

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pato Donald in question?

Por Ed Limas e José Luciano de Melo ( dois desocupados )


Por que o Pato Donald se enrola em uma toalha ao sair do banho? Sempre vejo ele nu da cintura para baixo nos desenhos.

Por que o Pato Donald foi mascote do Botafogo? Todos sabem que Donald é fanático por basquete e torce pelo Los Angeles Lakers.

Por que a irmã do Chico Buarque, Ana de Holanda foi escolhida para ser a nova ministra da Cultura? O Chico Buarque apoiou a Dilma com bastante Enfase.

Por que a Shakira estará no rock in Rio 4? O rebolado dela é rock n roll.

Se o Flamengo não é campeão brasileiro em 87, meu albúm de figurinhas é fake?

O que o Otto tem que eu não tenho?

Por que Mickey Mouse faz mais sucesso do que o Super Mouse?

Qual presente Madonna DARÁ para Jesus em seu aniversário?

Por que Tião Macalé não foi considerado o quinto trapalhão?

O que é mais escandaloso Galvão Bueno narrando jogo da seleção ou uma avestruz botando ovo?

Quem é mais pé frio Mick Jagger ou um esquimó?

Por que Laura Pausine vem sempre ao Brasil?

Por que criticam tanto o Berlusconi? Eu fico Puttin com isso.

Por que o ator Nicola Siri não fez sucesso na Itália?

Onde Belchior fará sua ceia de natal?

Por que meu primo adolescente se esconde no banheiro com revistinhas da Turma da Mônica teen?

Quem canta mais Fiuk ou Fábio Junior?

momento luto!!!
Pedimos um minuto de pausa na leitura, pois Dona Escolástica da Escolinha do Professor Raimundo fez a passagem, para os incautos... morreu mesmo!!! Em tempo é bom lembrar que o Ghost também morreu!!!

Por que todo chamava o Patrick Swayze de Ghost?

Por que o Chico Anysio empregou toda sua família na Globo? Onde está seu Boneco?

O que a Alessandra Negrine viu no Otto?

O centenário do Corinthians acabou?

A nova Ministra da Pesca, Ideli Salvatti sabe a diferença entre um Lambari e um Bagre, aliás pra que serve o Ministério da Pesca?

Onde está o cantor mirim Jordy?

Mais uma para o site que fim levou, onde está Teddy Boy Marino?

Por que o Babado Novo acabou?

Quem é mais indicado para dar palestras contra o alcool e as drogas, Ozzy Osbourne ou Keith Richards?

Encerramos por aqui, uma partida de playstation nos espera.


Não desejamos feliz natal, porque somos Judeus, assim como Woody Allen!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Chorando no campo

Ed Limas



Ontem após a derrota do meu time resolvi ouvir música!

"A chuva cai chorando
E o meu amor num vai e vem
No céu, no chão
A rede vai e vai levando
A noite além da noite
Me faz lembrar o que não vivi..." ( Lobão/Bernardo Vilhena )

Lobão é uma espécie da gênio não devidamente reconhecido, o carioca mais paulistano do Brasil é mais lembrado por suas frases e atitudes tresloucadas do que por sua escrita beat, poética e virulenta, que o diga o refrão: " Bangu 1 x polícia nada!"
Eu estava tomando cerveja e pensando em como seria bom meu time campeão, gritos, fogos e socos no ar... lindo. Mas nem tudo é como a gente quer, quero muitas coisas, quero muitos amores e gols, mas muitas vezes o que nos sobra é o sonho e a música.
Chorando no campo, assim muitos jogadores ficam quando a vitória não sorri, assim ficam torcedores que amam seus clubes.
A música estava combinando, chuvendo lá fora e meu time esperando para o ano que vem, quem sabe títulos? Quem sabe o rebaixamento?
Mas voltando ao Lobão, ele indiretamente me consolou com uma música, com sua arte, poesia que serve para estancar a dor.

"A chuva da saudade
de um lugar que eu nunca fui"

sábado, 4 de dezembro de 2010

Uma coisa é certa!

por Ed Limas





Uma coisa é certa não faltará mulher bonita na Copa de 2018, a Russia possui mulheres que tiram o folego de qualquer um, que o digam suas belas tenistas. Outra coisa é certa, em 2022 no Catar vai ter muita mulher coberta por véus e afins.


Mas a coisa mais certa de todas é que o dinheiro sempre falou mais alto na Fifa, Blatter é um cara louco por dinheiro e seus asseclas não ficam atrás.


Como seria legal uma Copa na Holanda e Bégica, uma se notabiliza pela liberdade e outra por suas cervejas artesanais!! Imagine mais uma Copa na terra dos Beatles e Stones, a pátria que inventou o futebol, mas poderia rolar também uma Copa na parte ibérica do globo, onde cidades como Barcelona, Sevila e Bilbao são de deixar a retina feliz com tanta beleza.


