quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Teoria do Medalhão


por Luciano Melo
Neste momento em que escrevo, Mano Menezes divulga a relação de convocados para os próximos amistosos da seleção brasileira, sem a presença de Neymar. Sem dúvida alguma, um erro crasso. Torna-se latente, com a exclusão na lista do jovem “monstro”, a intenção do treinador: um corporativismo tacanho com a classe de “técnicos” do país, como se mantivesse, em decorrência do lastimável episódio com Dorival Junior, a retidão da irmandade dos pares; e/ou uma sugestiva mea culpa perante a gente futebolista tupiniquim, desviando-se do foco de discussões acerca do fatídico caso envolvendo o craque santista. Como é bem provável que Neymar continue a envergar o manto canarinho durante muito tempo, quiçá culminando com seu auge técnico em 2014, é bom não nos esquecermos tão cedo deste “esquecimento” de seu nome. Paga-se com a exclusão o “desvio” de conduta de um jovem imaturo, em nome do status quo de ser bem quisto pelo público. Em outras palavras, hipocrisia. Mano Menezes reza na mesma cartilha da “teoria do medalhão”, um contemporâneo conto machadiano: tudo vale pelo brilho falso de uma joia.
É engraçado como, parodiando o velho Einstein, tudo nesta vida é relativo. O mesmo “monstro” Neymar, então com 14 anos, aliciado pelo mesmo empresário que quase o entregou ao Chelsea por milhões de euros russos de um certo Roman Abramovich (proibido de entrar na Rússia por lavagem de dinheiro público, tráfico de drogas e de armas), residiu com a família por três meses no Real Madrid, em processo de triagem. A proposta, irrisória comparada aos valores atuais oferecidos pelo clube inglês, incluía postos de trabalho para os familiares do jovem atleta no clube espanhol. O pai, por exemplo, durante a estadia do filho, limpava diariamente banheiros e corredores do Santiago Bernabéu.
Quem é o monstro mesmo?
Sem a mesma sorte de Neymar, anualmente centenas de adolescentes são lançados às masmorras do futebol mundo afora, esperando um dia serem “neymares”. Com propostas indecorosas (perdoe, leitor, o desgastado clichê), os bem-intencionados empresários seduzem os pais com eletrodomésticos ou um punhado de reais em troca de uma assinatura que garanta a “posse” do menino em futuras negociações, respaldando-os em jurisprudência quanto aos valores de contratos, salários e porcentagens nos passes dos jovens atletas, que mais parecem fatias de um mesmo bolo - amargo por sinal. Tenha a certeza de que a cereja nunca fica com o menino. Nem mesmo o primeiro pedaço.
Muitos se perdem nos confins do Leste Europeu, Oriente Médio e Ásia. Sem dinheiro para voltar (e com muita sorte), conseguem uma miserável ocupação. Tornam-se estrangeiros sem visto de trabalho ou de estudos. Clandestinos, na pior acepção do termo. O sonho e o futuro se desmoronam, tal qual a estrutura familiar. Num passe de magia macabra, passam de “neymares” a “jeancharles”. E quem os protege? A CBF? Não, está muito ocupada com os lucros da Copa-2014. A mesma que muito provável Neymar estará, alimentando o sonho de milhares de meninos, como ele ainda o é. Mesmo que excluído temporariamente da seleção.
E o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)? Não deveria protegê-los? O zelo, o respeito à integridade física e moral passam ao largo dos porões, ou melhor, vestiários dos clubes brasileiros. Jogam-se fora os artigos 17°, 18°, 19°, 60°, 62° etc., a todo instante, sem nenhum receio. Hoje, quantos Neymares e Gansos estão enfurnados em unidades da Fundação Casa (ex-Febem), abrigos, orfanatos ou nas próprias ruas, sem ninguém para lhes dizer da liberdade que cada um constrói para sua própria vida?
Mais fácil é afirmar que “estamos criando monstros”, como esbravejou Renê Simões. Mas não vi tamanha veemência verborrágica quando o mesmo treinador, vice-campeão olímpico de futebol feminino, proferiu um discurso emocionado e claudicante após a final nas Olimpíadas. Não seria uma boa hora de apontar os monstros que administram nosso esporte e que não proporcionam uma estrutura decente de prática do futebol para as meninas? Será que nenhuma mazela encontrou durante o período que foi funcionário da CBF? Ou será que não existem monstros por lá?
Caro Renê, garanto que disgnosticar o esqueleto que gera um “menino-monstro” no futebol é bem mais fácil que levar a Jamaica para uma Copa do Mundo, como fez em 1998. Por que não faz, então? Conivência? Status quo? Ou é a garantia do brilho no medalhão?
Neymar não é culpado, nem inocente. É uma das pontas frágeis de um sistema que adoça tudo o que promover o lucro no futebol. Neymar não derruba ninguém, não é dono de nada - e nem se quisesse poderia ser. Seu talento é mínimo diante de tantos interesses. É apenas um palhacinho no picadeiro.
Por isso, Neymar, faça o que der na telha. O circo não é seu. Mas o espetáculo é.
***
No conto A Teoria do Medalhão, do bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis, um pai recomenda uma série de “atributos” para que seu filho, prestes a completar vinte e dois anos, ingresse no mundo adulto com brilho, mesmo que seja o de um medalhão. O final é saborosíssimo: “Rumina bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale O Príncipe, de Maquiavel. Vamos dormir.”
***
(Estatuto da Criança e do Adolescente)
Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro:
Pena - reclusão de quatro a seis anos, e multa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Olhar azul e outros baratos

A bela atriz italiana Virna Lisa possui uma beleza arrebatadora, aquele tipo de beleza que ofusca o olhar, um ser que você julga impossível tocar!!! Em contra partida a atriz italiana Claudia Cardinale é um sublime convite ao prazer, esta deusa cheira a sexo, é o tipo de mulher que você se imagina trocando fluidos em qualquer banheiro de rodoviária!!!
Duas atrizes hoje já veteranas, mas quem enfeitiçaram o mundo há algumas décadas, dois tipos de beleza inebriantes. E você se pergunta por que este maluco esta escrevendo isso?!
Explico... O futebol nos oferece os mais variados tipos de beleza, seja através do futebol samba nostalgia praticado pela seleção brazuca de 82, ou a beleza maravilhosamente mecânica e rocker da Holanda de 74. A beleza esta ai, em tudo, basta prestarmos atenção. Ontem me vi perdido no olhar azul de uma amiga, fiquei imaginando mergulhos acrobáticos naquele olhar oceano, as lágrimas não eram azuis, mas caiam limpadas e me convidavam para o abraço, nada como abraçar uma bela amiga!!!!!
Nada como ter a nostalgia do que não vive, eu não era vivo em 74 e um pirralhinho em 82, mas as recordações estão aqui, eu estava lá!!!

Que abraço!!!!!!

Por Ed Limas

domingo, 29 de agosto de 2010

Cada um com o seu cinema

por Luciano Melo
*
Há algum tempo assisti à entrevista de David Lynch no programa Roda Viva (TV Cultura). A maior parte das perguntas versava sobre meditação, assunto pelo qual o cineasta tem feito seu “carro-chefe” nestes últimos anos. Desde que começou a se aprofundar nos caminhos do mantra, considerável parcela de suas palestras e entrevistas é reservada, com certo empreendedorismo, à causa da harmonização mental e aos avanços biocientíficos que a medicina começa a absorver através do poder da concentração mediúnica.
E conversa vai, conversa vem, e nada de falar de cinema. Não que o assunto sobre os benefícios arraigados pela mente seja desprezível ou aporrinhador, mas quem (como eu) esperava uma boa conversa sobre a sétima arte, ficou um pouco frustrado. Lá pelas tantas, depois de quase uma hora de “meditação”, as perguntas foram tomando o rumo dos filmes, do processo criativo, do roteiro e da montagem, e aí o bate-papo ficou um pouco mais interessante. Um pouco.
Das poucas palavras tratadas sobre cinema, dois assuntos aguçaram minha atenção. Um dos entrevistadores pergunta sobre a importância do sonho na filmografia do diretor. Curiosamente, as duas únicas películas que assisti até agora de David Lynch são Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos! A recorrência do devaneio e da ilusão na obra de David Lynch é tão freqüente quanto Nova York para Scorsese (que, aliás, é o outro assunto que trataremos adiante). Diante da obviedade do tema, o cineasta revelou o que parece ser o encaixe no buraco da fechadura: “não trato do sonho, mas de uma realidade paralela”. Para o diretor, o cinema seria uma espécie de portal entre um plano sinestésico, táctil, e outro no qual as impressões adquiridas daquele estão sobrepostas por uma espécie de redoma de signos e símbolos. Qual seria, portanto, a verdadeira realidade? Para o cineasta, não há resposta. E é dispensável dizer que a conversa caiu de novo para a meditação.
Num outro instante, David Lynch é questionado sobre quais filmes ou diretores que mais chamaram a atenção do cineasta nestes últimos anos: “Não tenho muito tempo para acompanhar as recentes produções”, afirma. Mas, além de um iraniano que nunca ouvi falar, Almodóvar é uma das figuras “recentes” que mais chama atenção de Lynch. Quando o assunto parecia murchar e voltar aos benefícios do alcance do nirvana, o entrevistado dispara: “Aliás, não sei como o Scorsese consegue assistir a tudo aquilo que ele diz”. Deboche? Inveja? Ego insuflado? Não sei, mas que ficou estranho, ah, isso ficou.
David Lynch não é apenas um diretor de cinema. É um artesão na concepção da palavra. Artista plástico, compositor e escultor são algumas das atividades que compõem, junto à direção cinematográfica, o exercício que Lynch procura ofertar em sua peculiar linguagem. A película torna-se uma manifestação estética daquela já citada realidade paralela que tanto persegue o cineasta, imbricada em uma série de labirintos visuais que tanto abusam do juízo do espectador.
Já Martin Scorsese cheira a rolo de 35 mm. É andar por Manhattan ou pelos becos escuros do Harlem e se deparar com personagens de Taxi Driver. Se o alvo de Lynch é a realidade sobreposta à realidade, o de Scorsese desliza pelos acordes de um negro de New Orleans, escorrega pela garganta rouca de Dylan e até ziguezagueia entre Stones.
Se David Lynch parece estar indiferente ao que vão falar em cada estréia, pois sua mira não aponta para isso (?), Martin Scorsese sabe que é fundamental estar à deriva de tudo. É homem de festivais e de circuitos, do “mainstream” do cinema. Pode não assistir a tudo, mas sabe que é preciso sempre ter algo a dizer. E cada um no seu cinema.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ronaldo, barriga e a hipocrisia

A busca do corpo perfeito é o novo cálice perseguido, todos querem ter gordura zero, a barriga tanquinho é o novo olimpo a ser alcançado por diversos seres que apregoam que a estética é tudo.
Ronaldo um dos últimos gênios que desafiam a lógica do tempo e dos corpos perfeitos é alvo de galhofas e chacotas, apenas por ter uma barriguinha "choppistica". Sinceramente deixem o gênio em paz, nosso herói não merece ser alvo de tantos ataques!!!
O teoricos e intelectuais da bola de plantão apregoam que Ronaldo não tem físico de atleta e blá,blá,blá... Honestamente que se dane a lógica abstrata destes insensíveis, pois uns quilos a mais não é crime. Haja visto o comentarista da Bandeirantes e ex craque do timão, Neto, que sempre desfilou sua arte e gordura pelos campos do Brasil. Neto esqueceu seu passado é vive a pegar no pé e na barriga de Ronaldo, hipocrosia no mundo do futebol é mato.
Viva a barriga de chopp, aliás sou um representante nato da turma de Ronaldo, pois cultivo minha barriga de chopp com todo orgulho.

ps. Deu na internet que o grande ator americano Johny Deppy sonha em se aposentar e cultivar uma enorme barriga de cerveja! UM tipico sonho rock n roll!!!

