sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre albatrozes, gansos e cisnes

por Luciano Melo
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O albatroz. Charles Baudelaire escreveu, em 1842, o esboço do segundo canto de As Flores do Mal, intitulado O Albatroz. Se esta é a obra angular da modernidade literária, este conjunto de quatro quartetos é o retrato do artista perante a um novo momento, um inédito instante. Para elucidarmos do que se trata o poema, faço uma breve sinopse: por um mero prazer mórbido, os marinheiros têm o sui generis passatempo de capturar albatrozes que repousam no convés do navio. A ave, como se sabe, tem um modo cambaleante de caminhar, graças às imensas asas que desequilibram a rigidez e a postura do corpo do animal, pendendo-o de um lado para outro e, por assim dizer, proporcionando facilidades ao seu seqüestrador. Os marujos então estendem o quanto podem as asas do albatroz em forma de crucifixo pelas tábuas do tombadilho, prendendo-as pelos pés. Indefeso, envergonhado por tamanho rebaixamento, o imenso pássaro deixa-se pender perante a crueldade dos homens. Um, baforando um imenso cachimbo, entope-lhe o bico de fumaça; outro, coxeando pela borda da embarcação, ridiculariza os passos ziguezagueantes do indefeso bípede até que, cansados das tripudias, os marinheiros libertam o animal. Ele então, cabisbaixo, ainda um pouco atenuado pela tortura, tenta se reerguer na posição vertical, apoiando-se nos ombros desengonçados quando, retomado o equilíbrio, sacode bruscamente as asas e impera ao longe do firmamento.
O artista moderno, segundo Baudelaire, é como o albatroz. Nas alturas, suporta o peso mundo, como diria Drummond (falaremos mais dele adiante), o mais baudelairiano dos nossos poetas. Mas, em terra firme, confinado à mesquinharia do cotidiano, é lançado à sanha de marinheiros sedentos por baforar enxofre em suas fuças. Depois d’As Flores do Mal, o poeta da modernidade é, por excelência, o transeunte deslocado, aquele que perambula pelas calçadas a observar a perversidade da vida urbana. Não se encaixa em coisa alguma, não vê sentido no alvoroço dos movimentos sociais, no bel prazer do conforto citadino. E como em nada se apoia, sente-se frágil demais aos costumes da civilização.
Como prometido, retomemos ao poeta de Itabira. Um dos mais intrigantes escritos de Drummond é O Elefante, presente no fabuloso A Rosa do Povo, o qual inicia com os seguintes versos (Fabrico um elefante / de meus poucos recursos. / Um tanto de madeira / tirado a velhos móveis / talvez lhe dê apoio. / E o encho de algodão, / de paina, de doçura.). Você encontraria um ser mais deslocado, perambulante e frágil ser do que um elefante cruzando a urbe? Acho que não. E preciso dizer de quem se trata o elefante?
Ganso. (25 de abril de 2010. Estádio do Pacaembu). A cobrança de escanteio é curta, rasteira. Paulo Henrique Ganso recebe a bola a dois metros do vértice interior da área. Repousa o pé esquerdo por cima dela. Não pode retornar a bola ao executor do escanteio, pois este estará à frente da linha de zagueiros. Também não tem a quem passar, já que a área tem, no mínimo, dezesseis jogadores, entre companheiros e adversários. Chutar a gol é impossível. A bola desviaria em alguma canela intrometida. Os inimigos insaciáveis vêm à caça, cercando-o. (Está se lembrando do albatroz e os marinheiros?) Sente que logo pisarão em suas frágeis asas, baforarão enxofre em seu rosto, vibrarão arrancando a doçura de sua arte. A poucos metros dali, o tobogã se inflama com urros hostis, escarnecendo-se aos berros da incômoda cena ali testemunhada. Ganso, então, toma uma decisão, digamos, imponderável. Recolhe a bola para a linha de fundo. Sucumbiu perante a adversidade? Deixou-se pender à crueldade dos homens como a ave infortunada de Baudelaire? Três opositores o circundam, impedindo sua saída. Não há o que fazer. Então, P. H. Ganso suspende a bola com finura, com delicadeza, (perdão, Drummond) com a doçura de um elefante. O albatroz suspendeu as asas. A pelota faz uma polida parábola, perfeita como um arco renascentista. A multidão percorre a trajetória tal qual o traço de um compasso até a esfera encontrar a cabeça do atacante santista, arrematando a obra-prima com a derradeira pincelada do gol. Genial poesia.
Paulo Henrique Ganso é um albatroz da bola. Não tem a elegância do falcão (o Rei de Roma?) nem a fome do galo (de Quintino?). Nesta rinha, é apenas um desajeitado caminhante. Tem um caminhar falso, desmedido, com deselegância discreta (desculpe, Caetano). O tórax é frágil, quase corcunda. Sem a bola nos pés, apenas caminha de esguio diante da pobreza cotidiana. Com ela, é o majestoso que “enfrenta os vendavais e ri da seta no ar”. (Charles Baudelaire. O Albatroz.)
Cisne. O ex-técnico de Paulo Henrique, o esforçado meia-direita Cuca, disse, certa vez, quando ainda Ganso atuava na base, que o jovem atleta não dispunha de qualidades para alçar ao time principal do Santos F.C. Não o culpo. É difícil reconhecer o pequenino cisne que, deslocado entre tantos patinhos, é o feio do grupo. Faltava-lhe a obediência tática, o apuro físico, a velocidade do arranque, a entrega desmedida ao resultado. Após sua estreia no comando do Flamengo, seu técnico no vice-Mundial Sub-20, Rogério Lourenço, disse que sempre sacava Ganso da equipe pois o jogador não cumpria suas determinações táticas. “Desobediente, então”, indagou o perspicaz repórter. “Não, desligado”, respondeu o treinador. Eu diria um torto, um desajustado. Parafraseando novamente o itabirense, “um gauche na vida”.
Nesta época, Ganso ainda era um patinho feio para Cuca e Rogério Lourenço. Menos para Giovanni, que o trouxe com quatorze anos para o Santos F.C. O messias já via o cisne que Paulo Henrique se tornaria. Uma espécie reconhece a outra.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Jegue da raça reload