Eu estava lendo um texto do Rubem Alves ( gênio da raça / Escritor / educador ) que diz: " Os olhos são a janela do corpo". Para os executivos da Fifa "os bolsos são a porta de entrada da grana".


Sim, leitores a Russia tem uma história monumental nos campos político, cinematográfico e da literatura, porém creio que Blatter e sua turma basearam mais sua escolha nos novos ricos russos pós colapso do socialismo, do que em Máximo Gorki ou Encouraçado Potenkim.


O futebol não é mais o mesmo, mas sempre espero mais do mesmo!


No fim estaremos todos com as janelas do corpo bem abertas para ver o bom e velho futebol.


Morte ao futebol moderno e vida longa ao verdadeiro futebol, mesmo que ele esteja apenas na nostalgia do passado.



Gorki ( será que Blatter já leu alguma coisa dele? )


ps. leiam o romance "A mãe" de Máximo Gorki. ( chorei ao ler )

domingo, 21 de novembro de 2010

A periferia e a camisa 10

Por Ed Limas
Na periferia o povo ouve rock, não necessariamente rock, mas samba rock! Na periferia se come milho no pratinho e o churrasco pode ser literalmente de gato.
Na periferia a maioria é timão, mas tem tricolor, Santos, Palmeiras e mengão, na periferia o shortinho da menina é mais curto, tem piercing na barriga e malicia no olhar, na periferia o esporte é só futebol, se joga descalço, na quadra, na várzea, na rua... seja de dia e com luz do luar.
Na periferia táxi é lotação, na periferia toda música tem que ter refrão, na periferia todo mundo ajuda a encher a lage e depois o churrasco vai até mais tarde.
A periferia não é só cliche, só chegando lá pra entender, tem filosofo de boteco, garanhão de forró, rainha do funk e até punk sofrido. Assim é a periferia, onde os idolos são mais idolos, onde se encontra grafites com a cara do Senna, Ronaldo e Pelé, periferia onde se busca a fé na Igreja de crente e no candonblé.
O jovem na luta, mas as vezes ele perde, se vê cercado por drogas... Esculacho da polícia ou ilusão e a prisão, ruga na cara do pai e sofrimento da mãe... Periferia!!!
Periferia que intectual tenta entender, mas o povo só quer emprego, conforto e abrigo, periferia é "NóIS".
Tudo muda na periferia, tudo se transforma, mas o futebol continua forte e sempre será!!!
Seu Cipriano esta no boteco, faz zigue zague na rua, cambaleia e cai, levanta constrangido, mas feliz, pois sua camisa do Santos continua limpa! A camisa DEZ!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Paul MacCartney e o futebol


por Luciano Melo

Um beatle está entre nós. Parece bobagem, mas hoje Sir Paul divide conosco este mesmo ar embolorado e modorrento de final de tarde. Numa destas, na última quarta-feira, em meio a telefonemas e vodka com soda, há quem jure que MacCartney não desgrudou os olhos do clássico de Wembley, Inglaterra x França. Como onze em cada dez ingleses, ele é fanático por futebol.
Mas muita gente discorda. Brian Epstein, primeiro empresário dos Beatles, proibiu que o grupo declarasse em público seu time de coração, temendo que isso afastasse ou dividisse os fãs – só para se ter ideia da importância do futebol na Inglaterra. Por isso, muitas dúvidas surgem quando este assunto vem à tona: para quem os Beatles torciam?
Como não pretendo esgotar a discussão, minha intenção é apenas acalorar o debate, pôr mais uma dose de soda nesta vodka. Ou seria o contrário?
Nos anos 70, Paul MacCartney foi visto várias vezes em Anfield Road, estádio do Liverpool, acompanhando as partidas dos reds. Durante a década, o Liverpool FC foi uma verdadeira máquina de futebol: cinco títulos ingleses e bicampeão europeu. Paul aproveitou o embalo futebolístico dos reds na Europa e associou o clube à cidade natal da ex-banda, tentando provocar uma “febre beatlemaníaca” na carreira solo. Genial, não?
Contudo, oportunismos à parte, Paul MacCartney, influenciado pelo pai, é apaixonado pelo Everton FC, que diante do Liverpool FC constitui a maior rivalidade da cidade. Todo blues que se preza, tem a gravação não-oficial de Paul cantando o hino do Everton FC.
E quem explica o rosto de Albert Stubbins, astro do meio-campo do Liverpool FC, perdido entre celebridades na capa de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band? John Lennon. Em 2009, Pete Best, o baterista que perdeu o posto para Ringo Starr durante as gravações de Please Please Me, afirmou que Lennon, quando criança, tinha o sonho de atuar pelos reds. Era difícil não encontrar Lennon correndo atrás de uma bola pelas ruas esburacadas de Liverpool. Emblemática, diante disso tudo, a capa de Walls and Bridges (1974), pintada por Lennon em 1952, aos onze anos. Brian Phillips, biógrafo do ex-beatle, remete a pintura à decisão da Copa da Inglaterra de... 52, entre Newcastle e Arsenal. Interessante, não?