Por Ed Limas

sábado, 7 de agosto de 2010

O Crack

Por Ed Limas


Jobson e a metamorfose

Ele já foi parte do crack e hoje é o craque!!!

O sagaz atacante botafoguense foi suspenso por 6 meses por possuir um intimo contato com o crack, a droga do diabo. O crack é bomba atômica que faz de seu cérebro uma Hiroshima arrasada, sua mente sofre uma lobotomia e fica pedindo mais e mais... mais crack, mais crack...
E a torcida do Botafogo grita pelo craque, o menino da periferia de Brasilia, o garota da cidade satélite que hoje vê seus gols transmitidos via satélite para o mundo.
Sua trilha sonora não é Plebe Rube ou Legião, é o Gog, menestrel da periferia de Brasilia, Jobson não é do plano piloto, é mais um garoto que provou a viagem das drogas.
Agora Jobson através de seus gols esquece a viagem do crack, tenta viajar nos sonhos de brilhar tal qual Quarentina, Heleno de Freitas e um certo Mané!!!
O Botafogo é o time mais morte ao futebol moderno do momento, lá tem Loco Abreu, Joel Santana e Jobson.
Brasilia é a capital do poder e das diferenças, onde se é milionário no Iate em Paranoá e se é pobre e descalço nas cidades satélites banhadas pelo esgoto a céu aberto.
Jobson saiu destas ruas e tal qual George Best se viciou, agora seu vicio é o gol.
Boa sorte Jobson! boa sorte Fogão!!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sensacional entrevista com Polvo Paul

Por Ed Limas ( não sou apenas um reporter investigativo, também já fui investigado )


Morte ao futebol moderno: Como conseguiu tantos acertos em relação aos resultados na Copa da África?

Polvo Paul: Olha meu filho, tenho ouvido muita bobagem, tem gente dizendo que sou reencarnação do Nostradamus, não tem fundamento tal informação, é apenas "feeling".

Morte ao Futebol moderno: Vc torceu pra alguma seleção?

Polvo Paul:Resido na Alemanha, mas como é de conhecimento público sou inglês, meu nome é uma singela homenagem ao Beatle Paul. Torci para a Inglaterra, mas muito chateado quando descobri que o English team perderia para a Alemanha.

Morte ao futebol moderno: qual seu time de Futebol?

Polvo Paul: Liverpool

Morte ao futebol moderno: Uma pessoa que te inspira?

Polvo Paul: O presidente Lula e Lula Molusco do Bob Sponja

Morte ao Futebol moderno: Um perfume

Polvo Paul: Acqua di Fiori

Morte ao futebol moderno: Um lugar

Polvo Paul: Veneza

Morte ao futebol moderno: Mande uma mensagem aos brasileiros e adiante algumas previsões, a próxima copa será aqui.

Polvo Paul: Em 2014 não estarei vivo, minha espécie só vive 5 anos, é triste, mas tenho que encarar a realidade.
Não quero prever nada no momento, trabalhei muito nos últimos dias. Gosto muito do Brasil, um abraço à todos.

Morte ao Futebol moderno: Obrigado Polvo! O povo te adora!!!!!


Tal entrevista só foi possível graças ao empenho do Aquamen ( herói marinho da DC comics ), ele fez a tradução.
Muito obrigado a todos, trata-se de um grande furo de reportagem, tentei contato com o Periquito de Cingapura, porém seu dono assegura que o mesmo esta em depressão por ter errado sua previsão em relação a final da Copa!

Arriba Espanha! O time que lembra o Brasil de outrora e o Barça de hoje!

domingo, 11 de julho de 2010

A Holanda de Cruyff é campeã (não, não estou louco)!


por Luciano Melo
*
Tente imaginar quando surgiu a Espanha campeã mundial de 2010. Certamente não foi há um mês, quando teve início a Copa do Mundo, ou ano passado, durante as Eliminatórias européias. Convido a você retroceder no curso da história para entendermos a gênese deste título espanhol.
O Barcelona, campeão europeu e mundial da temporada 2008-09, que derrotou o poderoso Manchester United no estádio Olímpico de Roma contava com Pique, Puyol, Busquets, Xavi, Iniesta e Pedro, ou seja, a formação da base titular campeã na África-2010. Assistir ao Barcelona ou à Espanha atuar é presenciar um sistema de jogo idêntico, que privilegia a posse de bola, a marcação sob pressão e a troca de passe fulminante, envolvente, encaixotando o adversário em seu campo defensivo. Assim o clube catalão encanta o mundo há décadas e carrega uma legião de admiradores do futebol ao redor do planeta.
Este mesmo Barcelona, chamado pelos espanhóis como “uma alegre máquina de guerra”, também foi a base da seleção campeã da Euro-2008 que, segundo Tostão, era melhor time que o atual. Aquele time de Luis Aragónes jogava num 4-3-1-2, com a linha ofensiva formada por Fábregas ( o tal do “1”), Fernando Torres e Villa. A equipe teve o melhor ataque da competição e, a partir de então, credenciou-se como uma das principais favoritas à conquista da Copa na África. Já com o atual Vicente del Bosque, a Espanha perdeu poderio ofensivo (é o campeão mundial de pior ataque de todos os tempos), mas ganhou solidez defensiva. Fábregas foi trocado pelo volante Xavi Alonso e o papel de “amarrar” a defesa com o ataque passou a ser revezado com maestria entre Xavi e Iniesta, como fazem no clube catalão.
Mas foi justamente na “destroca” audaciosa de Alonso por Fábregas na final de hoje que o destino sorriu para a Espanha. O meia do Arsenal encorpou com qualidade o meio de campo e, depois de receber a bola de “Niño” Torres, com um passe açucaradíssimo, deixou Iniesta escrever mais um capítulo na história do futebol. Tostão tinha razão.
Com esta mudança, a prorrogação foi massacrante para a Holanda. Bosque apostou no mesmo trio ofensivo de 2008, recuando Xavi e Iniesta para a intermediária ofensiva e desenhando um ataque com Torres “fixo” e Fábregas e Navas intercalando-se nas pontas. Nada menos que cinco jogadores trocando passes no campo holandês! Era mesmo impossível segurar.
Este mesmo gol histórico de hoje lembra o não menos emblemático do Barcelona pela semifinal da Liga dos Campeões do ano passado, contra o Chelsea, em Stamford Bridge. A construção da jogada é idêntica, com o time catalão encurralando o londrino em seu próprio campo: o “fixo” Eto’o rola a bola para Messi que, justificando o papel de Fábregas na decisão da Copa, encontra Iniesta, livre de marcação, para fuzilar o gol inglês aos 83 minutos de partida. Tal qual o meia fez nesta tarde. Por isso, Iniesta foi “o cara” desta final!
A Espanha de Vicente del Bosque na prorrogação foi o atual Barcelona de Guardiola. A troca incessante de posições na intermediária ofensiva e a constante mobilidade da bola até achar a melhor probabilidade de acerto no gol tornam estas equipes quase insuperáveis, mesmo quando bem marcadas. Como firmou em sua apresentação como técnico do clube, substituindo o cracaço holandês Frank Rijkaard, Guardiola remeteu o futuro do Barcelona à mesma estrutura tática do começo da década de 90 (3-4-3), quando ainda atleta do técnico Cruyff. Aquele time dispunha do mesmo trio ofensivo – Stoichkov, Salinas e Laudrup. A diferença esta no meio, formado por um losango, diferente do 4-4-2 campeão mundial desta Copa. Guardiola era quase um “líbero”, protegendo os três zagueiros quando atacados, cobrindo as descidas alternadas dos laterais e, pela apurada técnica, distribuindo com competência a saída de bola para os meias. Esta, portanto, ideologia esfuziante de jogo da campeã seleção espanhola encontra ecos naquele “longínquo” Barcelona de 90, espelho para o atual técnico catalão. Porém a chave está na Holanda. Não a pragmática de Heitinga, Mathijsen e De Jong. Mas a de Rinus Michels e Cruyff.
O Barcelona trouxe a cabeça e o artista daquele Ajax multicampeão europeu de 1971, 72 e 73. Como já tratei no texto “Futebol liberal” (01.07.10), o sêmen do futebol que revolucionaria a história do esporte na Copa de 74 estava no reflexo da mentalidade progressiva do cidadão holandês da época. Uma organização tática de cooperação mútua e ordenada, defensiva e ofensivamente. Implantando tal sistema (de jogo?) (de pensamento?), o Barcelona saiu de uma escassez de 13 anos e foi o campeão espanhol de 1974, revelando ao mundo o futebol genial de Cruyff e garantindo - apenas um mês antes – o cargo de técnico da seleção para Rinus Michels. Graças àquele Barcelona, temos hoje o marco do “Carrossel holandês”, da “Laranja Mecânica”. E, para ser justo, se hoje a Catalunha está mais para a Holanda do que para a Espanha, é por inteira responsabilidade de Cruyff e Michels. O futebol agradece.
Assim, “De volta para o futuro”, a Espanha campeã do mundo de 2010 surgiu há 37 anos, quando lá desembarcaram estes maravilhosos holandeses. Por isso, nacionalidades à parte, ouso dizer: a Holanda de Cruyff é campeã!
PS – A foto (Falcão-82) de Iniesta comemorando o histórico gol traz o seguinte texto grafado na camisa: “Dani Jarque sempre conosco”. Dani morreu de parada cardíaca no ano passado, enquanto falava com a noiva pelo telefone. Capitão do Espanyol, rival do Barcelona na Catalunha, teve seu justo reconhecimento num momento crucial da história esportiva de seu país.
A poesia ainda existe!