Aproveitando o clamor popular e lançando mão da apologia que se faz necessária quanto a toda e qualquer forma de beleza!!
Repudio esta semana aquele que prefere o carrinho, o chutão, a modernidade do futebol pragmático, desculpem blogueiros, mas é "mais do mesmo".
Jegue da raça para DUNGA!!!!
Enquanto o baluarte do futebol "vamos jogar feio e ser campeões" não convocar Paulo Ganso, Neymar e Roberto Carlos, este carrasco do futebol bonito será "hour concours" em matéria de troféu jegue da raça. Chega!!! Evoquemos o espirito de Heleno de Freitas, faremos despacho em nome de Leônidas e evocaremos o calcanhar etilico de Sócrates! Para que este lacaio do futebol total convoque estes jogadores.
Desculpem minha revolta! Mas seleção é para os melhores e não para os melhores amigos!!!

Jegue da raça para Dunga!
abaixo Julio Batista!! Viva ao Ganso

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O manto sagrado CORINTHIANO de 77




CAMISA DO CORINTHIANS CAMPEÃO PAULISTA DE 77 AUTOGRAFADA.
RELÍQUIA ! ! ! CAMISA USADA NA 2ª PARTIDA DAS FINAIS PELO MEIA LUCIANO.




quinta-feira, 15 de abril de 2010

O crepúsculo de um imperador


por Luciano Melo
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
que a gente possa agarrar
Paulinho da Viola - Timoneiro
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A semana não está sendo fácil para Adriano. Os morros de sua cidade se desmancham por todos os lados como sorvete, desintegrando-se pelas encostas carcomidas de lixo e descaso. Se nem o Cristo dá conta de tamanha tragédia anunciada, o Rio se emudece e vê seus filhos enterrados entre os escombros, tal qual um enterro coletivo ao céu cinzento.
Já a paixão-mor da metrópole, seu rubro-negro de profissão e coração, não alheio ao drama, padece no torneio continental, respirando por aparelhos. Pena para não sofrer uma vexatória derrota em terras estrangeiras, clamando por piedade e clemência. E se não bastasse apanhar dos universitários chilenos com demasiada apatia, decide toda a fortuna de sobrevivência na copa contra o time do pirado Hugo Chávez, num jogo que tem tudo – mas tudo mesmo - para ser um dos mais angustiantes e penosos noventa minutos da história recente flamenguista. Ah, sem nos esquecer da decisão fluminense contra a Estrela Solitária de “Loco Abreu”, o predestinado à camisa 13 de Mário Jorge e convicto a calar a massa e a alma “urubuzadas”. Tudo isso no palco favorito em tornar reais as desgraças mais inimagináveis do mundo futebolístico: o estádio do Maracanã.
Como tudo isso é “pouco” e é “bobagem”, esta semana também reservou o desfecho do caso com a turbinada e oxigenada patricinha de “Leblon Hills”. O imperador não fugiu à estirpe da realeza e ateou fogo para todos os lados, incendiando o tráfico, o baile, a mídia, a brutalidade verborrágica e o próprio Flamengo. Para encerrar, com requintes de insanidade, caligularmente amarrou sua fêmea ao pé de uma árvore. É o fim.
Tudo isso em uma semana. Às vésperas do compromisso no Chile, com escalação certa, Adriano foi cortado da delegação por “dores nas costas”. Mentira. Como também fora no final de 2009, quando se afastou por bolhas no pé provocadas por queimaduras no tambor de uma moto. Ou foi numa lâmpada? N.D.A. Tudo mentira.
Adriano perdeu a alegria. Não quer mais saber do futebol. Não, não esse pelo qual somos apaixonados, como ele também é. O imperador não quer mais saber do profissionalismo, da vida de atleta, dos compromissos comerciais com patrocinadores e televisão. Na verdade, nunca quis. Se pudesse, estaria até hoje jogando pelada em campos improvisados pelos flancos do morro da Chatuba e traçando pipas com a linha envenenada de cerol, trepado em muros e lajes.