Já Ringo Starr é Arsenal FC, desde os tempos em que o padrasto viajava com o garoto para Londres e se juntava com os fanáticos gunners. O jovem Starkey sofria mesmo quando o Arsenal vinha até Liverpool enfrentar o Everton no Goodison Park, estádio dos blues. Fora ele e o padrasto, toda a família era torcedora do Everton.
E George Harrison? Ao que consta, não ligava para futebol. Era apaixonado por automobilismo. Quando questionado por sua paixão “clubística”, saía-se muito bem: “Em Liverpool, existem três times. Eu torço pelo terceiro”.

Para não dizer que não falei das flores: nosso quinto beatle é Best, mas não Pete, mas George.

George Best é Gênio da Raça. E é Morte ao Futebol Moderno.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Gênio da raça para Baco!!!!!

Por Ed Limas

Vou falar do ser que encarnou em gênios que curtiram a vida como ela deve ser curtida, sem limites e com alegria.
Mas o caminho da loucura termina na nostalgia, termina na solidão, na doença que é a ante sala da morte.
Falo dos loucos do futebol, dos insanos do rock n roll, de poetas, putas e loosers de plantão...
Baco o deus do sexo e bebedeira, falo dele, ser que se manifestou em George Best, Garrincha, Quarentinha e tantos outros no futebol, assim como buscou atanazar milhares de "bluesmans" e "rockers", tais quais Brian Jones dos Stones e Keith Moon do The Who!!!
As bacantes, banhos de vinho e gritos tribais anunciam que onde tem arte, mora a loucura!
Um brinde à loucura, ela é a razão abstrata!!!!


Ps. George Best afirmou que gastou muito dinheiro com carros, bebidas e mulheres, o resto ele desperdiçou... Craque rocker e louco, foi considerado o quinto beatle, brilhou no Manchester United e é norte irlândes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mike Tyson no Animal Planet