domingo, 4 de julho de 2010

Maldito Lazaroni


por Claudio Domingos Fernandes

As mulheres preparam a feijoada. Vó Conceição pica a couve enquanto lembra que ao vô fazia gosto a couve refogada em banha de porco acompanhada de torresmo. “hoje, dizia ela, tudo faz mal. Mal faz vê estas meninas todas magricelas”. Tia Alzira, que se diz vegetariana, e prepara sua salada, apenas ouve. Ela não ousa, por respeito, contrariar a matrona. O pai e os tios jogam palitinho e tomam cerveja. O primo Roberto liga a vitrola e Bezerra da Silva toma o ambiente. Prima Adelaide chega com o namorado, o que deixa tio Afonso incomodado: “este bosta tinha que vir”, pensou. “Aproveita que chegou, e faz alguma coisa: ajuda Rodrigo a preparar a caipirinha”, logo ordenou. Chega também tia Melissa com seus doces de coco e leite, acompanhada dos primos Marcelo e Thiago. “E o Rubens? Não vem?” pergunta o pai. “Ele faz plantão, mas para hora do jogo ele chega”. Respondeu tia Melissa. Por fim, tio Osmar, tia Zulmira e a prima Adriane, também chegam. Adriane, das primas, era a mais bonita e a mais... Negra esguia, corpo se formando esplêndido, sensual. Era de tirar o sono. Outro dia, estando em sua casa, indo ao banheiro, ao levar a mão à maçaneta, a porta se abriu. Ela envolta em toalha, saia do banho. Encabulei-me. Ela apenas sorriu e dirigiu-se ao quarto. Saindo do banheiro, percebi a porta do quarto entre aberta. Titubeei, mas não resisti, finquei olho à fresta. Não se via muito. Era o paraíso. Ajustava o sutiã aos pequenos e arredondados seios. Caminhou de onde estava para um outro canto do quarto, ainda sem calcinha, pude ver um volumezinho de pelugem. Minutos depois, voltando para o posto anterior, já vestia um shorts e o mesmo top amarelo com sobre esta bruzinha verde. De repente, olhou para a porta e franziu a testa desconfiada de alguma coisa. Num salto ganhei a porta do corredor. “Nossa Felipe, estás pálido! Você está bem?” Indagou tia Zulmira. Suando frio, balbuciei alguma coisa... Durante o almoço todos confiantes. Embora jogando feio, a partida estava ganha. O pai prometera para a final duas caixas de cervejas. Tia Zulmira propôs que fossemos para a casa de praia... Depois daquele dia, diante de Adriane me encabulava, ficava sem jeito. Seu sorriso me confundia... O jogo é tenso, amarrado, a seleção é apática, o jogo não flui... “Este é o pior time que já vi”, exclama o pai. “É este maldito esquema 3-5-2 do Lazaroni que nos emperra”, emenda tio Osmar. Adriane, angustiada sai. Sento em seu lugar. Ainda quente conserva um pouco de seu calor. E este calor parte dela invade-me, provocando em mim indisfarçável ereção. Sorte estarem todos, tensos e aflitos diante da televisão. Extasiado, não percebia o desanimo que tomava conta do ambiente. Caniggia abria o placar, faltando menos de dez minutos para terminar a partida... Adriane me abraça e chora copiosamente. Afago tua cabeça em meus ombros, acaricio sua cabeça, enxugo suas lagrimas, aperto seu corpo ao meu. “Maldito Lazorini: Deus te abençoe!”

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O mundo é celeste

Um pais que carrega a alcunha de República Oriental do Uruguai e se localiza no extremo ocidente do mundo não poderia deixar de ser interessante, seu Presidente é um guerrilheiro que enfrentou a ditadura militar com unhas dentes e uma arma na mão, este é o pais celeste!
Três milhões de corações batendo, um pais pequeno e triste ( mas hoje é felicidade ), a pátria em que Drumond adoraria ter como morada em seus derradeiros dias, o lugar onde cada esquina evoca uma melancólica música de RADIOHEAD, este é o pais celeste.
O pais que Gardel nasceu, mas a Argentina tomou, a nação do lado esquerdo do prata, o lugar que ousa se dizer Suiça do sul, mas não tem tanta grana, mas em matéria de gana ( opa Gana!!! )...
Hoje vi A HISTÓRIA acontecer, desde 50 o Uruguai não é tão celeste e direto do céu Barbosa vocifera: " Eles são os celestes".
Nada é mais "morte ao futebol moderno" do que a celeste olimpica!!!!
No jogo da década vi a mãe África sofrer com Gana, com lágrimas sinceras de dor, mas a celeste é a história que pulsa, é Gighia, Ancheta, Francescoli, Eduardo Galeano, Jorge Drexler e até mesmo Belchior.
Agora sou celeste, sem deixar de ser canarinho!!!!!

Ed Limas



Ref. jogo Uruguai 1 x Gana 1 ( deu Uruguai nos penaltis )
Arriba Uruguai!!!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O futebol liberal


por Luciano Melo
*
Futebol total. Carrossel holandês. Laranja Mecânica. Assim ficou conhecida a maior revolução futebolística de todos os tempos, a seleção da Holanda que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Foi o início de uma nova maneira de ler um jogo de futebol, não entre compartimentos estanques entre “defesa” e “ataque”, mas sistemas “defensivo” e “ofensivo”. Em outras palavras: adequação e competência tática aplicadas às variações de uma partida.
Talvez devêssemos ler o futebol – e todo o universo que o integra – como uma metáfora social orgânica, vinculando a ideologia aplicada a determinado sistema de jogo ao “modus operandi” de um pensamento sócio-histórico vigente. Quem sabe a provocação esteja em posicionar-se diante de uma disputa esportiva não apenas pelo viés lúdico, como uma “caixinha de surpresas” e não restringindo o exame a tão somente resultados, mas de organização estratégica, princípios de ordenação social. Quiçá seja este novo olhar para a prática do futebol que a equipe holandesa trouxe ao espectador.
Em 1972, a Holanda, sob governo esquerdista-liberal, promove o relatório da Comissão Baan em que se baliza as drogas “pesadas” (heroína, cocaína, morfina) e as “leves” (como a maconha), permitindo que estas fossem comercializadas em pontos de coffe-shops. A aquisição dos entorpecentes é igualitária, sem restrições judiciais. O consumo legalizado é a afirmação da sociedade holandesa cônscia do livre-arbítrio individual em razão da sintaxe coletiva. O pilar desta convivência resulta, portanto, no pluralismo de ideias que tece e caracteriza o cidadão holandês, como a regulamentação jurídica da prostituição e a união civil de homossexuais.
O convívio social holandês então pauta-se, desde a década de 70 (precisamente 1967, com a vitória da esquerda do “Democratas 66”), na funcionalidade de regras que proporcionam a liberdade do indivíduo como força-motriz de harmonia e tolerância sociais. Tal qual a Holanda-74.
Na verdade, o time holandês que assombrou o mundo já sinalizava sua eficiência em anos anteriores. O Ajax do futuro técnico da seleção, Rinus Michels, e do gênio Johannes Cruyff era a base que encantaria os solos alemães. O termo “futebol total” surgiu em 1967 (coincidência, não?) depois de 5 x 1 da equipe holandesa no poderoso Liverpool, da Inglaterra. O polimento de um sistema tático que não estagnava posições em campo comprovou o poderio do Ajax nas conquistas da Liga dos Campeões de 1971, 1972 e 1973 (este também ano do Mundial Interclubes). Não é dispendioso relacionar uma organização tática ordenada em que todos cooperam entre si, defensiva e ofensivamente, com o alvedrio coletivo da sociedade holandesa da época. Como o “futebol total”, a “liberdade total” também se estreitou na leitura futebolística e social do caso holandês. Retomo a provocação citada anteriormente: seria possível descartar da leitura de um fato esportivo a estrutura social que alicerça determinado acontecimento? Tratando-se do nosso objeto de análise, sem a abertura de leis que privilegiavam o livre-arbítrio em prol do objetivo coletivo, poderíamos imaginar um grupo de atletas dispostos a encarnar o espírito da solidariedade mútua, de contribuição e ocupação de espaços visando plenitudes defensiva e ofensiva, sem já vivenciarem tal modo de convivência em seu cotidiano? Tenho sérias dúvidas.
Este texto continua...
Já avanço a madrugada e gostaria ainda de tratar de tanta coisa. Revi os compactos da campanha da Holanda-74 e são primores, genuínas aulas da prática do futebol. Diante do futebol sul-americano, estraçalharam o Uruguai na estreia num “enganoso” 2x0, fizeram 4x0 na Argentina, no que é considerado o melhor primeiro tempo da história das Copas, e simplesmente atropelaram o Brasil em 2x0, numa carnificina dos brasileiros contra os holandeses, comprovando a superioridade tática, técnica e intelectual do “Carrossel”. Mas estou morrendo de sono e preciso dormir um pouco.
Até porque, daqui a poucas horas, Brasil e Holanda jogam pelas quartas-de-final da Copa
E nem eu e nem você queremos perder o jogo, certo?


domingo, 27 de junho de 2010

O homem de Cabobló

Mais triste que um cantor de blues, meu vizinho britânico nascido em Cabobló, que atende pela alcunha José Cipriano se vê triste sem o english team na copa. Eis que a Alemanha jogou um futebol bonito, alá Holanda e Brasil nos aúreos tempos de outrora e eliminou da copa o time da rainha.
Cipriano com sua camisa do "Lampadi" esta triste, mais inglês do qualquer inglês, vocifera contra a arbitragem e profetiza: " Em 2014 vai dar pra nóis".
Porém Cipriano se naturalizou de maneira relâmpago e após a eliminação britânica foi visto com uma camisa da seleção de Gana.
"Olhe seu moço agora torço pros negão", assegura Cipriano.~

Ed Limas

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Durban, ponte do Atlântico


por Luciano Melo
*
Quis o fado que Portugal e Brasil cruzassem seus caminhos na litorânea Durban, avistada pela expedição "lusíada" de Vasco da Gama em 1497 e cidade na qual Fernando Pessoa morou dos dez aos dezessete anos, acompanhando a família na estadia de cônsul do padastro João Miguel Rosa, recém-casado com a mãe do poeta, Maria Madalena Pinheiro Nogueira Pessoa. A cerimônia matrimonial dos dois ocorreu por procuração, pois o noivo já residia em solo africano, exercendo suas funções no consulado. Henrique Rosa, irmão de João Miguel, substituiu o irmão no casamento.