No entanto, o grande dilema, como diria o João Nogueira, é ser o “espelho de seu pai”. Adriano nunca conseguiu ou teve coragem de quebrar o encanto do sonho de seu velho em um dia testemunhar o filho desfilando no “Maraca”, pintado em rubro-negro, uma vez, até morrer. O pai se acostumou a ver seu filho, desde muito criança, entortar marmanjos em terras batidas ou na malemolência das areias. Adriano nasceu para isso, e o destino quis assim. Mas ele mesmo, não.
Todavia, tudo compensava ao perceber a alegria do velho em vê-lo brilhar nas peneiras da Gávea. Adriano sempre soube que ele próprio era o alter-ego de seu pai, o fantasma de um sonho que se tornava palpável ao enxergar o talento descomunal de seu rebento. Nosso futuro imperador repousava toda a angústia lírica na alegria do pai, pois abrira mão de toda a sorte pela felicidade de seu criador. Não havia mais o baile, o dominó, o namoro nas construções, a pelada diária. O menino se tornara um profissional da bola.
Também não pense o leitor que Adriano não gostasse de dinheiro e fama. Aproveitou o quanto quis: carrões “nitrados”, o pó mais fino, o caríssimo e dolarizado whisky “envelhecido” e motéis luxuosos com aspirantes a globais. Mas hoje, talvez pondere que tudo isso tem um preço elevadíssimo, bem maior que os juros que engordam sua conta bancária.
E quando pensava em jogar tudo para o alto, lá estava seu pai. O mais orgulhoso dos pais. No morro, era o rei. O pai do imperador. Quando retornava de Milão, trazia as camisas 10 do filho aos montes, distribuindo a amigos e familiares. E como cresceram estes amigos e familiares. Ajudava a todos, pois era desejo dos dois. Eram heróis.
Mas se Adriano se empanturrava de pastas, vinhos e modelos, sentia cada vez mais falta do cheiro do mar carioca, das ancas da morena requebrando pelo morro, das tardes rubro-negras no velho Maracanã. E quando pensava em jogar tudo para o alto, lá estava seu pai.
Até o momento em que o velho partiu. A vida não fazia mais sentido. Internazionale, Copa do Mundo, dinheiro, fama, nada. Como seu pai, Adriano desapareceu. Inundou-se no álcool e não saiu mais. Fugiu de tudo e de todos e retornou para seu ninho, para seu mundo, para sua vida, para “perto do velho”. Com a família e os amigos a volta, reencontrou a paz. Largou a bigorna dos compromissos profissionais e com renda para sustentar uma dúzia de gerações vindouras, queria apenas ter o que sempre foi seu, de direito: a infância roubada pelo sonho do pai.
Porém, uma vez, até morrer. Estar com o pai é estar no Flamengo. A Gávea, o manto rubro-negro, o cimento da arquibancada... Tudo isso cheira a seu pai. Cobrir-se com a 10 de Dida e Zico é ficar abraçado com seu protetor, sentir seu afago, sua voz grave, sua mão pesada de dedos grossos acariciando seu rosto.
E Adriano jogou como nunca. Dividiu com um craque sérvio a obrigação de devolver o sorriso cariado do genuíno torcedor flamenguista, o time das multidões deste país. No final de 2009, o Brasil se pintou em vermelho e preto graças ao talento de um jovem imperador que fora descoberto por seu próprio pai.
Pode parecer que não, mas Adriano chegou ao ápice. Pelo menos, para ele próprio. A dívida com seu pai estava paga. Conquistou o país com a mantilha rubro-negra e tem certeza de que seu pai assistiu a tudo.
Este 2010 não significa mais nada. Carreira? Concentração? Treino? Libertadores? Nada. E a Copa do Mundo? É melhor que nem o convoquem. Agora, quando pensa em jogar tudo para o alto, seu pai não está mais aqui.
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É engraçado, mas me veio à mente que o Adriano pode ser nosso Garrincha de hoje. Estou certo?
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Adriano é o Gênio da Raça da semana. E é Morte ao Futebol Moderno.