por Luciano Melo
*
Li nesta semana que o canal americano Animal Planet pretende lançar, nos próximos meses, um programa sobre o convívio humano com aves. Ora, o leitor perguntará, o que há de novidade nisso? Nada, meu caro, a não ser pela sondagem ao futuro apresentador:
Mike Tyson.
Natural, diria, depois assistir ao primoroso Tyson, de James Toback, documentário que causou frisson na última Mostra de Cinema de São Paulo. Em tom emocionado, Iron Mike deixa a voz embargada sumir várias vezes ao retomar sua trajetória de vida, principalmente ao falar de Cus D’Amato, seu mentor, o homem que forjou uma das duas maiores lendas da história do pugilismo. Ao lado, claro, de Mohamed Ali. Só para lembrar, Tyson não cita o trágico acidente com filha Exodus, então com apenas quatro anos, asfixiada acidentalmente com a correia de uma esteira, pois o documentário foi realizado meses antes ao fatídico episódio.
Toback faz o que nos acostumamos a ver no Ensaio, da TV Cultura. Tal qual Fernando Faro, o próprio diretor se encarrega na condução da entrevista, mas ocultando-se das lentes. Deste modo, o que temos é tão-somente o objeto do assunto - o entrevistado, fisgado em reações faciais, olhares desconexos ou agitações labiais. Mas são nos olhos o alvo da câmera reveladora de Toback: o diretor parece assumir a estratégia tysoniana intimidação ao oponente “tête-à-tête”. Em várias tomadas, durante a entrevista, diferentes ângulos do rosto do ex-boxeador dão a exata medida confessional da película: nada pode escapar ao espectador.
Em raras exceções de comoção, a voz infantilizada do campeão não para um instante. E aí se revela um Tyson escondido sob a carcaça de punhos devastadores. Diferente do que se possa imaginar, não se vitimiza em nada, como nas 38 passagens por internatos antes dos 16 anos, nas acusações (infundadas?) de estupro ou nos três anos na prisão. Apenas lamenta a falta de Cus D’Amato, o tutor. Como o próprio Tyson afirma, sua vida se divide entre antes e depois do título mundial de 1986. Para ele, a dívida com D’Amato, morto em 1985, estava paga. Bem como o período mais feliz da vida, ao seu lado. O que veio a seguir foram as consequências.
O início da carreira amadora foi meteórico. Os títulos de campeão olímpico de juniores em 81 e 82 e as medalhas de ouro nos sub-19 de 83 e 84 credenciavam Tyson como a principal estrela do boxe americano para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Mas uma “incrível” derrota para Henry Tillman o privou da chance de um ouro olímpico, o que acelerou o ingresso no profissionalismo, já no ano seguinte. Em 1987, enfrentou o mesmo Tillmann numa espécie de “revanche”, e não levou mais de trinta segundos para nocauteá-lo, ainda no primeiro assalto.
A cena relatada a seguir é cinematográfica. Em 22 de novembro de 1986, o dia do “antes e depois” na vida de Tyson, o jovem de 20 anos sofria de dores por conta de uma gonorreia contraída com prostitutas. Tremia e suava em bicas com uma febre de 34°. Mas estava no ringue, disputando o título do Conselho Mundial de Boxe, por Cus D’Amato. Até então, só por ele. E pelo homem que trespassou as cordas para cumprimentá-lo antes do combate.
Uma outra surpresa que Mike Tyson revela no documentário é seu profundo conhecimento de boxe. Enquanto morou na casa de D’Amato, assistiu diariamente a centenas de combates das décadas de 20, 30 e 40. Sabe de cor o cartel de Jack Johnson, George Dixon e Jack Dempsey. Sugou a “pegada” de Rocky Marciano, o olhar compenetrado de Jake LaMotta e a cintura de Joe Louis. Tyson pode travar uma discussão de horas entre Joe Frazer e George Foreman com uma naturalidade de um profundo especialista. Guardadas as proporções, está como Scorsese para o cinema.
Mas o homem que vinha ao seu ouvido naquele ringue era de quem sugara a personalidade: Mohamed Ali. O maior de todos. O mito. Um deus.
Como disse, a descrição é cinematográfica. Enquanto fala, as imagens mostram Ali se aproximando de Tyson, balbuciando alguma coisa. Sabemos hoje o que era: “Faça isso por mim.” Anos antes, em 1981, para saldar dívidas estratosféricas, Mohamed Ali encerrou a carreira contra o promissor Trevor Berbick, perdendo por decisão unânime dos juízes. O mesmo algoz, campeão do Conselho Mundial de Boxe, enfrentaria o prodígio do Brooklin, Mike Tyson.
E Tyson dedicou a luta para Mohamed Ali, nocauteando Berbick no 2° assalto. E tornou-se o campeão mundial dos pesos-pesados mais jovem de toda a história do boxe.
O resto da história, todos nós conhecemos.
Como esta luta, a cereja do bolo do documentário são os arquivos das lutas. Neles reparamos os punhos demolidores de Tyson – no qual ele insiste em todo o documentário: eram apenas técnica; o cruzado característico na nuca dos oponentes que desmanchava-os, derretia-os na lona; os olhos que atordoavam a presa, transformando o ringue numa jaula; ou seja, a história do boxe sintetizada em um único homem.
As imagens de arquivo são espetaculares. Lutas amadoras, pré-olímpicas, na casa e carregando o caixão de D’Amato, o início no profissionalismo, as épicas lutas contra Holyfield e Lennox Lewis e a assombrosa derrota para James Buster Douglas, no Japão. E o mesmo friozinho na barriga quando Tyson entrava no ginásio, desprovido do macacão, pronto para o combate? As músicas que ouvia nas ruas do Bronx eram escolhidas como pano de fundo para a aparição triunfal. Segundo ele, já se ganhava uma luta ali.
Ao contrário do que muitos acreditam, Tyson não era apenas um troglodita especializado em esmurrar adversários. Conhece e respeita a história de seu esporte como poucos, o que apenas comprova sua grandiosidade. Em 11 de junho de 2005, completamente fora de forma, foi nocauteado pelo inexpressivo irlandês Kevin McBride. Ainda no ringue, proferiu um dos maiores discursos da história do esporte. Vagamente, foi mais ou menos assim: ”Não posso seguir com isto. Não posso seguir me mentindo. Não vou seguir arruinando este esporte. Respeito a história do boxe e de quem a escreveu. Não posso manchá-la. Isso foi o que melhor fiz na vida e quero passar este ensinamento aos meus filhos. Só fiz a luta de hoje por dinheiro, não por paixão. E isso não se faz jamais na vida. É simplesmente meu final. Terminou-se".
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Ah, e o Animal Planet? Quando menino, Tyson era fissurado por pombos, como é até hoje pela vida dos bípedes de penas. Chegou a cometer pequenos delitos para comprar as aves que “trazem doenças” e que vivem de migalhas ofertadas. Tal qual a vida de Mike Tyson nas ruas do Bronx. Quiçá por isso se identificava tanto com pássaros. Numa certa feita, durante uma rinha com gangues inimigas, alguém decepou a cabeça de seu pombo e jogou-a em seus pés. Com doze anos, sem nunca ter brigado com ninguém, Tyson sentiu a ira correr pelas veias do corpo e alojar-se nas mãos. Socou ferozmente o garoto que assassinara seu pombo. E conheceu a si próprio.