Pessoa, então com oito anos, é matriculado em 1896 no convento de West Street, onde aprende as primeiras lições da língua anglo-saxônica. Dois anos mais tarde, na High School, já escreve com fluência poesias em francês. Em 1903, aos treze, é profundo conhecedor de Byron, Milton, Shelley, Keats e Edgar Allan Poe. Neste ano escreve ensaio científico para exame de admissão na Universidade do Cabo. Como reconhecimento ao mérito, recebe o Prêmio Rainha Vitória.
No entanto, se há um abismo de mistérios entre o céu e a terra em nossa vã filosofia, reservou o fado que sua vaga fosse preterida a um esforçado estudante inglês de pele rosada.
Assim quiseram os Deuses.
Em 1905, matricula-se no Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa. Conhece a fundo Baudelaire e, principalmente, Cesário Verde. Abandona o curso dois anos mais tarde, após uma greve de estudantes contrários às medidas do reitor João Franco.
Mas para nunca mais a língua portuguesa.
Quiseram assim os Deuses e o fado.
Obrigado, querida Durban!
Durban, hoje ponte do Atlântico entre o Criador e a Criatura!

domingo, 20 de junho de 2010

Dia de jogo

por Claudio Domingos Fernandes
*
Numa parede ao fundo do bar se encontra emoldurados o pôster da seleção de 82, uma camisa da seleção brasileira número 10 e uma foto de um grupo de pirralhos postados como jogadores de futebol. Entre as molduras uma gasta bola de capotão... Gilberto ganhara uma bola de borracha dos avôs. Nos fins de tarde, depois da escola, jogávamos na rua de cascalho. Um dia apanhamos as enxadas de nossos pais e limpamos um pedaço de terreno próximo de nossas casas. Depois, com varas de bambus que nossas mães utilizavam para suspender roupas no varal improvisamos as traves. Eu sempre era um dos últimos a serem escolhidos e geralmente me colocavam no gol. Mas de todas as brincadeiras de infância, apenas policia e ladrão superava o gosto por futebol. Entre nós, o mais velho deveria ter 11 anos. A bola de Gilberto, de pelada em pelada, consumiu-se e num chute do Rodrigo rasgou-se em duas. Cabisbaixos, sentados à beira de nosso “Camp Nou”, notamos uma senhora transportando num carrinho de mão garrafas, caixas de papelão e vasilhas de alumínio. Foi então que nos veio idéia de juntarmos “ferro velho” e compramos uma bola nova de capotão. Primeiro, então, fizemos uma limpa em nossas casas. Ao final do dia, o que tínhamos mal dava para comprar uma Dente de Leite. Resolvemos, então, que no dia seguinte ao virmos da escola, vasculharíamos as lixeiras das casas,e recolheríamos tudo o que fosse útil à nossa empreitada . Aquele que mais recolhesse “ferro velho” teria o direito de ficar primeiro com a bola por uma semana. Zico (como chamávamos o Pedro Augusto) teve a idéia de ir procurar num terreno abandonado que as pessoas faziam de depósito de lixo. Na hora em que marcamos para contabilizar o que havíamos recolhido ele não apareceu, mas não demos caso. Somente no dia seguinte, quando a professora quis saber se alguém o havia visto, pois a mãe estava desesperada à sua procura é que lembramos dele ter comentado, no recreio, do tal terreno. O fato é que Zico, entusiasmado e distraído com o que recolhera, acabou por cair em um poço. O acidente resultou a Zico três meses de perna engessada. Nós compramos a bola e com o que sobrou, demos a ele um pôster da seleção de 1982 e uma camisa com o número dez. Nosso Camp Nou tornou-se uma auto-mecânica que o Gilberto batizou de Auto Mecânica “Mestre Telê”. E o terreno baldio é hoje a “Toca do Zico”, onde nos encontramos toda vez que a Seleção joga.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Lágrimas de Jong

Por Ed Limas
Troféu gênio da raça na copa

Lágrimas de Jong

Jong Tae-Se foi protagonista do momento mais arrepiante e bonito da Copa do Mundo até agora!
O atacante da Coréia do Norte ao ouvir o hino da pátria que escolheu ( nosso herói nasceu no Japão ) derramou lágrimas e emocionou. É morte ao futebol moderno, isto é ser amador no sentido literal da palavra, palavra esta que deriva de amor. Jong Tae-Se ama o que faz!!!
A Coréia do Norte é o do tipo do país que não possui revistas masculinas amostra nas bancas, trata-se de uma pátria que se diz comunista, porém sabemos que é uma ditadura mesmo!
Em uma copa onde o marketing se faz presente em tudo, enclusive na bola, haja vista as declarações de jogadores patrocinados pela Nike contrários a bola Jabulani da Adidas, ver alguém derramar lágrimas ao ouvir um hino nacional nos mostra que nem tudo esta perdido.
Fiquei feliz ao ver essas lágrimas, até agora o craque da copa é Jong Tae-Se! Não prego o patriotismo piegas de Galvão Bueno ( Cala a boca Galvão ), mas prego e procuro o futebol poesia.
A poesia aparece raramente e já deu o ar da graça em várias copas, seja no gol de Paulo Roberto Falcão contra a Itália em 1982 ou na fúria de Maradona ao comemorar seu derradeiro gol em copas em 1994 contra a Grécia. Continuo a procura da poesia no futebol, com certeza esta copa nos apresentará momentos poéticos e o craque coreano Jong me brindou com suas lágrimas ao ouvir seu hino, o música de sua pátria.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Para quem Gardel torcerá?


por Luciano Melo
O maior cantor do tango argentino de todos os tempos... não nasceu na Argentina. Para falar a verdade, ninguém sabe, ou melhor, ninguém quer saber. Os registros discordam: há os que afirmam que Carlos Gardel nascera em Tacuarembó, Uruguai; outros juram que o tangueiro veio ao mundo em Toulouse, na França. Seja como for, o próprio Gardel saía com essa, quando perguntado sobre seu local de nascimento: “Nasci com dois anos e meio em Buenos Aires”.
E em dia de França x Uruguai debutando o calendário da Copa da África, fico a pensar para quem Gardel gastará parcas horas de sua eternidade, roendo as unhas em favor da suposta terra de seu berço? Não sei, mas um episódio pode elucidar.
Em solo francês, a América descobriu a Europa em 1924, durante as Olimpíadas de Paris. O time uruguaio foi o primeiro selecionado americano a cruzar o Atlântico e disputa uma peleja no Velho Continente. O primeiro jogo foi emblemático: a bandeira içada ao contrário, com o sol dourado de cabeça para baixo, despertou a fúria patriótica da celeste. A vítima foi a Iugoslávia, em impiedosos 7 a 0. O resultado final do torneio: Uruguai campeão olímpico de futebol. Os franceses nunca tinham visto um negro jogando futebol e Andrade, de estilo elegante, foi chamado pelo público francês de “Maravilha Negra”. Quatro anos depois, em 1928, Olimpíadas de Amsterdam, na Holanda. A máquina uruguaia destroça a Argentina na final – como faria dois anos depois, na primeira Copa do Mundo – e se torna bi-campeã olímpica. Estava eternizada a Celeste Olímpica.
Reza a lenda que na concentração argentina, num hotelzinho chinfrim do subúrbio de Amsterdam, o grande Carlos Gardel apresentou-se na noite anterior à final olímpica para saudar o “escrete” argentino, já campeão de favas contadas. Cantou tristemente Dandy, um tango rasgado que tratava das desventuras de um homem que, açoitado por uma mulher que não o quer mais, perambula e se arrasta pela vida, seguindo a sina de um derrotado. Coincidência? Dois anos depois, às vésperas da final da Copa contra o mesmo Uruguai, num hotelzinho chinfrim de Montevidéu, Carlos Gardel reaparece na concentração argentina para homenagear o selecionado. Adivinhe, caro leitor, cara leitora, qual canção Gardel declamou?
Em 34 e 38, as Copas do Mundo ficaram em solo europeu, na Itália e na França, respectivamente. O mundo estava sob o preâmbulo da fatídica Guerra Mundial e o Velho Continente dominado por regimes autoritários, como o nazismo na Alemanha de Hitler. A “ferro e fogo”, a Itália fascista de Mussolini venceu os dois torneios, sem a participação da celeste olímpica. Os franceses, mais preocupados no domínio de terras africanas, liderados pelo general Charles de Gaulle, “dividiram” a África em duas Franças: a islâmica, (Marrocos, Tunísia e Argélia); e a negra (Costa do Marfim, Senegal, Camarões etc.)
Em razão das invasões na África, quando a Copa do Mundo retornou ao berço da Marselhesa, em 98, os franceses conquistaram o mundo com uma série de “estrangeiros”: africanos, armênios, caribenhos e, claro, o maestro e genial argelino Zinédine Zidane.
Estrangeiros como o uruguaio Andrade, filho de escravos, descoberto pelos franceses em 1924 como “Maravilha Negra”. Coincidências à parte, França e Uruguai se enfrentam hoje em solo africano. Estarei de olho no jogo como um cantor de tango, sofrendo. E para quem Gardel torcerá?

sábado, 5 de junho de 2010

Musas do cinema


por Luciano Melo


1. Jeanne Moreau


Jeanne Moreau tem aquela beleza acessível que se encontra andando pela calçada ou dividindo o banco do trem. Até dizem que seu rosto lembra vagamente Bette Davis e, antes que me apedrejem de louco, há uma certa dose de sensualidade nisso. Suas personagens parecem sempre estar numa ponte muito estreita entre a sobriedade e a loucura e não alimentam nenhum fetiche barato, como o estereótipo Audrey Hepburn. E ainda olha com solidão para tudo, numa deliciosa melancolia. Ainda mereço pedras?

2. Ingrid Bergman


Tudo o que disse sobre Jeanne Moreau se aplica inversamente para Ingrid Bergman. Você nunca esbarraria com a moça em canto algum. É inatingível. Seu par de olhos claros está sempre ausente da cena, como se não pertencessem a este mundo. Mas por tudo isso, é docemente angelical. E linda que dói.

3. Liv Ullmann





Escolher Liv Ullmann como uma diva do cinema é dividi-la com Ingmar Bergman. Foi sua grande paixão e inspiradora de muitos trabalhos do mestre. Possuidora de traços excêntricos de beleza, atuou talvez na maior obra cinematográfica sobre a identidade humana, Persona.