Boxe



por Luciano Melo
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Comprei há alguns dias o 3° volume da excelente revista Serrote, publicação quadrimestral do Instituto Moreira Salles. Tentarei manter a coleção até onde der, pois os cadernos são impecáveis. Cada edição tem uma variedade suculenta de ensaios, espalhados por volta de duzentas e poucas páginas. Os assuntos se desdobram nos mais variados temas, sempre escritos na mais fina execução. Para se ter uma ideia, no número da revista em questão, Virginia Woolf escreve sobre pintura de um modo quase ficcional - em outros termos, literário. Redundante falar, mas o ensaio é um primor. Ela se debruça sobre um pintor inglês do início do século XIX, Walter Sickert, nome até então desconhecido para mim. É verdade que, no campo da pintura, comparar a Inglaterra com outras escolas, como Itália, Espanha, França ou H0landa, é, no mínimo, desconfortável. Mas referenciado por Woolf, o pintor inglês é de tal maneira esboçado que faria inveja a Rafael ou Rembrandt. E não para por aí a revista. Numa outra seção, intitulada pelo genérico Esportes, encontro dois textos primorosos: o primeiro, especulando a gênese da competição esportiva; o segundo, uma entrevista que aglutina boxe e jazz num mesmo exercício de leitura. Ah, os autores em questão: naquele, Roland Barthes; neste, quem dá as cartas é Julio Cortázar.
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Confesso que me interessei mais pela entrevista do Cortázar, realizada em 1983, seu último ano de vida. O escritor repara em sutilezas e nuances imperceptíveis para quem não desfruta de uma leitura criativa e delicada da vida. Há de tudo um pouco do universo no pugilismo e no jazz, defende o argentino, na mais tênue reflexão que só a transcrição de uma conversa pode oferecer.
Como no jazz, o pugilismo é a arte do "improviso ensaiado". É justamente na execução performática dos golpes, no apuro da técnica que escapa à compreensão do oponente que reside a beleza do boxe. Torna-se um jogo, ou melhor, um estudo de artimanhas, estratégias e contragolpes que revelam ao espectador, como ao apreciador de Coltrane e Ellington, a mais pura nobreza da arte. Seria este um confiável caminho para entendermos por que o boxe é chamado de a "nobre arte"?
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Este texto não acabou ainda. Hasta.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Jegue da raça "um novo conceito em premiação"




Olá viciados em futebol!!!!
Hoje vou desancar, pegar pesado, distribuir farpas e afins.
O jegue da raça vai para...
Esperem! Supense é com Hithcock, genial cineasta !!!
Não vou enveredar pelos caminhos tortuosos de uma arte que não sei produzir, não sou uma Agatha Chistie, aliás bem longe desta pretensão, Agatha Chistie e Hithcock, o que eles possuem em comum, além da sagacidade em produzir suspense? ( será que estou plagiando alguém )
Tchan,tchan, tchan ( não confundir este tchan com o grupo da Genial Carla Perez ( ou seria "jeguial")... nossos heróis citados acima são ingleses. Inglaterra que já teve o maior Império do mundo e bla´,blá,blá...
Mas voltemos ao nosso tema, não estou aqui para falar da nação que criou as regras do nosso esporte predileto e deu ao mundo Beatles, Rolling Stones e Artic Monkeys.
Vamos direto ao ponto!
O Jegue da raça vai para o Ed Limas!! ( estou falando em terceira pessoa, assim como os grandes jogadores de futebol ).
Quero este Jegue da raça, minha estante necessita dele, só posso desencar, pegar pesado e distribuir farpas à terceiros, tendo a humildade de saber receber insultos!!
Comecei falando de personagens da Inglaterra sem nenhuma razão aparente, ou seja, me acho um gênio ao falar de um país para enccher linguiça no blog.
Mas sou jegue, reconhecer que sou um jegue é uma atitude genial.

Este troféu é meu e ninguém tasca, saúdo meus companheiros de feito ( Pelé e o goleiro Rodrigo do Flamengo são os outros jegues da raça ).

Por Ed Limas ( O jegue da raça da semana )

Agradecimentos e lágrimas

Agradeço a todos aqueles que me suportam na mesa de bar quando defendo o Ronaldo gordinho e fico exercendo "futurologia".
O Corinthians vencerá a libertadores com um gol de barriga do Ronaldo.

sábado, 3 de abril de 2010

Dunga

Ele foi bode expiatório na copa de 1990, simbolo do futebol feio, onde os carrinhos acontecem com maior frequencia e os passes de calcanhar são mais raros do que ouro no jaguaré! Sim nobres blogueiros e blogueiras nosso troféu da semana vindora irá para os pampas e encontrar as mãos que ergueram a copa de mundo de 1994.