4. Catherine Deneuve





Sua interpretação em Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, é uma das maiores da história do cinema. Já em Bela da Tarde, de Luis Buñuel, uma noir dama de bordel. E se para a maioria das atrizes o passar dos anos é um pesadíssimo fardo, Deneuve está impecável em Dançando no Escuro e Um Filme Falado. E lindíssima.



5. Grace Kelly





Está bem, me rendo ao fetiche cinematográfico. Atuando, nunca chegou aos pés de nenhuma das atrizes citadas acima. Mas, confesso: foi o rosto mais lindo que já vi numa tela de cinema.

sábado, 29 de maio de 2010

Maradona é rock n roll na veia

Maradona na Argentina é Deus, Deus mesmo com letra maíuscula e tudo, es que "el pibe" anuncia em alto e bom som que na concentração Argentina haverá sexo, vinho e rock n roll.
Já tenho pra quem torcer na copa!
É morte ao futebol moderno, o espirito de Heleno de Freitas foi evocado com classe e categoria, viva ao país de Che, Evita e Borges!!!!
O jegue da raça vai para os criticos de Dom Diego Maradona.
O Marlon Brando do futebol, o Johny Cash do futebol...
Criticar Maradona é ato de burrice inconteste, jegue da raça para os delatores e criticos de Maradona!!!!
Vale ressaltar que não aprovo a idéia de Maradona de correr nu pelo centro de Buenos Aires após a vitória portenha!! Melhor é colocar alguma bela modelo argentina para executar este ato.

Ed Limas

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A metamorfose

*
Hoje pela manhã conheci o senhor Kafka. Sei que é bem difícil de acreditar. Na verdade, para ser bem sincero, nem eu mesmo acreditei quando o vi, tomando uma xícara de café numa mesinha de calçada. Mas era ele mesmo, o próprio. Tinha o cabelo engomado, repartido simetricamente ao meio, o paletó robusto, em tom cinza, e um par surrado de sapatos com fivelas. A mão que segurava a xícara parecia um pouco trêmula – talvez pelo frio das poucas horas do dia. A outra equilibrava um lápis entre os dedos. Ao lado do café, repousava um caderno, cuja capa parecia segura a uma série de pregas adesivas.
Mas, é bem verdade, poderia não ser ele. Eu tinha um amigo que era a cara do Chuck Norris.
Só vendo.
*
por Luciano Melo

sábado, 8 de maio de 2010

OVO COR DE ROSA

Olá caros blogueiros!
A tristeza invadiu meu coração e escorreu por minha alma na última quarta!!
As periferias do Brasil ficaram em estado de letargia em frente a tv, o time de São Judas enfrentou o time de São Jorge, o time da Rocinha versus o time de Heliópolis, em suma a espetacular contenda do povo.
O time de Parque São Jorge caiu de pé, mas as lágrimas que rolam há cem anos banharam as faces sofridas de uma nação,em contrapartida a outra nação sorriu.
O Funk carioca venceu o hip hop paulistano!
O escrete de Ronaldo e cia. lutou até o fim, mas não é fácil derrotar um império, o império do amor!!
Wagner Love jogou como nunca, distribuiu passes e fez o gol salvador, o amor venceu!!!!
A paixão corinthiana sofreu mais uma derrota, mas essa paixão não é passageira, esta paixão é eterna, são cem anos de luta, suor, sofrimento e alegria. Mas a alegria corinthiana sempre vem com o sofrimento, sofrimento que o povo conhece bem, seja nas filas dos hospitais públicos, seja nos trens de subúrbio!! Ser corinthiano é ser brasileiro elevado a quinta potência, assim como ser Flamengo é ser carioca ao quadrado.
Mas um duelo do povo, mas uma história escrita, mas esta história não tem fim...
Nos botecos com ovo cor de rosa a mostra sempre estará o poster do timão de 77 ou poster do mengão de 81, onde seres regados a alcool estarão discutindo e evocando o amor e a paixão que levam ao delirio e a tristeza!!
Sou corinthiano maloqueiro e sofredor graças a Deus!!!

Hoje estou mais triste que um cantor blues!!!!

Ed Limas

sábado, 1 de maio de 2010

Jegue da raça vai a tristeza corinthiana e homenageia o Blues

Ouvindo Robert Johnson, o mítico guitarrista que segundo alguns a procura do riff perfeito fez um pacto com o coisa ruim, cheguei a uma conclusão que permeia estas linhas mal escritas.
O gênio fez 27 músicas e virou o mago do blues.
Blues é tristeza na veia que se esvai pelos póros, blues é música que saiu da alma dos escravos que colhiam algodão no delta do mississipi, cantores cegos e com guitarra na mão evocam a música nas esquinas das cidades americanas do sul.
Blues a bela tristeza, também sinto isso quando vejo o Corinthians jogar, me sinto mais triste que um cantor de blues!!!
Robert Johnson morreu jovem, Ronaldo ainda joga, Ronaldo é o Robert Johnson da bola!!! O verdadeiro bluesman, Ronaldo cheira a tabaco e cerveja, no fundo carrega uma tristeza blues, pois já não corre como antes, já não joga como outrora.
Robert Johnson deixou seu legado! Ronaldo também, mas a morte não impediu Ronaldo de continuar a fazer sua arte, porém sua arte hoje não é a mesma!!
Outrora golaços, hoje matadas de canela para tristeza da gigante fiel corinthiana!!!
Continuo triste e ouvindo blues!!!

Ouça Robert Johnson
ps. o corinhitans de hoje me faz sofrer

Ed Limas

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre albatrozes, gansos e cisnes

por Luciano Melo
*
O albatroz. Charles Baudelaire escreveu, em 1842, o esboço do segundo canto de As Flores do Mal, intitulado O Albatroz. Se esta é a obra angular da modernidade literária, este conjunto de quatro quartetos é o retrato do artista perante a um novo momento, um inédito instante. Para elucidarmos do que se trata o poema, faço uma breve sinopse: por um mero prazer mórbido, os marinheiros têm o sui generis passatempo de capturar albatrozes que repousam no convés do navio. A ave, como se sabe, tem um modo cambaleante de caminhar, graças às imensas asas que desequilibram a rigidez e a postura do corpo do animal, pendendo-o de um lado para outro e, por assim dizer, proporcionando facilidades ao seu seqüestrador. Os marujos então estendem o quanto podem as asas do albatroz em forma de crucifixo pelas tábuas do tombadilho, prendendo-as pelos pés. Indefeso, envergonhado por tamanho rebaixamento, o imenso pássaro deixa-se pender perante a crueldade dos homens. Um, baforando um imenso cachimbo, entope-lhe o bico de fumaça; outro, coxeando pela borda da embarcação, ridiculariza os passos ziguezagueantes do indefeso bípede até que, cansados das tripudias, os marinheiros libertam o animal. Ele então, cabisbaixo, ainda um pouco atenuado pela tortura, tenta se reerguer na posição vertical, apoiando-se nos ombros desengonçados quando, retomado o equilíbrio, sacode bruscamente as asas e impera ao longe do firmamento.
O artista moderno, segundo Baudelaire, é como o albatroz. Nas alturas, suporta o peso mundo, como diria Drummond (falaremos mais dele adiante), o mais baudelairiano dos nossos poetas. Mas, em terra firme, confinado à mesquinharia do cotidiano, é lançado à sanha de marinheiros sedentos por baforar enxofre em suas fuças. Depois d’As Flores do Mal, o poeta da modernidade é, por excelência, o transeunte deslocado, aquele que perambula pelas calçadas a observar a perversidade da vida urbana. Não se encaixa em coisa alguma, não vê sentido no alvoroço dos movimentos sociais, no bel prazer do conforto citadino. E como em nada se apoia, sente-se frágil demais aos costumes da civilização.
Como prometido, retomemos ao poeta de Itabira. Um dos mais intrigantes escritos de Drummond é O Elefante, presente no fabuloso A Rosa do Povo, o qual inicia com os seguintes versos (Fabrico um elefante / de meus poucos recursos. / Um tanto de madeira / tirado a velhos móveis / talvez lhe dê apoio. / E o encho de algodão, / de paina, de doçura.). Você encontraria um ser mais deslocado, perambulante e frágil ser do que um elefante cruzando a urbe? Acho que não. E preciso dizer de quem se trata o elefante?
Ganso. (25 de abril de 2010. Estádio do Pacaembu). A cobrança de escanteio é curta, rasteira. Paulo Henrique Ganso recebe a bola a dois metros do vértice interior da área. Repousa o pé esquerdo por cima dela. Não pode retornar a bola ao executor do escanteio, pois este estará à frente da linha de zagueiros. Também não tem a quem passar, já que a área tem, no mínimo, dezesseis jogadores, entre companheiros e adversários. Chutar a gol é impossível. A bola desviaria em alguma canela intrometida. Os inimigos insaciáveis vêm à caça, cercando-o. (Está se lembrando do albatroz e os marinheiros?) Sente que logo pisarão em suas frágeis asas, baforarão enxofre em seu rosto, vibrarão arrancando a doçura de sua arte. A poucos metros dali, o tobogã se inflama com urros hostis, escarnecendo-se aos berros da incômoda cena ali testemunhada. Ganso, então, toma uma decisão, digamos, imponderável. Recolhe a bola para a linha de fundo. Sucumbiu perante a adversidade? Deixou-se pender à crueldade dos homens como a ave infortunada de Baudelaire? Três opositores o circundam, impedindo sua saída. Não há o que fazer. Então, P. H. Ganso suspende a bola com finura, com delicadeza, (perdão, Drummond) com a doçura de um elefante. O albatroz suspendeu as asas. A pelota faz uma polida parábola, perfeita como um arco renascentista. A multidão percorre a trajetória tal qual o traço de um compasso até a esfera encontrar a cabeça do atacante santista, arrematando a obra-prima com a derradeira pincelada do gol. Genial poesia.
Paulo Henrique Ganso é um albatroz da bola. Não tem a elegância do falcão (o Rei de Roma?) nem a fome do galo (de Quintino?). Nesta rinha, é apenas um desajeitado caminhante. Tem um caminhar falso, desmedido, com deselegância discreta (desculpe, Caetano). O tórax é frágil, quase corcunda. Sem a bola nos pés, apenas caminha de esguio diante da pobreza cotidiana. Com ela, é o majestoso que “enfrenta os vendavais e ri da seta no ar”. (Charles Baudelaire. O Albatroz.)
Cisne. O ex-técnico de Paulo Henrique, o esforçado meia-direita Cuca, disse, certa vez, quando ainda Ganso atuava na base, que o jovem atleta não dispunha de qualidades para alçar ao time principal do Santos F.C. Não o culpo. É difícil reconhecer o pequenino cisne que, deslocado entre tantos patinhos, é o feio do grupo. Faltava-lhe a obediência tática, o apuro físico, a velocidade do arranque, a entrega desmedida ao resultado. Após sua estreia no comando do Flamengo, seu técnico no vice-Mundial Sub-20, Rogério Lourenço, disse que sempre sacava Ganso da equipe pois o jogador não cumpria suas determinações táticas. “Desobediente, então”, indagou o perspicaz repórter. “Não, desligado”, respondeu o treinador. Eu diria um torto, um desajustado. Parafraseando novamente o itabirense, “um gauche na vida”.
Nesta época, Ganso ainda era um patinho feio para Cuca e Rogério Lourenço. Menos para Giovanni, que o trouxe com quatorze anos para o Santos F.C. O messias já via o cisne que Paulo Henrique se tornaria. Uma espécie reconhece a outra.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Jegue da raça reload

Aproveitando o clamor popular e lançando mão da apologia que se faz necessária quanto a toda e qualquer forma de beleza!!
Repudio esta semana aquele que prefere o carrinho, o chutão, a modernidade do futebol pragmático, desculpem blogueiros, mas é "mais do mesmo".
Jegue da raça para DUNGA!!!!
Enquanto o baluarte do futebol "vamos jogar feio e ser campeões" não convocar Paulo Ganso, Neymar e Roberto Carlos, este carrasco do futebol bonito será "hour concours" em matéria de troféu jegue da raça. Chega!!! Evoquemos o espirito de Heleno de Freitas, faremos despacho em nome de Leônidas e evocaremos o calcanhar etilico de Sócrates! Para que este lacaio do futebol total convoque estes jogadores.
Desculpem minha revolta! Mas seleção é para os melhores e não para os melhores amigos!!!

Jegue da raça para Dunga!
abaixo Julio Batista!! Viva ao Ganso

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O manto sagrado CORINTHIANO de 77




CAMISA DO CORINTHIANS CAMPEÃO PAULISTA DE 77 AUTOGRAFADA.
RELÍQUIA ! ! ! CAMISA USADA NA 2ª PARTIDA DAS FINAIS PELO MEIA LUCIANO.




quinta-feira, 15 de abril de 2010

O crepúsculo de um imperador


por Luciano Melo
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
que a gente possa agarrar
Paulinho da Viola - Timoneiro
*
A semana não está sendo fácil para Adriano. Os morros de sua cidade se desmancham por todos os lados como sorvete, desintegrando-se pelas encostas carcomidas de lixo e descaso. Se nem o Cristo dá conta de tamanha tragédia anunciada, o Rio se emudece e vê seus filhos enterrados entre os escombros, tal qual um enterro coletivo ao céu cinzento.
Já a paixão-mor da metrópole, seu rubro-negro de profissão e coração, não alheio ao drama, padece no torneio continental, respirando por aparelhos. Pena para não sofrer uma vexatória derrota em terras estrangeiras, clamando por piedade e clemência. E se não bastasse apanhar dos universitários chilenos com demasiada apatia, decide toda a fortuna de sobrevivência na copa contra o time do pirado Hugo Chávez, num jogo que tem tudo – mas tudo mesmo - para ser um dos mais angustiantes e penosos noventa minutos da história recente flamenguista. Ah, sem nos esquecer da decisão fluminense contra a Estrela Solitária de “Loco Abreu”, o predestinado à camisa 13 de Mário Jorge e convicto a calar a massa e a alma “urubuzadas”. Tudo isso no palco favorito em tornar reais as desgraças mais inimagináveis do mundo futebolístico: o estádio do Maracanã.
Como tudo isso é “pouco” e é “bobagem”, esta semana também reservou o desfecho do caso com a turbinada e oxigenada patricinha de “Leblon Hills”. O imperador não fugiu à estirpe da realeza e ateou fogo para todos os lados, incendiando o tráfico, o baile, a mídia, a brutalidade verborrágica e o próprio Flamengo. Para encerrar, com requintes de insanidade, caligularmente amarrou sua fêmea ao pé de uma árvore. É o fim.
Tudo isso em uma semana. Às vésperas do compromisso no Chile, com escalação certa, Adriano foi cortado da delegação por “dores nas costas”. Mentira. Como também fora no final de 2009, quando se afastou por bolhas no pé provocadas por queimaduras no tambor de uma moto. Ou foi numa lâmpada? N.D.A. Tudo mentira.
Adriano perdeu a alegria. Não quer mais saber do futebol. Não, não esse pelo qual somos apaixonados, como ele também é. O imperador não quer mais saber do profissionalismo, da vida de atleta, dos compromissos comerciais com patrocinadores e televisão. Na verdade, nunca quis. Se pudesse, estaria até hoje jogando pelada em campos improvisados pelos flancos do morro da Chatuba e traçando pipas com a linha envenenada de cerol, trepado em muros e lajes.
No entanto, o grande dilema, como diria o João Nogueira, é ser o “espelho de seu pai”. Adriano nunca conseguiu ou teve coragem de quebrar o encanto do sonho de seu velho em um dia testemunhar o filho desfilando no “Maraca”, pintado em rubro-negro, uma vez, até morrer. O pai se acostumou a ver seu filho, desde muito criança, entortar marmanjos em terras batidas ou na malemolência das areias. Adriano nasceu para isso, e o destino quis assim. Mas ele mesmo, não.
Todavia, tudo compensava ao perceber a alegria do velho em vê-lo brilhar nas peneiras da Gávea. Adriano sempre soube que ele próprio era o alter-ego de seu pai, o fantasma de um sonho que se tornava palpável ao enxergar o talento descomunal de seu rebento. Nosso futuro imperador repousava toda a angústia lírica na alegria do pai, pois abrira mão de toda a sorte pela felicidade de seu criador. Não havia mais o baile, o dominó, o namoro nas construções, a pelada diária. O menino se tornara um profissional da bola.
Também não pense o leitor que Adriano não gostasse de dinheiro e fama. Aproveitou o quanto quis: carrões “nitrados”, o pó mais fino, o caríssimo e dolarizado whisky “envelhecido” e motéis luxuosos com aspirantes a globais. Mas hoje, talvez pondere que tudo isso tem um preço elevadíssimo, bem maior que os juros que engordam sua conta bancária.
E quando pensava em jogar tudo para o alto, lá estava seu pai. O mais orgulhoso dos pais. No morro, era o rei. O pai do imperador. Quando retornava de Milão, trazia as camisas 10 do filho aos montes, distribuindo a amigos e familiares. E como cresceram estes amigos e familiares. Ajudava a todos, pois era desejo dos dois. Eram heróis.
Mas se Adriano se empanturrava de pastas, vinhos e modelos, sentia cada vez mais falta do cheiro do mar carioca, das ancas da morena requebrando pelo morro, das tardes rubro-negras no velho Maracanã. E quando pensava em jogar tudo para o alto, lá estava seu pai.
Até o momento em que o velho partiu. A vida não fazia mais sentido. Internazionale, Copa do Mundo, dinheiro, fama, nada. Como seu pai, Adriano desapareceu. Inundou-se no álcool e não saiu mais. Fugiu de tudo e de todos e retornou para seu ninho, para seu mundo, para sua vida, para “perto do velho”. Com a família e os amigos a volta, reencontrou a paz. Largou a bigorna dos compromissos profissionais e com renda para sustentar uma dúzia de gerações vindouras, queria apenas ter o que sempre foi seu, de direito: a infância roubada pelo sonho do pai.
Porém, uma vez, até morrer. Estar com o pai é estar no Flamengo. A Gávea, o manto rubro-negro, o cimento da arquibancada... Tudo isso cheira a seu pai. Cobrir-se com a 10 de Dida e Zico é ficar abraçado com seu protetor, sentir seu afago, sua voz grave, sua mão pesada de dedos grossos acariciando seu rosto.
E Adriano jogou como nunca. Dividiu com um craque sérvio a obrigação de devolver o sorriso cariado do genuíno torcedor flamenguista, o time das multidões deste país. No final de 2009, o Brasil se pintou em vermelho e preto graças ao talento de um jovem imperador que fora descoberto por seu próprio pai.
Pode parecer que não, mas Adriano chegou ao ápice. Pelo menos, para ele próprio. A dívida com seu pai estava paga. Conquistou o país com a mantilha rubro-negra e tem certeza de que seu pai assistiu a tudo.
Este 2010 não significa mais nada. Carreira? Concentração? Treino? Libertadores? Nada. E a Copa do Mundo? É melhor que nem o convoquem. Agora, quando pensa em jogar tudo para o alto, seu pai não está mais aqui.
*
É engraçado, mas me veio à mente que o Adriano pode ser nosso Garrincha de hoje. Estou certo?
*
Adriano é o Gênio da Raça da semana. E é Morte ao Futebol Moderno.

Boxe



por Luciano Melo
*
Comprei há alguns dias o 3° volume da excelente revista Serrote, publicação quadrimestral do Instituto Moreira Salles. Tentarei manter a coleção até onde der, pois os cadernos são impecáveis. Cada edição tem uma variedade suculenta de ensaios, espalhados por volta de duzentas e poucas páginas. Os assuntos se desdobram nos mais variados temas, sempre escritos na mais fina execução. Para se ter uma ideia, no número da revista em questão, Virginia Woolf escreve sobre pintura de um modo quase ficcional - em outros termos, literário. Redundante falar, mas o ensaio é um primor. Ela se debruça sobre um pintor inglês do início do século XIX, Walter Sickert, nome até então desconhecido para mim. É verdade que, no campo da pintura, comparar a Inglaterra com outras escolas, como Itália, Espanha, França ou H0landa, é, no mínimo, desconfortável. Mas referenciado por Woolf, o pintor inglês é de tal maneira esboçado que faria inveja a Rafael ou Rembrandt. E não para por aí a revista. Numa outra seção, intitulada pelo genérico Esportes, encontro dois textos primorosos: o primeiro, especulando a gênese da competição esportiva; o segundo, uma entrevista que aglutina boxe e jazz num mesmo exercício de leitura. Ah, os autores em questão: naquele, Roland Barthes; neste, quem dá as cartas é Julio Cortázar.
*
Confesso que me interessei mais pela entrevista do Cortázar, realizada em 1983, seu último ano de vida. O escritor repara em sutilezas e nuances imperceptíveis para quem não desfruta de uma leitura criativa e delicada da vida. Há de tudo um pouco do universo no pugilismo e no jazz, defende o argentino, na mais tênue reflexão que só a transcrição de uma conversa pode oferecer.
Como no jazz, o pugilismo é a arte do "improviso ensaiado". É justamente na execução performática dos golpes, no apuro da técnica que escapa à compreensão do oponente que reside a beleza do boxe. Torna-se um jogo, ou melhor, um estudo de artimanhas, estratégias e contragolpes que revelam ao espectador, como ao apreciador de Coltrane e Ellington, a mais pura nobreza da arte. Seria este um confiável caminho para entendermos por que o boxe é chamado de a "nobre arte"?
*
Este texto não acabou ainda. Hasta.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Jegue da raça "um novo conceito em premiação"