Dunga deve muito a Romário, se o baixinho fazedor de gols não desse a copa de 94 para o Brasil, nosso personagem com nome de anão da Branca de Neve provavelmente estaria treinando o Olaria e não o escrete mais famoso do mundo.

A genialidade de Dunga é a mesma de um ganhador da megasena, a sorte sorriu para o raçudo jogador dos pampas. Agora Dunga tem o brinquedo mais legal do mundo nas mãos, poderia montar uma seleção com Ronaldos, Ganso, Pato e afins. Porém o ex-volante mediano crê no futebol solidário de jogadores que ficam na reserva de clubes na Europa. Que o diga Julio Batista, Doni e Felipe Melo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O que estes jogadores têm em comum (parte 2)?

por Luciano Melo
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Como a brincadeira ficou gostosa, pensei: e se tratássemos no nosso velho e querido Brasil, a pátria de chuteiras? E se montássemos nossa seleção com jogadores despezados, lançados ao sabor do acaso, às masmorras do esquecimento e da solidão? Como ficaria?
Pelo que tudo leva a crer, se não houver contusões e mantiver a "coerência" das últimas convocações, o time do Dunga na Copa do Mundo é: Julio César; Maicon, Lucio, Juan e Michel Bastos (André Santos); Felipe Melo, Gilberto Silva, Elano (Ramires) e Kaká; Robinho e Luis Fabiano. Se contar com o banco, o professor tem chamado Daniel Alves (para mim, titularíssimo), Luizão, Adriano, Nilmar etc.
Para manter a integridade do exercício, também não vou convocar quem faz parte da "família Dunga".
Então, minha seleção de excluídos é essa:
Fábio (Cruzeiro); Leonardo Moura (Flamengo), Miranda (São Paulo), Alex (Chelsea-ING) e Roberto Carlos (Corinthians); Hernanes (São Paulo), Zé Roberto (Hamburgo-ALE), Alex (Fernerbaçe-TUR) e Ganso (Santos); Ronaldinho Gaúcho (Milan-ITA) e Kléber (Cruzeiro).
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Ah, vou esbanjar. De lambuja, vai o restante do grupo para formar os 23 convocados:
Rogério Ceni (São Paulo) e Gomes (Tottenham-ING); Vítor (Palmeiras), Cris (Lyon-FRA), Naldo (Werder Bremen-ALE) e Marcelo (Real Madrid-ESP); Pierre (Palmeiras), Lucas (Liverpool-ING), Diego (Werder Bremen-ALE) e Felipe Coutinho (Vasco); Neymar (Santos) e Fred (Fluminense).

O que estes jogadores têm em comum?

Chech; Grygera, Chivu e Fletcher; Petrov, Baros, Mutu, Robbie Keane e Arshavin; Adebayor e Ibrahimovic.
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O que estes jogadores têm em comum?
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Esta foi a pergunta lançada na última semana. O que a equipe montada acima tem de especial? Vamos aos fatos:
1. Todos jogam em grandes equipes europeias. Chech, por exemplo, que para muitos é o melhor goleiro em atividade nos dias de hoje, é do milionário inglês Chelsea; o sistema de defesa, com três bons zagueiros, conta com Grygera (Juventus - ITA), Chivu (Inter - ITA) e Fletcher (Manchester - ING); o meio de campo tem representantes da Fiorentina - ITA, Arsenal - ING e Manchester City - ING; e o ataque possui uma dupla infernal, com Adebayor (Manchester City - ING) e Ibrahimovic (Barcelona - ESP).
2. Entrosado, este time daria o que falar. Tamanha a qualidade técnica dos jogadores, poderiam alternar sistemas de jogo ao longo da partida. Grygera, "zagueiro de profissão", pode fazer a ala direita sem maiores problemas, mantendo Chivu e Fletcher no miolo de zaga. Na outra lateral, Baros e Petrov podem se dividir entre apoio e marcação, naquele velho esquema "um vai, outro fica". Pelas possibilidades de armação, Keane e Arshavin revezar-se-iam na criação das jogadas, e Mutu, serelepe, caindo pelas pontas infernizaria a defesa adversária. Já os atacantes possuem um excelente repertório de jogo, pois jogam em movimentação ou plantados na área. Pela maior habilidade, Adebayor ficaria mais centrado e Ibrahimovic viria pelos flancos, intercalando-se com Mutu, Keane e Arshavin. Ótimo, não?!
3. Ah, já ia esquecendo o terceiro ponto em comum. O mais cruel de todos. Nenhum deles estará na Copa do Mundo, pois suas respectivas seleções não se classificaram. Tenho certeza que quando assistir às partidas envolvendo Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Norte, Argélia e Honduras me lembrarei deles, lamentando.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Jegue da raça vol. II