Olá viciados em futebol!!!!
Hoje vou desancar, pegar pesado, distribuir farpas e afins.
O jegue da raça vai para...
Esperem! Supense é com Hithcock, genial cineasta !!!
Não vou enveredar pelos caminhos tortuosos de uma arte que não sei produzir, não sou uma Agatha Chistie, aliás bem longe desta pretensão, Agatha Chistie e Hithcock, o que eles possuem em comum, além da sagacidade em produzir suspense? ( será que estou plagiando alguém )
Tchan,tchan, tchan ( não confundir este tchan com o grupo da Genial Carla Perez ( ou seria "jeguial")... nossos heróis citados acima são ingleses. Inglaterra que já teve o maior Império do mundo e bla´,blá,blá...
Mas voltemos ao nosso tema, não estou aqui para falar da nação que criou as regras do nosso esporte predileto e deu ao mundo Beatles, Rolling Stones e Artic Monkeys.
Vamos direto ao ponto!
O Jegue da raça vai para o Ed Limas!! ( estou falando em terceira pessoa, assim como os grandes jogadores de futebol ).
Quero este Jegue da raça, minha estante necessita dele, só posso desencar, pegar pesado e distribuir farpas à terceiros, tendo a humildade de saber receber insultos!!
Comecei falando de personagens da Inglaterra sem nenhuma razão aparente, ou seja, me acho um gênio ao falar de um país para enccher linguiça no blog.
Mas sou jegue, reconhecer que sou um jegue é uma atitude genial.

Este troféu é meu e ninguém tasca, saúdo meus companheiros de feito ( Pelé e o goleiro Rodrigo do Flamengo são os outros jegues da raça ).

Por Ed Limas ( O jegue da raça da semana )

Agradecimentos e lágrimas

Agradeço a todos aqueles que me suportam na mesa de bar quando defendo o Ronaldo gordinho e fico exercendo "futurologia".
O Corinthians vencerá a libertadores com um gol de barriga do Ronaldo.

sábado, 3 de abril de 2010

Dunga

Ele foi bode expiatório na copa de 1990, simbolo do futebol feio, onde os carrinhos acontecem com maior frequencia e os passes de calcanhar são mais raros do que ouro no jaguaré! Sim nobres blogueiros e blogueiras nosso troféu da semana vindora irá para os pampas e encontrar as mãos que ergueram a copa de mundo de 1994.

Dunga deve muito a Romário, se o baixinho fazedor de gols não desse a copa de 94 para o Brasil, nosso personagem com nome de anão da Branca de Neve provavelmente estaria treinando o Olaria e não o escrete mais famoso do mundo.

A genialidade de Dunga é a mesma de um ganhador da megasena, a sorte sorriu para o raçudo jogador dos pampas. Agora Dunga tem o brinquedo mais legal do mundo nas mãos, poderia montar uma seleção com Ronaldos, Ganso, Pato e afins. Porém o ex-volante mediano crê no futebol solidário de jogadores que ficam na reserva de clubes na Europa. Que o diga Julio Batista, Doni e Felipe Melo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O que estes jogadores têm em comum (parte 2)?

por Luciano Melo
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Como a brincadeira ficou gostosa, pensei: e se tratássemos no nosso velho e querido Brasil, a pátria de chuteiras? E se montássemos nossa seleção com jogadores despezados, lançados ao sabor do acaso, às masmorras do esquecimento e da solidão? Como ficaria?
Pelo que tudo leva a crer, se não houver contusões e mantiver a "coerência" das últimas convocações, o time do Dunga na Copa do Mundo é: Julio César; Maicon, Lucio, Juan e Michel Bastos (André Santos); Felipe Melo, Gilberto Silva, Elano (Ramires) e Kaká; Robinho e Luis Fabiano. Se contar com o banco, o professor tem chamado Daniel Alves (para mim, titularíssimo), Luizão, Adriano, Nilmar etc.
Para manter a integridade do exercício, também não vou convocar quem faz parte da "família Dunga".
Então, minha seleção de excluídos é essa:
Fábio (Cruzeiro); Leonardo Moura (Flamengo), Miranda (São Paulo), Alex (Chelsea-ING) e Roberto Carlos (Corinthians); Hernanes (São Paulo), Zé Roberto (Hamburgo-ALE), Alex (Fernerbaçe-TUR) e Ganso (Santos); Ronaldinho Gaúcho (Milan-ITA) e Kléber (Cruzeiro).
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Ah, vou esbanjar. De lambuja, vai o restante do grupo para formar os 23 convocados:
Rogério Ceni (São Paulo) e Gomes (Tottenham-ING); Vítor (Palmeiras), Cris (Lyon-FRA), Naldo (Werder Bremen-ALE) e Marcelo (Real Madrid-ESP); Pierre (Palmeiras), Lucas (Liverpool-ING), Diego (Werder Bremen-ALE) e Felipe Coutinho (Vasco); Neymar (Santos) e Fred (Fluminense).

O que estes jogadores têm em comum?

Chech; Grygera, Chivu e Fletcher; Petrov, Baros, Mutu, Robbie Keane e Arshavin; Adebayor e Ibrahimovic.
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O que estes jogadores têm em comum?
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Esta foi a pergunta lançada na última semana. O que a equipe montada acima tem de especial? Vamos aos fatos:
1. Todos jogam em grandes equipes europeias. Chech, por exemplo, que para muitos é o melhor goleiro em atividade nos dias de hoje, é do milionário inglês Chelsea; o sistema de defesa, com três bons zagueiros, conta com Grygera (Juventus - ITA), Chivu (Inter - ITA) e Fletcher (Manchester - ING); o meio de campo tem representantes da Fiorentina - ITA, Arsenal - ING e Manchester City - ING; e o ataque possui uma dupla infernal, com Adebayor (Manchester City - ING) e Ibrahimovic (Barcelona - ESP).
2. Entrosado, este time daria o que falar. Tamanha a qualidade técnica dos jogadores, poderiam alternar sistemas de jogo ao longo da partida. Grygera, "zagueiro de profissão", pode fazer a ala direita sem maiores problemas, mantendo Chivu e Fletcher no miolo de zaga. Na outra lateral, Baros e Petrov podem se dividir entre apoio e marcação, naquele velho esquema "um vai, outro fica". Pelas possibilidades de armação, Keane e Arshavin revezar-se-iam na criação das jogadas, e Mutu, serelepe, caindo pelas pontas infernizaria a defesa adversária. Já os atacantes possuem um excelente repertório de jogo, pois jogam em movimentação ou plantados na área. Pela maior habilidade, Adebayor ficaria mais centrado e Ibrahimovic viria pelos flancos, intercalando-se com Mutu, Keane e Arshavin. Ótimo, não?!
3. Ah, já ia esquecendo o terceiro ponto em comum. O mais cruel de todos. Nenhum deles estará na Copa do Mundo, pois suas respectivas seleções não se classificaram. Tenho certeza que quando assistir às partidas envolvendo Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Norte, Argélia e Honduras me lembrarei deles, lamentando.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Jegue da raça vol. II




Olá caros amigos e amigas!
Hoje falarei de uma pessoa que muito dignifica o nosso pais, ele carrega ao lado do cantor pop brega Roberto Carlos ( vai dar polêmica ) a alcunha de Rei, só no Brasil mesmo! Dois reis em um pais Repúblicano. O rei em questão é o Pelé, dentro das quatro linhas ninguém ousou jogar mais, um gênio do futebol, um herói tricampeão, multi campeão no Santos, orgulho de nossa nação.
Mas segundo outro gênio de plantão: " Pelé calado é um poeta"! Diria mais... Pelé calado é um misto de T.S Elliot e Drumond, calado não é um mero poeta, nosso herói futebolista quando não utiliza as cordas vocais é o mestre dos mestres ( ele canta mal pra caramba ).
Caros leitores minha fúria possui lógica, pois Pelé do alto de seu trono afirmou: " Dunga não precisa do Ganso!! "
Nós do Morte ao Futebol Moderno estamos estarrecidos, como pode o baluarte do futebol bonito falar algo tão sem noção, como o craque do futebol ele deveria defender a beleza, defender a arte, defender Ganso na seleção brasileira.
A quem Pelé quer agradar? Fazendo média com o Dunga... Baixou o exú Branca de Neve no Pelé? Desculpem a revolta!
Quem você prefere na seleção Ganso ou Júlio Batista? ( nada contra o reserva da Roma )

Troféu Jegue da raça vai para o Rei nesta semana!!
ps. não acredito na monarquia e ouça The Clash!!!!


Ed Limas

terça-feira, 30 de março de 2010

Um lenço para Armando


O troféu "Gênio da Raça" desta semana está de luto. Nos deixou Armando Nogueira, aos 83 anos. Talvez tenha sido ele o primeiro cronista esportivo a aproximar a literatura do futebol neste país, pois nunca antes dele o requinte e o apuro com a palavra eram a primazia nos textos sobre o esporte bretão. Após o caminho traçado, vieram outros, no rastro do mestre: Nelson Rodrigues, João Saldanha e, ainda na ativa, os fiéis seguidores Ruy Castro, João Máximo, Xico Sá e Tostão, para ficar em alguns. Todos órfãos. Como nós.
Armando escreveu uma vez que "Garrincha faz de um lenço seu latifúndio", para tentar explicar a inexplicável capacidade dos dribles de Mané em minúsculos espaços do campo. Faço de sua metáfora a imagem de uma despedida: um lenço para Armando!
Armando Nogueira é Gênio da Raça. É Morte ao Futebol Moderno.