Olá caros amigos e amigas!
Hoje falarei de uma pessoa que muito dignifica o nosso pais, ele carrega ao lado do cantor pop brega Roberto Carlos ( vai dar polêmica ) a alcunha de Rei, só no Brasil mesmo! Dois reis em um pais Repúblicano. O rei em questão é o Pelé, dentro das quatro linhas ninguém ousou jogar mais, um gênio do futebol, um herói tricampeão, multi campeão no Santos, orgulho de nossa nação.
Mas segundo outro gênio de plantão: " Pelé calado é um poeta"! Diria mais... Pelé calado é um misto de T.S Elliot e Drumond, calado não é um mero poeta, nosso herói futebolista quando não utiliza as cordas vocais é o mestre dos mestres ( ele canta mal pra caramba ).
Caros leitores minha fúria possui lógica, pois Pelé do alto de seu trono afirmou: " Dunga não precisa do Ganso!! "
Nós do Morte ao Futebol Moderno estamos estarrecidos, como pode o baluarte do futebol bonito falar algo tão sem noção, como o craque do futebol ele deveria defender a beleza, defender a arte, defender Ganso na seleção brasileira.
A quem Pelé quer agradar? Fazendo média com o Dunga... Baixou o exú Branca de Neve no Pelé? Desculpem a revolta!
Quem você prefere na seleção Ganso ou Júlio Batista? ( nada contra o reserva da Roma )

Troféu Jegue da raça vai para o Rei nesta semana!!
ps. não acredito na monarquia e ouça The Clash!!!!


Ed Limas

terça-feira, 30 de março de 2010

Um lenço para Armando


O troféu "Gênio da Raça" desta semana está de luto. Nos deixou Armando Nogueira, aos 83 anos. Talvez tenha sido ele o primeiro cronista esportivo a aproximar a literatura do futebol neste país, pois nunca antes dele o requinte e o apuro com a palavra eram a primazia nos textos sobre o esporte bretão. Após o caminho traçado, vieram outros, no rastro do mestre: Nelson Rodrigues, João Saldanha e, ainda na ativa, os fiéis seguidores Ruy Castro, João Máximo, Xico Sá e Tostão, para ficar em alguns. Todos órfãos. Como nós.
Armando escreveu uma vez que "Garrincha faz de um lenço seu latifúndio", para tentar explicar a inexplicável capacidade dos dribles de Mané em minúsculos espaços do campo. Faço de sua metáfora a imagem de uma despedida: um lenço para Armando!
Armando Nogueira é Gênio da Raça. É Morte ao Futebol Moderno.

O trem da vida

por Luciano Melo
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Construímos o cômodo há pouco mais de dois anos. Era sonho de meu pai dispor de um espaço extra na casa como um clube social, um recanto para exercer o prazer de uma boa prosa. “A sala”, diz ele, “é feita para as mulheres tricotarem”.
Nisso não tiro sua razão. Há um prescrito ritual ao se “fazer sala” para alguém. Os anfitriões disparam à frente da visita para averiguar o estado do recinto. Numa rápida execução, organizam toda a porcariada espalhada pelos cantos do ambiente: jornais, almofadas, chinelos, controles, bibelôs... para, em seguida, dispararem a corroída fórmula “não repara na bagunça!” Então, os visitantes são alocados nos melhores lugares do sofá, geralmente localizados à frente da televisão. Liga-se o aparelho apenas para “harmonizar o local”, mesmo que naquele instante um âncora engravatado esteja disparando enchentes e chacinas para todos os lados, pois o que interessa mesmo é pôr a conversa em dia. Poucos minutos depois, chegará uma bandejinha prateada repleta de quitutes e uma garrafa térmica com o cafezinho passado na hora.
Aliás, a hora da boca livre é o termômetro do sucesso do evento. Se o encontro estiver animado, as guloseimas serão desprezadas como um cão abandonado e o café congelará na xícara, tamanho o interesse na vida dos outros. Mas, se o rumo prosa for de uma sonolência sem fim e a maior novidade é que o filho da sua querida tia (aquele mesmo mala que sempre te aporrinhou) enfim tirou o diploma e se formou em... 2006! Bem, é melhor repor os petiscos e botar a água no fogo.
Não, definitivamente meu pai não queria isso.
Para maior privacidade no local, até construímos um minúsculo banheiro para não atrapalhar o cotidiano da casa. E garanto ao raro leitor: o espaço sobrevive em plena democracia!
Como somos apaixonados santistas, meu pai comprou uma televisão para acompanharmos os jogos do glorioso alvinegro praiano. Estaríamos assim isolados de toda a complexidade antropológica que reserva a ocasião retratada acima. Nada, mas nada mesmo contra a quem de coração e braços escancarados recebemos em nossa humilde choupana, mas a apreciação de uma partida de futebol requer uma dedicação franciscana. Desculpe, mas não dá para conciliar os prazeres e os dissabores de uma peleja do Santos FC com as desventuras errantes de acatados parentes. Sorry.
Para parcos momentos íntimos da vida, privacidade é tudo. Nisso, raro leitor, você não há de discordar.
E, ao léu da proa, sem a menor intenção, nosso espaço se tornou um retiro maçônico para arrebatados torcedores de futebol, santistas ou não. Mas, ressalto: aqui, as viúvas de Pelé são maioria.
Como o Juarez, um caso à parte.
Juarez foi o neófito do clube. O primogênito. Da mesma idade de meu pai, era um torcedor incomensurável do Santos FC. Fazia pose de ranzinza e qualquer claudicação de um jogador era a razão de excomungá-lo por quatro gerações passadas e três vindouras. Eu não entendia isso, mas meu velho, sim. Os dois viram inúmeras vezes in loco o mágico esquadrão alvinegro desfilar no imaculado Pacaembu, em longínquos anos 60. Então, voltar à terra firme e, cinco décadas transcorridas, comparar este mundo com aquele é ingênua quimera. Meu pai sabia disso. Juarez, não.
No entanto, era delicioso assistir às batalhas santistas com ele ao lado. No dia anterior a uma partida, encontrava-o bufando, desfechando mil demônios contra a possível escalação do time. Nunca, mas nunca mesmo, concordava com os onze que estariam recheando o manto santista no dia seguinte. Já nas horas antes da peleja, ninguém o encontrava em canto algum. Acho que ele ficava se remoendo em sua poltrona preferida, perfilando inusitadas jogadas que, por esmero, resultariam em gols naquela tarde. Talvez já as tivesse deslumbrado quando convivia com os fabulosos negros Mengálvio, Dorval, Lima, Coutinho, Edu e Pelé. Mas o fato é que nenhuma viv’alma topava com o Juarez neste momento. Era a profunda clausura num mausoléu medieval.
Então, restando escassos minutos para a peleja, chegava Juarez. Cara amarrada, praguejando contra tudo. Até dos patrocinadores que emporcalham a brancura do véu santista.
Ele tinha razão.
Durante o jogo, era impossível se conter. Mais pragas e pragas. A cada ataque desperdiçado, arrancava com atrocidade um surrado boné e alisava os poucos fios de cabelo que ainda resistiam sobre a cabeça ensopada de suor. Roia vorazmente as unhas e, quando já tinha mais o que comer, cerrava os punhos até arrebentarem as veias pelo dorso das mãos. No intervalo, mais insultos. Praguejava até contra o replay, como que se ali pudesse mudar a sorte do lance. Era incorrigível.
No momento do gol, enquanto nos abraçávamos num combinado de alegria e alívio, Juarez cobria o rosto com o empapado boné e levantava os dois punhos ao firmamento, quase como numa prece. Ainda tenho comigo que devia pronunciar algo parecido a um credo, com o rosto encoberto.
Retornado do transe, voltavam as pragas. E mais pragas. Embora, se num lampejo o ataque alvinegro faiscasse uma tabela, um lançamento preciso, um passe de letra, Juarez esgarçava o canto da boca, imitando um sorriso. Quem sabe voltasse ao passado naqueles ínfimos segundos.
Seja como for, sua fama cresceu. Muitos passaram a freqüentar nosso recinto pela pura traquinagem de compartilhar uma partida com ele. Sua rabugentice era deliciosa! E as histórias? Eram imperdíveis. A cada jogo, com memória prodigiosa, relembrava partidas e jogadores que nunca saíram de sua alma alvinegra.
Hoje, nossa coletividade recebe novos integrantes. Aficionados santistas da rua e adjacências freqüentam nosso recinto para apreciar a fuzarca que os meninos provocam a cada prélio. Eu e meu pai nos orgulhamos disso.
Infelizmente, no final do ano passado, por conta de graves problemas renais, Juarez foi embora antes do combinado. Ainda o trouxemos para casa depois de seguidas internações, mas o velho rabugento, teimoso, nos deixou.
No hospital, eu e meu pai fomos visitá-lo. Não sabíamos que era a última vez que iríamos trocar algumas palavras. Na maca, cheio de agulhas perfurando os braços, os olhos pálidos e fundos, os fios de cabelo desgrenhados e bastante debilitado, com dedo indicador pediu para me aproximar e sussurrou bem baixinho, quase imperceptível:
- Ainda dá para ser feliz com o Santos?
Erroneamente, respondi que não se preocupasse com aquilo. O importante era sair dali com saúde para ainda desfrutar da vida. Hoje, acho que o melhor seria ter engatado uma conversa descontraída sobre futebol, mulheres, ou o assunto que fosse. Ele sabia que aquele era nosso último encontro.
Desculpe, leitor, mas não consigo mais escrever. Meus olhos, por mais que tente secá-los, não dão mais conta de enxergar a tela.
Obrigado, Juarez, meu velho. Sempre dá para ser feliz com o Santos. A vida sempre vale a pena.