O trem da vida

por Luciano Melo
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Construímos o cômodo há pouco mais de dois anos. Era sonho de meu pai dispor de um espaço extra na casa como um clube social, um recanto para exercer o prazer de uma boa prosa. “A sala”, diz ele, “é feita para as mulheres tricotarem”.
Nisso não tiro sua razão. Há um prescrito ritual ao se “fazer sala” para alguém. Os anfitriões disparam à frente da visita para averiguar o estado do recinto. Numa rápida execução, organizam toda a porcariada espalhada pelos cantos do ambiente: jornais, almofadas, chinelos, controles, bibelôs... para, em seguida, dispararem a corroída fórmula “não repara na bagunça!” Então, os visitantes são alocados nos melhores lugares do sofá, geralmente localizados à frente da televisão. Liga-se o aparelho apenas para “harmonizar o local”, mesmo que naquele instante um âncora engravatado esteja disparando enchentes e chacinas para todos os lados, pois o que interessa mesmo é pôr a conversa em dia. Poucos minutos depois, chegará uma bandejinha prateada repleta de quitutes e uma garrafa térmica com o cafezinho passado na hora.
Aliás, a hora da boca livre é o termômetro do sucesso do evento. Se o encontro estiver animado, as guloseimas serão desprezadas como um cão abandonado e o café congelará na xícara, tamanho o interesse na vida dos outros. Mas, se o rumo prosa for de uma sonolência sem fim e a maior novidade é que o filho da sua querida tia (aquele mesmo mala que sempre te aporrinhou) enfim tirou o diploma e se formou em... 2006! Bem, é melhor repor os petiscos e botar a água no fogo.
Não, definitivamente meu pai não queria isso.
Para maior privacidade no local, até construímos um minúsculo banheiro para não atrapalhar o cotidiano da casa. E garanto ao raro leitor: o espaço sobrevive em plena democracia!
Como somos apaixonados santistas, meu pai comprou uma televisão para acompanharmos os jogos do glorioso alvinegro praiano. Estaríamos assim isolados de toda a complexidade antropológica que reserva a ocasião retratada acima. Nada, mas nada mesmo contra a quem de coração e braços escancarados recebemos em nossa humilde choupana, mas a apreciação de uma partida de futebol requer uma dedicação franciscana. Desculpe, mas não dá para conciliar os prazeres e os dissabores de uma peleja do Santos FC com as desventuras errantes de acatados parentes. Sorry.
Para parcos momentos íntimos da vida, privacidade é tudo. Nisso, raro leitor, você não há de discordar.
E, ao léu da proa, sem a menor intenção, nosso espaço se tornou um retiro maçônico para arrebatados torcedores de futebol, santistas ou não. Mas, ressalto: aqui, as viúvas de Pelé são maioria.
Como o Juarez, um caso à parte.
Juarez foi o neófito do clube. O primogênito. Da mesma idade de meu pai, era um torcedor incomensurável do Santos FC. Fazia pose de ranzinza e qualquer claudicação de um jogador era a razão de excomungá-lo por quatro gerações passadas e três vindouras. Eu não entendia isso, mas meu velho, sim. Os dois viram inúmeras vezes in loco o mágico esquadrão alvinegro desfilar no imaculado Pacaembu, em longínquos anos 60. Então, voltar à terra firme e, cinco décadas transcorridas, comparar este mundo com aquele é ingênua quimera. Meu pai sabia disso. Juarez, não.
No entanto, era delicioso assistir às batalhas santistas com ele ao lado. No dia anterior a uma partida, encontrava-o bufando, desfechando mil demônios contra a possível escalação do time. Nunca, mas nunca mesmo, concordava com os onze que estariam recheando o manto santista no dia seguinte. Já nas horas antes da peleja, ninguém o encontrava em canto algum. Acho que ele ficava se remoendo em sua poltrona preferida, perfilando inusitadas jogadas que, por esmero, resultariam em gols naquela tarde. Talvez já as tivesse deslumbrado quando convivia com os fabulosos negros Mengálvio, Dorval, Lima, Coutinho, Edu e Pelé. Mas o fato é que nenhuma viv’alma topava com o Juarez neste momento. Era a profunda clausura num mausoléu medieval.
Então, restando escassos minutos para a peleja, chegava Juarez. Cara amarrada, praguejando contra tudo. Até dos patrocinadores que emporcalham a brancura do véu santista.
Ele tinha razão.
Durante o jogo, era impossível se conter. Mais pragas e pragas. A cada ataque desperdiçado, arrancava com atrocidade um surrado boné e alisava os poucos fios de cabelo que ainda resistiam sobre a cabeça ensopada de suor. Roia vorazmente as unhas e, quando já tinha mais o que comer, cerrava os punhos até arrebentarem as veias pelo dorso das mãos. No intervalo, mais insultos. Praguejava até contra o replay, como que se ali pudesse mudar a sorte do lance. Era incorrigível.
No momento do gol, enquanto nos abraçávamos num combinado de alegria e alívio, Juarez cobria o rosto com o empapado boné e levantava os dois punhos ao firmamento, quase como numa prece. Ainda tenho comigo que devia pronunciar algo parecido a um credo, com o rosto encoberto.
Retornado do transe, voltavam as pragas. E mais pragas. Embora, se num lampejo o ataque alvinegro faiscasse uma tabela, um lançamento preciso, um passe de letra, Juarez esgarçava o canto da boca, imitando um sorriso. Quem sabe voltasse ao passado naqueles ínfimos segundos.
Seja como for, sua fama cresceu. Muitos passaram a freqüentar nosso recinto pela pura traquinagem de compartilhar uma partida com ele. Sua rabugentice era deliciosa! E as histórias? Eram imperdíveis. A cada jogo, com memória prodigiosa, relembrava partidas e jogadores que nunca saíram de sua alma alvinegra.
Hoje, nossa coletividade recebe novos integrantes. Aficionados santistas da rua e adjacências freqüentam nosso recinto para apreciar a fuzarca que os meninos provocam a cada prélio. Eu e meu pai nos orgulhamos disso.
Infelizmente, no final do ano passado, por conta de graves problemas renais, Juarez foi embora antes do combinado. Ainda o trouxemos para casa depois de seguidas internações, mas o velho rabugento, teimoso, nos deixou.
No hospital, eu e meu pai fomos visitá-lo. Não sabíamos que era a última vez que iríamos trocar algumas palavras. Na maca, cheio de agulhas perfurando os braços, os olhos pálidos e fundos, os fios de cabelo desgrenhados e bastante debilitado, com dedo indicador pediu para me aproximar e sussurrou bem baixinho, quase imperceptível:
- Ainda dá para ser feliz com o Santos?
Erroneamente, respondi que não se preocupasse com aquilo. O importante era sair dali com saúde para ainda desfrutar da vida. Hoje, acho que o melhor seria ter engatado uma conversa descontraída sobre futebol, mulheres, ou o assunto que fosse. Ele sabia que aquele era nosso último encontro.
Desculpe, leitor, mas não consigo mais escrever. Meus olhos, por mais que tente secá-los, não dão mais conta de enxergar a tela.
Obrigado, Juarez, meu velho. Sempre dá para ser feliz com o Santos. A vida sempre vale a pena.

sábado, 27 de março de 2010

Jegue da Raça




O intelectual de vanguarda e nas horas vagas goleiro do Flamengo Bruno, filosofou nos microfones frases de enorme impacto do ponto de vista intelectual, em pleno dia internacional das mulheres o culto arqueiro afirmou: "- Quem nunca trocou ou deu uns tapas em mulher".
O genial goleiro tomou uma bronca da Presidenta do Flamengo Patricia Amorin ( a mais bela presidenta que já vi, uma beldade). O cerebral goleiro Flamenguista proferiu esta magistral frase ao defender seu colega de profissão Adriano, vulgo o Imperador! O Imperador curte amarrar sua equilibrada namorada em árvores e afins...
Bruno merece o troféu Jegue da raça ( nada contra o equino mais charmoso do norderte)

Ed Limas

segunda-feira, 22 de março de 2010

Chech; Grygera, Chivu e Fletcher; Petrov, Baros, Mutu, Robbie Keane e Arshavin; Adebayor e Ibrahimovic.
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O que estes jogadores têm em comum?

por Ed Limas
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Ser híbrido, meio Sócrates, meio Rivaldo, com pitadas de Pita. Eis que na Vila mais famosa surge o mago que faz o tempo parar quando a bola está literalmente a seus pés.
Ele atende pela singela alcunha de Ganso, simplesmente Ganso.
Seu repertório conta com dribles nostálgicos, do tempo que a música e o cinema nos faziam chorar.
Paulo Henrique Ganso é Morte ao Futebol Moderno!
Garoto Gênio da Raça!
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PS - Sou corintiano.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Manifesto do Movimento "Morte ao Futebol Moderno"




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por Luciano Melo
1. O campo. Como já se afirmou em tempos idos, o quadrilátero que abriga uma peleja futebolística nada mais é que a metáfora da condição humana, encarcerados que somos diante dos limites de sobrevivência impostos a cada um de nós. É também o espaço demarcado da existência. A medida retangular é na verdade a junção de dois quadrados que acolhem duas potências opostas, ou seja, ying/yang ou Apolo/Dionísio. Forças motoras que nutrem nossas decisões. A união destes opostos se dá pelo grande círculo central, o símbolo da perfeição e da ideia de totalidade. Para resumir a conversa, é Deus. Duvida? Em outubro de 1974, na sua partida de despedida do futebol, curiosamente contra a "Ponte" Preta, Pelé cruzou a "ponte" da divindade para a mortalidade num gesto secular: ajoelhou-se no ponto central do grande círculo com as mãos estendidas em forma de cruz. Perfeição? Deus? Pelé? Seria a representação do que, afinal?
2. A bola. O mote da disputa e da conquista de todos, representante da beleza geométrica e de toda a complexidade esférica em que repousa o símbolo da perfeita simetria, é idolatrada por pobres e oprimidos espíritos que veem na circunferência do objeto a imagem do mundo. Duvida? Lembre-se da arrebatadora cena do apocalíptico "O Grande Ditador", quando Carlitos/Hitler brinca com a bola/planeta, retorcendo-se em mil piruetas sem deixá-la tocar o chão. Seria a representação do que, afinal?
3. A paixão. Uma partida de futebol resguarda em si a plenitude do gáudio da existência humana, lançada à arena das paixões e das desilusões. Aguardamos a fração milionésima de segundos entre o olhar do craque e o toque milimétrico na bola, repousando-a no mais inatingível e imponderável espaço que ela possa encontrar. O tempo não avança, quase retrocede. Somente os gênios, os quase deuses, possuem tal feitiço. Já os deuses... Duvida? Ai de nós, estúpidos homens, quando Cupido nos escolhe. Naquele milionésimo segundo, nosso olhar atinge cada espaço milimétrico de Afrodite, lançando-nos às mais intensas labaredas da carne, à voluptuosidade pecaminosa acesa em cada poro.
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Ai de nós, estúpidos homens. Uni-vos!