sábado, 27 de março de 2010

Jegue da Raça




O intelectual de vanguarda e nas horas vagas goleiro do Flamengo Bruno, filosofou nos microfones frases de enorme impacto do ponto de vista intelectual, em pleno dia internacional das mulheres o culto arqueiro afirmou: "- Quem nunca trocou ou deu uns tapas em mulher".
O genial goleiro tomou uma bronca da Presidenta do Flamengo Patricia Amorin ( a mais bela presidenta que já vi, uma beldade). O cerebral goleiro Flamenguista proferiu esta magistral frase ao defender seu colega de profissão Adriano, vulgo o Imperador! O Imperador curte amarrar sua equilibrada namorada em árvores e afins...
Bruno merece o troféu Jegue da raça ( nada contra o equino mais charmoso do norderte)

Ed Limas

segunda-feira, 22 de março de 2010

Chech; Grygera, Chivu e Fletcher; Petrov, Baros, Mutu, Robbie Keane e Arshavin; Adebayor e Ibrahimovic.
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O que estes jogadores têm em comum?

por Ed Limas
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Ser híbrido, meio Sócrates, meio Rivaldo, com pitadas de Pita. Eis que na Vila mais famosa surge o mago que faz o tempo parar quando a bola está literalmente a seus pés.
Ele atende pela singela alcunha de Ganso, simplesmente Ganso.
Seu repertório conta com dribles nostálgicos, do tempo que a música e o cinema nos faziam chorar.
Paulo Henrique Ganso é Morte ao Futebol Moderno!
Garoto Gênio da Raça!
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PS - Sou corintiano.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Manifesto do Movimento "Morte ao Futebol Moderno"




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por Luciano Melo
1. O campo. Como já se afirmou em tempos idos, o quadrilátero que abriga uma peleja futebolística nada mais é que a metáfora da condição humana, encarcerados que somos diante dos limites de sobrevivência impostos a cada um de nós. É também o espaço demarcado da existência. A medida retangular é na verdade a junção de dois quadrados que acolhem duas potências opostas, ou seja, ying/yang ou Apolo/Dionísio. Forças motoras que nutrem nossas decisões. A união destes opostos se dá pelo grande círculo central, o símbolo da perfeição e da ideia de totalidade. Para resumir a conversa, é Deus. Duvida? Em outubro de 1974, na sua partida de despedida do futebol, curiosamente contra a "Ponte" Preta, Pelé cruzou a "ponte" da divindade para a mortalidade num gesto secular: ajoelhou-se no ponto central do grande círculo com as mãos estendidas em forma de cruz. Perfeição? Deus? Pelé? Seria a representação do que, afinal?
2. A bola. O mote da disputa e da conquista de todos, representante da beleza geométrica e de toda a complexidade esférica em que repousa o símbolo da perfeita simetria, é idolatrada por pobres e oprimidos espíritos que veem na circunferência do objeto a imagem do mundo. Duvida? Lembre-se da arrebatadora cena do apocalíptico "O Grande Ditador", quando Carlitos/Hitler brinca com a bola/planeta, retorcendo-se em mil piruetas sem deixá-la tocar o chão. Seria a representação do que, afinal?
3. A paixão. Uma partida de futebol resguarda em si a plenitude do gáudio da existência humana, lançada à arena das paixões e das desilusões. Aguardamos a fração milionésima de segundos entre o olhar do craque e o toque milimétrico na bola, repousando-a no mais inatingível e imponderável espaço que ela possa encontrar. O tempo não avança, quase retrocede. Somente os gênios, os quase deuses, possuem tal feitiço. Já os deuses... Duvida? Ai de nós, estúpidos homens, quando Cupido nos escolhe. Naquele milionésimo segundo, nosso olhar atinge cada espaço milimétrico de Afrodite, lançando-nos às mais intensas labaredas da carne, à voluptuosidade pecaminosa acesa em cada poro.
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Ai de nós, estúpidos homens. Uni-vos!